Cotidiano

Hospital da USP limita atendimento no pronto-socorro à noite

Da Redação ·
Médicos e funcionários do hospital fizeram protesto exigindo novas contratações - Foto: Zanone Fraissat/Folhapress
Médicos e funcionários do hospital fizeram protesto exigindo novas contratações - Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

O HU (Hospital Universitário) da USP, que enfrenta um desmonte nos últimos anos, vai interromper o atendimento de pronto-socorro noturno na próximo semana. Só atendimentos emergenciais serão realizados a partir da sexta-feira (10).

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A unidade havia limitado em 2015 o pronto-socorro infantil no período noturno, das 19h às 7h. Comunicado da direção do HU oficializa o mesmo procedimento agora também para os adultos. Só emergências serão aceitas.

A redução no atendimento é reflexo da falta de profissionais e consequente fechamento de 49 leitos desde 2013. Esse processo ocorreu após a universidade realizar em 2014 um PDV (Plano de Demissão Voluntária) na universidade.

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Desde então, o HU perdeu 43 médicos e 195 técnico-administrativos. Por causa da crise financeira na USP, novas contratações estão congeladas em toda universidade.

Entre 2013 e 2015, o número de consultas ambulatoriais caiu 30%, de 138 mil para 96 mil, conforme a Folha de S.Paulo revelou nesta quinta-feira (2). As urgências recuaram 24%, o que representa 65 mil casos a menos no período. Já nas internações, houve queda de 21% no mesmo período. Procedimentos cirúrgicos, por sua vez, minguaram 25%.

A limitação do atendimento no pronto socorro, segundo o texto, tem o objetivo de seguir "padrões mínimos de segurança e qualidade do atendimento à população e ensino dos alunos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Medicina".

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"Durante o período das 19h às 7h, as equipes reduzidas ficarão responsáveis pelos pacientes em observação na retaguarda do Pronto Socorro e pelos atendimentos dos casos emergenciais", cita comunicado da Superintendência do hospital.

Os médicos do HU estão em greve desde segunda-feira (30) e exigem contratações. Servidores técnico-administrativos do hospital também aderiram à paralisação puxada pelo Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP). Uma das pautas do movimento é a interrupção do "sucateamento do hospital".

Apesar da greve, atendimentos emergenciais e acompanhamento de casos graves estão sendo garantidos pela equipe médica. Além da redução dos procedimentos, o atendimento tem sido precarizado, com pacientes sendo atendidos em macas nos corredores da sala do pronto socorro.

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O HU é o único hospital de referência da região da zona oeste da capital paulista. Cerca de 600 mil pessoas dependem dele, segundo o Conselho Gestor de Saúde do Butantã.

A reitoria da USP apresentou em 2014 plano de desvinculação do hospital da universidade. Parte da comunidade acadêmica foi contra e o processo está parado desde então.