Cotidiano

Após faltarem a audiência no Paraná, 5 jornalistas podem ser condenados 

Da Redação ·
Cinco jornalistas da Gazeta do Povo foram acionados judicialmente após reportagens sobre remuneração de magistrados e promotores - Foto - Gazeta do Povo
Cinco jornalistas da Gazeta do Povo foram acionados judicialmente após reportagens sobre remuneração de magistrados e promotores - Foto - Gazeta do Povo

A Rede Paranaense de Comunicação (RPC) confirmou neste domingo (26) pela manhã que existe a possibilidade de o jornalista Chico Marés e quatro colegas dele no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, serem condenados por não terem ido a uma audiência na Justiça na sexta-feira (24). Eles alegam que não foram porque tinham outro depoimento marcado simultaneamente a 400 quilômetros do local.  Os jornalistas foram acionados judicialmente por promotores e magistrados depois de uma série de reportagens sobre salários supostamente acima do teto constitucional que seriam pagos pelo Tribunal de Justiça (TJ) e pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). O número de ações movidas contra os jornalistas totaliza 41 e eles são obrigados a comparecerem a todas as audiências marcadas em várias comarcas.

Os autores das interpelações judiciais pedem indenização por danos morais.A RPC frisa que que as reportagens mostravam dados dos portais da transparência dos órgãos e foram publicadas em fevereiro deste ano. Conforme a Gazeta do Povo, magistrados teriam recebido, em média, mais de R$ 500 mil em 2015.Desde abril eles já percorreram mais de nove mil quilômetros - o que corresponde a distância entre Curitiba e o Canadá. “O que está em questão aqui não é se eles têm ou não o direito de entrar na Justiça, mas a forma como eles entraram na Justiça que é uma agressão. Uma agressão à gente, uma agressão ao nosso trabalho, uma agressão à Gazeta do Povo, e sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa”, frisou Chico Marés à RPC.

MAGISTRADOS ALEGAM CONSTRANGIMENTO
A Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) avalia que os juízes foram constrangidos e alega que não há tentativa de intimidação nem ação coordenada. Para a Associação Paranaense do Ministério Público (APMP), as ações não representam tentativa de ferir o direito de informação.A Gazeta do Povo protocolou uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF), mas a liminar foi indeferida. O jornal paranaense recorreu e ainda aguarda o resultado.

A ministra Carmem Lúcia fez uma avaliação sobre a situação durante o 11° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, em São Paulo. A ministra afirmou que os magistrados paranaenses são parte interessada e, por essa razão, não podem julgar o caso.

ANJ E ABERT

A RPC acrescentou que a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) vão ingressar no STF como parte interessada - as duas associações tratam o caso como de interesse coletivo. Desta forma, como parte interessada, as entidades classistas vão poder se posicionar e disponibilizar provas.

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