Cotidiano

Ex prefeito de Guarapuava Fernando Carli é esperado pelo Gaeco para condução

Da Redação ·

O ex prefeito de Guarapuava (região central do Paraná), Luiz Fernando Ribas Carli, é esperado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para o cumprimento de um mandado de condução coercitiva (quando o intimado é obrigado a prestar depoimento, com escolta policial). Ele foi citado ontem (29) em uma operação para desbaratar uma suposta organização criminosa que atuou em fraudes a licitações do transporte coletivo em três cidades do Paraná, conforme a Rede Sul de Notícias. A expectativa é que ainda hoje (30) Fernando Carli se apresente na sede do Gaeco, em Curitiba, para prestar depoimento.

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Ontem, seis pessoas acabaram presas durante operação do Gaeco. Além das detenções, foram expedidos mandados de condução coercitiva, entre eles o do ex prefeito de Guarapuava Fernando Ribas Carli, que não foi localizado. Além de Carli, também o ex-prefeito do Foz do Iguaçu, Paulo Mac Donald Ghisi foi alvo desses mandados. A Rede Sul de Notícias acrescentou que policiais estiveram na casa de Fernando Carli, de onde retiraram dois malotes de documentos. A operação foi batizada de Riquixá – uma alusão a veículo utilizado para o transporte de carga e pessoas que pode ser pedalado ou puxado por alguém.

Entre os presos, cinco pessoas são da empresa Logitrans, que tem sede em Curitiba e que tem como um dos sócios Sacha Reck. Ele é advogado do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba. Conforme o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o advogado seria um dos operadores do esquema.

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As investigações do Gaeco aponta ainda que a Logitrans junto com outra empresa de São Paulo, que também teve um dos sócios preso, seriam as responsáveis por fraudar as licitações do transporte público em Guarapuava, Foz do Iguaçu (oeste) e Maringá (norte do Paraná).

Estas duas empresas eram contratadas pelas prefeituras para formatar as licitações, mas o Gaeco afirma que os modelos de contratos favoreceram dois grandes grupos do transporte coletivo público: Gulin e Constantino, conforme a Promotoria Pública.

"Ora um grupo, ora outro, eles já previamente dirigiam através de outras empresas, outras pessoas, as licitações de tal forma que elas já estavam dirigidas para eles ganharem a licitação e contratarem com poder público", detalhou o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti.

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O Gaeco apreendeu vários documentos, computadores, celulares e dinheiro. Apesar dos indícios de fraude investigados pelo Ministério Público, os contratos com essas empresas do transporte coletivo dos municípios ainda não serão cancelados. O Gaeco vai apurar agora a proporção do prejuízo com esse esquema criminoso e determinar possíveis indenizações.

"A não concorrência, ela privilegia alguns afastando concorrentes, ela tem como consequência ao final, invariavelmente, afetar a tarifa nesse caso do serviço público e isso é um fato econômico visto e evidenciado e comprovado", explicou Batisti.

MAIS DENUNCIADOS - O advogado Sacha Reck e os empresários Marco Antônio Gulin e Délfio José Gulin também foram denunciados pelo Ministério Público do Distrito Federal por fraude. Eles atuaram na licitação que renovou o sistema de ônibus de Brasília, a partir de 2011.

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Segundo a denúncia, Reck atuou como consultor na elaboração da concorrência, mas tinha envolvimento com a Auto Viação Marechal, empresa que saiu vitoriosa da licitação e ainda atua na capital federal.

A 1ª Vara de Fazenda Pública do DF chegou a determinar a anulação dos contratos e a abertura de uma nova licitação no fim de janeiro, com prazo de 180 dias. O governo e as empresas recorreram.

Depois de 11 meses de trabalho, a CPI do Transporte da Câmara Legislativa do DF também pediu o indiciamento de 17 pessoas envolvidas na licitação, incluindo o três citados pelo MP. No texto, Sacha Reck é acusado de direcionar a licitação para a Marechal.