Cotidiano

Mãe de jovens surrados acusa PM de suposto abuso de autoridade

Da Redação ·
Dona Amélia (de jaqueta verde) e a sua cunhada: denúncia de abuso de autoridade contra a PM - Foto: RSN
Dona Amélia (de jaqueta verde) e a sua cunhada: denúncia de abuso de autoridade contra a PM - Foto: RSN

Um caso de suposto abuso de autoridade envolvendo policiais militares e uma família residente na Vila Concórdia, em Guarapuava (região central do Paraná) ganhou destaque nas redes sociais nesta sexta-feira (22). A situação de impasse resultou em dois homens feridos e presos, um adolescente ferido e apreendido e um policial com a mão ou um dos braços quebrado (informação ainda não confirmada). O fato ocorreu na rua Bagé, na Vila Concórdia. 

continua após publicidade

Conforme Amélia Terezinha Ferreira Eurich, 43 anos, seus filhos Everson (21) e D. E. (17) estavam com dois amigos fazendo churrasco e ouvindo música gravadas num aparelho celular, plugado em uma caixinha de som. Segundo a polícia, a rua é conhecida pela frequente prática de tráfico de drogas, mas de acordo com Amélia, ninguém da sua família está envolvido nesse tipo de crime. 

A mulher relatou que uma viatura policial passou pela rua, deu marcha a ré e parou em frente à moradia. “Os policiais desceram gritando e exigindo que o aparelho de som fosse entregue. Meus filhos mostraram o celular e a caixinha de som, mas eles [policiais] insistiam que o aparelho fosse entregue. Mas não havia outro som a não ser o do celular”. Ainda conforme Amélia, outra viatura parou com mais policiais que também chegaram “com brutalidade, batendo, ameaçando e dizendo que os meninos estavam incomodando os vizinhos e fazendo arruaça”.

continua após publicidade

O esposo da mulher tinha trabalhado o dia todo e estava deitado. “Ele escutou a discussão e foi ver o que estava acontecendo quando ouviu os policiais dizerem que iam entrar na casa porque ali só havia vagabundo e f.d.p”.  Segundo Amélia, o marido revidou dizendo que na sua casa ninguém entraria, a não ser que tivessem com mandado de busca e apreensão. “Um dos policiais pegou o cassetete e bateu na cabeça do meu marido que levou sete pontos”.  

De acordo com a mulher denunciante, as agressões continuaram  contra os filhos do casal, acordando os vizinhos. “Eles [policiais]  diziam pra ninguém chegar perto, apontavam as armas e ameaçaram os vizinhos dizendo que voltariam para terminar a história. Eles [os vizinhos] estão dispostos a testemunhar isso, pois moramos nesse lugar há mais de 20 anos e nunca tivemos problemas”.  Em relato à RedeSul de Notícias, Amélia detalhou que no momento em que um dos policiais disse que bateria no seu filho de nove anos, seu marido pegou uma pá e atacou os policiais em “defesa dos filhos”. Mais viaturas e mais policiais chegaram e em seguida os feridos foram levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Amélia acrescentou que seu filho de 17 saiu da casa sem nenhum hematoma, mas ficou apanhando dos policiais dentro da viatura e saiu com o "rosto machucado", enquanto o pai dele e o irmão Everson eram atendidos na UPA. “Meu marido levou sete pontos na cabeça e pode estar com o braço quebrado, mas não foi medicado sequer com um paracetamol, embora estivesse sentindo muita dor”.

continua após publicidade

Após o atendimento médico, todos foram para a Delegacia de Polícia, mas Amélia acabou impedida de entrar. “Liguei para o Conselho Tutelar que foi até lá para liberar o meu filho de menor que saiu da delegacia na manhã de domingo”. O filho mais velho foi liberado depois de pagar  R$ 1.000 de fiança, pago por uma ex-chefe do pai do rapaz, que depois de receber uma ligação se prontificou a ajudar. 

VERSÃO DA PM
Conforme o tenente Walla Adairalba, comandante do Pelotão de Choque da PM em Guarapuava, perturbação do sossego é um crime previsto no Código Penal Brasileiro (CPB). “Houve uma denúncia e a Polícia Militar tem o dever de zelar pela segurança da população. Não sei se houve abuso de autoridade, mas um dos policiais teve o braço ou uma das mãos quebrada. Então também houve o crime de lesão corporal grave”.

O tenente explica que dona Amélia deve dirigir-se até o quartel da Polícia Militar e relatar o que aconteceu para que o comando possa instaurar um procedimento administrativo para apurar os fatos. “É da nossa conduta apurar todos os fatos, inclusive aqueles que envolvem a Polícia Militar. Qualquer cidadão tem esse direito”.