Cotidiano

Bando ilude mais de 100 pessoas com "sonho da casa própria" e "arrecada" R$ 5 milhões no PR

Da Redação ·
Documentos apreendidos com estelionatários: golpes totalizaram cerca de R$ 5 milhões - Foto: Divulgação/Polícia Civil
Documentos apreendidos com estelionatários: golpes totalizaram cerca de R$ 5 milhões - Foto: Divulgação/Polícia Civil

Policiais civis da Delegacia de Estelionato de Curitiba prenderam, nesta terça-feira (3), duas pessoas acusadas de aplicar o "golpe da casa própria e lesar mais de 100 pessoas no Paraná. Um terceiro envolvido no esquema criminoso está foragido. A operação foi coordenada pelo delegado Wallace de Oliveira Brito.De acordo com Wallace, o bando de estelionatários mantinha uma construtora no mercado e vinha agindo há cerca de dois anos. Eles anunciavam imóveis a preços acessíveis para chamar a atenção dos possíveis compradores, que no final, acabavam como vítimas.

“Os golpistas pegavam dinheiro das vítimas e do banco”, observou o delegado.Conforme a polícia, o esquema funcionava de maneira bem articulada. Os estelionatários construíam os empreendimentos com dinheiro do banco, através de empréstimos, depois vendiam os imóveis que, na realidade, eram de propriedade do banco. Os criminosos recebiam dos clientes, mas não pagavam o banco.Quando havia um interessado pelo imóvel, ela era "orientado" a pagar uma parte do valor de entrada e apresentava a documentação para fazer o financiamento bancário. Mas, quando a pessoa tentava legalizar o imóvel, não conseguia.

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Estelionatários operavam através de construtora que mantinha no mercado - Foto: Polícia Civil/Divulgação


R$ 5 MILHÕES
“Era tudo irregular, por isso não era possível fazer a documentação. Um mesmo imóvel era ‘vendido’ desta forma, mais de uma vez”, pontua Wallace. Conforme o delegado, o valor obtido pelos estelionatários com os golpes supera R$ 5 milhões. As investigações começaram há cerca de seis meses e prosseguem com o objetivo de localizar mais vítimas.

PRESOS
Edson de Freitas Godói, de 51 anos, foi um dos presos. Ele acabou detido no Bairro Santa Cândida, em Curitiba. Já Cleiton Kaiser Vilaruel, de 36 anos foi preso em Maringá, na região norte do Paraná. Valdecir de Oliveira Tecchio, de 51 anos, permanece foragido. Segundo a polícia do Paraná, ele está no exterior e será procurado pela Interpol.

VÍTIMAS
Os suspeitos chegaram a negociar um mesmo apartamento com mais de uma pessoa. Esse foi o caso do advogado Josiel Ribeiro. Ele comprou um apartamento (de 70 metros quadrados) em Almirante Tamandaré (RMC) no valor de R$ 170 mil. Foram pagos R$ 20 mil à construtora e mais R$ 10 mil ao corretor. O restante seria financiado, mas isso nunca ocorreu. 

“Fui informado que nenhum financiamento estava sendo autorizado porque a empresa possuía diversos tipos de dívidas, como IPTU, dívidas trabalhistas, certidões positivas de débito”, explicou Ribeiro. Ao procurar a empresa, ele descobriu ainda que todos os imóveis estavam bloqueados para pagar o financiamento da obra com uma companhia hipotecária. Várias outras vítimas apareceram e se uniram para tentar buscar uma solução.

Para facilitar o contato, foi montado um grupo no aplicativo WhatsApp e por ali descobriram que pelo menos outras sete unidades no mesmo empreendimento tinham sido vendidas para duas pessoas diferentes.Há a denúncia de que mesmo depois de a fraude ter sido descoberta, Claiton Kaiser Vilaruel oferecida uma certidão de quitação de débito por preços irrisórios. 

" FRAUDE EM CIMA DE FRAUDE"
“Fraude em cima de fraude. Depois de tudo ainda havia a tentativa de enriquecimento ilícito. Ele me pediu um carro para emitir a certidão, que na verdade nunca existiria”, acrescentou o técnico em equipamentos agrário Maycon Antônio da Silva. Ele também pagou R$ 30 mil à quadrilha referente ao valor da entrada e comissão do corretor. Os suspeito devem ser indiciados, por estelionato, associação criminosa e fraude na relação de consumo.