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Colégio Medianeira proíbe protestos de alunos dentro das instalações

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Colégio se posicionou contra a incitação ao ódio e proibiu manifestações dentro da instituição (Foto: Rogerio Theodorovy/Arquivo Gazeta do Povo)
Colégio se posicionou contra a incitação ao ódio e proibiu manifestações dentro da instituição (Foto: Rogerio Theodorovy/Arquivo Gazeta do Povo)

Uma das mais tradicionais escolas de Curitiba criou uma norma que proíbe protestos dentro de suas instalações. O Colégio Jesuíta Medianeira comunicou que está impedida qualquer tipo de manifestação dentro da instituição. A decisão foi tomada após uma professora de História criticar nas redes sociais a manifestação pró-impeachment feita por alguns estudantes em sua escola. A publicação enfureceu pais de alunos que iniciaram uma discussão na internet e exigiram um posicionamento da escola sobre a atitude da professora. A escola, por sua vez, se recusou a demitir a profissional, mas diante da pressão a própria professora resolveu demitir-se. 

A confusão teria começado na semana passada após estudantes assistirem as aulas na vestidos com roupas pretas, em protesto contra a corrupção. A atitude incomodou a professora que publicou em sua página no Facebook que os alunos estavam se posicionando a favor de um golpe. Confira a publicação:

"Hoje, vi crianças numa escola, vestindo preto e pedindo golpe. Desprezando a democracia e exalando ódio. Parece que não conseguimos escapar do que Marx profetizou quando disse que a História se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa…"

O post desencadeou uma discussão generalizada entre pais de alunos que não gostaram do posicionamento da professora e começaram a chamá-la de comunista e reclamar do colégio por não tomar atitudes contra a educadora. Pais postaram críticas em suas páginas pessoais.

"Comunista descarada!"

"Se eu pegar algum texto comunista no caderno do meu filho eu vou rasgar e devolver rasgado. E vou convidar o professor a me convencer. O comunismo só deu certo na cabeça deles………..Argentina caiu, Venezuela caiu, e por aí vai. Mas isso é culpa da coordenação de ensino em deixar que isso aconteça" 

"À diretoria do colégio deve tomar uma providência. Sou totalmente contra a ideologia de esquerda… Não aceito em hipótese alguma que professores fiquem doutrinando minha filha… Se minha filha aparecer em casa com alguma ideia esquerdista, vai dar confusão…"

Críticas e ofensas também foram publicadas na página pessoal da professora, que devido a perseguição, apagou suas páginas em todas as redes sociais de que participava.

Em contrapartida, outros pais e alunos se posicionaram a favor da professora. No início desta semana, estudantes vestiram branco e pediram, com cartazes e gritos, que a professora permaneça na escola. Pais também se manifestaram por meio de nota. 

No entanto, devido a confusão a professora pediu demissão. A assessoria de comunicação do colégio informou que a direção não aceitou o pedido e que espera fazê-la mudar de ideia. 

A escola divulgou nota oficial sobre o ocorrido, para manter a segurança na instituição. Confira o texto na íntegra:

Prezadas Famílias,

Como apresentado à comunidade no último dia 18 de março, o Colégio Medianeira manifesta sua abertura ao diálogo e à construção do conhecimento por meio do debate e do questionamento, fundamentos básicos na busca de uma educação de qualidade e integral.

Ressaltamos que em todo espaço democrático, é dever e direito de todos ouvir e ser em ouvidos.

Nesse sentido, o Colégio Medianeira repudia toda e qualquer incitação ao ódio, difamação e injúria, violência física ou verbal – que é crime previsto em lei – e reitera o papel da instituição como mediadora na interação entre alunos,  educadores e famílias no afã de edificar uma sociedade mais justa e igualitária.

Após as manifestações dos alunos nas últimas semanas, no ambiente do Colégio Medianeira, que permitiu democraticamente os lados se expressarem, foi decidido pela Direção a suspensão temporária de novos movimentos dentro do Colégio. A decisão tem como objetivo garantira segurança e a harmonia necessárias a todos os educandos, assegurando os encaminhamentos pedagógicos das atividades escolares na perspectiva do debate, da construção de pontes e de um sadio clima de aprendizagem.

O Colégio Medianeira repudia a coação e hostilidade que possam vitimizar os educadores desta instituição de ensino. Reafirmamos nosso compromisso com a liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento os quais fazem parte do modus operandi de uma instituição da Rede Jesuíta de Educação.

Por fim, o Colégio Medianeira espera que o atual momento, político e social, possa ser visto e compreendido  como  um  marco  histórico  na  democracia  brasileira. Agradecemos todas as manifestações realizadas por entender que elas nos ensinam a sermos mais tolerantes, críticos e ao mesmo tempo compromissados com a causa comum: o exercício da cidadania.

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Edhucca

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