Cotidiano

Incontinência urinária afeta também o emocional do portador

Da Redação ·
Perda de urina involuntária pode ocorrer em qualquer idade. Foto: Ilustração
Perda de urina involuntária pode ocorrer em qualquer idade. Foto: Ilustração

Desde a infância aprendemos a controlar a vontade fazer xixi, disciplinando o esfíncter, músculo que segura a bexiga. Com o passar do tempo ou devido a um problema esse músculo acaba perdendo a elasticidade, causando a incontinência urinária, a perda involuntária de urina. O que pouco sabem é que a doença pode afetar tanto idosos quanto pessoas de qualquer idade.

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O urologista Hélio Kissina, de Apucarana, esclarece algumas dúvidas sobre o assunto. Ele afirma que a perda de urina involuntária pode ocorrer em qualquer idade e em decorrência das mais variadas causas. Entretanto, é mais frequente em pessoas idosas, predominando entre as mulheres. “Calcula-se que mais de 33% das idosos e aproximadamente 50% das mulheres sofrem da doença”, reforça.

Já entre os homens, Kissina diz que há uma correlação da incontinência urinária com a hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata) e nos portadores de doenças neurológicas de causas degenerativas ou vasculares. Além do desconforto, o problema não é apenas físico. A incontinência urinária pode afetar aspectos emocionais, psicológico e a vida social das pessoas. “A incontinência urinária não é apenas desagradável, mas extremamente embaraçosa. A doença pode afetar o psicológico, social, sexual e a higiene do paciente”, afirma.

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Kissina diz que muitos pacientes adotam mecanismos de defesa, como urinar com frequência, mapear a localização de toaletes, beber menos líquido ou usar roupas escuras para esconder episódios de incontinência urinária. “É importante conversar com o médico e descobrir qual o melhor tratamento”, acrescenta.

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Bexiga hiperativa

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Outro sinal de que algo não vai bem no organismo é a frequência exagerada de idas ao banheiro. Esse é um dos sintomas da bexiga hiperativa, e pode estar associada com a incontinência urinária. Normalmente quem tem bexiga hiperativa sofre contração inadequada do músculo detrusor durante a fase de armazenamento do ciclo miccional. “A frequência para urinar pode ocorrer durante o dia ou até mesmo fazendo com que se acorde mais de 1 vez à noite para ir ao banheiro”, explica.

O tratamento para a bexiga hiperativa, segundo Kissina, se baseia na utilização de medicamentos de uso oral, principalmente os conhecidos como anticolinérgicos, que ajudam a inibir as contrações involuntárias do músculo da bexiga, podendo ser associados com terapias comportamentais, exercícios para controle vesical e redução da ingestão de líquidos.

Entretanto, o médico diz que a toxina botulínica pode ser aplicada diretamente na bexiga em casos que não respondem ao tratamento convencional. Assim como em casos bem selecionados a neuromodulação sacral pode ser útil.

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Kissina explica que o diagnóstico da bexiga hiperativa é basicamente clínico. “O urologista tem condições de entender melhor os sinais e sintomas descritos pelo paciente e indicar, caso seja necessário, exames complementares para excluir outras patologias que podem cursar com quadro clínico semelhante, como por exemplo infecção urinária, tumor de bexiga e cálculos na bexiga”, sublinha.

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Tipos de incontinência urinária

Incontinência urinária de esforço

É a perda de urina que ocorre ao tossir, espirrar, caminhar, correr, pular. Ocorre quando os músculos do assoalho pélvico (músculos que cobrem a cavidade inferior da bacia e sustentam os órgãos que estão no abdômen) são forçados durante esforço físico e se tornam enfraquecidos ou alongados demais. Isso leva a perdas urinárias em episódios, podendo ocorrer em gotas ou em grande quantidade. Não existem medicamentos para esse tipo de incontinência urinária e as recomendações de tratamento estão na fisioterapia e na cirurgia.

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Incontinência urinária de urgência

É a perda de urina associada a um desejo súbito e urgente de urinar, que ocorre porque o indivíduo não consegue chegar ao banheiro a tempo. É o que ocorre na bexiga hiperativa, uma situação na qual o músculo detrusor (músculo que forma a bexiga urinária) se contrai involuntariamente mesmo se a bexiga não estiver cheia. Muitas vezes a pessoa tem que urinar com muita frequência e em algumas vezes a urina escapa antes de chegar à toalete. Essa condição pode ser tratada de diversas maneiras, incluindo medicamentos, estímulos elétricos com equipamentos de fisioterapia, uso de toxina botulínica e implantes de estimulares elétricos nas raízes nervosas.

Incontinência urinária mista

Algumas pessoas têm os dois tipos de incontinência urinária, ou tem sintomas que podem ser dos dois tipos e chamamos esta condição de incontinência mista. Algumas vezes são necessários exames mais específicos, chamados exames urodinâmicos, que ajudam a ter um diagnóstico preciso para escolher o melhor tratamento.

Incontinência urinária paradoxal Ocorre quando a bexiga está extremamente cheia e a perda urinária ocorre por uma espécie de transbordamento; o problema nesse caso é a incapacidade de esvaziamento da bexiga, mas o sintoma é a perda de urina. É o que ocorre em pessoas que perdem a sensibilidade da bexiga e não percebem que ela está cheia. Ou ainda em pessoas com obstrução crônica, como nos homens com crescimento da próstata. Nesse caso o tratamento consiste em melhorar o esvaziamento da bexiga.