Cotidiano

Suspeito de estuprar as próprias filhas é preso no PR

Da Redação ·
Homem foi denunciado por estuprar as duas filhas. Foto: Polícia Civil/ Divulgação
Homem foi denunciado por estuprar as duas filhas. Foto: Polícia Civil/ Divulgação

A Polícia Civil confirmou nesta quarta-feira (22/06) a prisão homem de 43 anos, investigado por estuprar as duas filhas adolescentes - de 14 e 16 anos, em Curitiba, no Paraná. O suspeito foi preso através de um mandado de prisão preventiva cumprido na terça-feira (21/06). A ação aconteceu pelo Núcleo de Proteção a Criança e Adolescente Vítima de Crime (Nucria).

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As investigações iniciaram após a mãe das meninas registrar uma denúncia. As adolescentes foram ouvidas e um inquérito policial foi instaurado. A menina mais velha relatou que seu pai a estuprava desde os 13 anos de idade.

Em depoimento as adolescentes afirmaram que ele as ameaçava dizendo que se elas contassem para alguém, ele mataria a mãe das meninas.

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Para a delegada responsável pelo caso, Patrícia Conceição Nobre Paz, os familiares devem sempre ficar atentos no comportamento das crianças, qualquer alteração, deve ser analisada com mais cuidado. 

“Um crime bárbaro deste, que acontece no seio da família, deve ser denunciado o mais rápido possível, para a polícia investigar e tomar as medidas cabíveis”, reitera Patrícia.

O suspeito responderá por duplo crime de estupro de vulnerável, podendo somar mais de 30 anos de cárcere.

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CULTURA DO ESTUPRO - No início deste mês milhares de mulheres e homens foram às ruas no Brasil motivados pelo caso do estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro, que chocou o país e ganhou destaque internacional nos noticiários e nas redes sociais. Grupos se manifestaram pelo fim da violência sexual e contra o machismo na Esplanada dos Ministérios e no Congresso Nacional, em Brasília, no centro do Rio de Janeiro e na Avenida Paulista, em São Paulo, entre outras capitais.

O termo cultura do estupro ganhou as ruas e as redes. Na avaliação de Luíse Bello, feminista da organização não governamental Think Olga,  a cultura do estupro “normaliza a ideia de que o corpo feminino está ali para ser violado” e tem sido discutida no Brasil como nunca antes. Para Luíse, o combate a esse tipo de crime passa necessariamente pela educação e pelo entendimento do que significa consentir.  

“É o entendimento sobre o que é consentimento, o que é limite, o que é respeito. As pessoas precisam de uma educação sexual adequada, que ensine a respeitar completamente as outras pessoas e que não exista essa diferença de poder em que um acredita que pode dominar o outro.” (Agência Brasil)

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VIOLÊNCIA - A cada 11 minutos, uma mulher sofre violência sexual no Brasil, segundo dados do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública feito a partir dos boletins de ocorrência registrados em 2014. O número, entretanto, ainda é considerado subdimensionado. Em entrevista à Agência Brasil, Luíse Bello disse que o momento atual tem se mostrado produtivo uma vez que a sociedade se mostra disposta a debater o machismo como ponto de partida para a violência sofrida por crianças e mulheres. 

“Estamos num momento muito prolífico das mulheres contra a violência e por direitos e que, apesar das circunstâncias, é bastante positivo.” Luíse argumenta que o despertar das mulheres brasileiras em relação aos seus direitos é um movimento observado nos últimos anos, especialmente na internet, e não tem volta. (Agência Brasil)