Cotidiano

Falta de segurança muda hábitos na zona rural

Da Redação ·
João Bernardino Lourenço reclama da falta de segurança no campo | Foto: Ivan Maldonado
João Bernardino Lourenço reclama da falta de segurança no campo | Foto: Ivan Maldonado

Assim como na cidade, a falta de segurança gera muitas preocupações também nos campos do Vale do Ivaí, na região norte do Paraná. Roubos e furtos acontecem com frequência no meio rural e a vulnerabilidade tem tirado a liberdade dos agricultores, que estão mudando hábitos para evitar prejuízos.O número de ocorrências envolvendo propriedades rurais esbarra ainda no problema da falta de estatísticas atualizadas, já que muitas vítimas sequer procuram a polícia para registrar os casos.

"Os produtores se sentem inseguros e vulneráveis às ações dos bandidos. Pois são desde pequenos furtos até mesmo assalto com reféns. Além do prejuízo material, ainda fica o trauma”, relata Donizete Pires, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã.

A sitiante Aparecida Greco da Silva, que mora na região do Ouro Verde, diz que depois que teve a casa invadida por ladrões que levaram alguns eletrodomésticos, ela e o marido perderam a liberdade. “Já foi o tempo em que dormíamos com as janelas e portas abertas. Além disso, não deixamos a casa sozinha nunca mais, se um sai de casa para ir para cidade o outro fica”, comenta.

A preocupação com segurança também é sentida pelo agricultor João Bernardino Lourenço, da localidade de Ouro Verde. "Antigamente todos sitiantes tinham uma espingarda na casa o que intimidava os bandidos. Mas, depois da lei desarmou as pessoas de bem aumentou os roubos, pois os ladrões continuam armados”, assinala Lourenço.

O agropecuarista Orlando Sanchez, que tem propriedade rural no distrito de Alto Porã relata que a insegurança tem impacto também na produção.“Antigamente os produtores, para fugir da inflação, mantinha grandes quantidades de insumos e defensivos agrícolas. Mas, como são produtos caros e visados pelos assaltantes, então é prudente que a armazenagem não seja mais feita na propriedade”, comenta.

Para não correr riscos, os produtores deixam de estocar implementos e perdem oportunidade de economizar.O produtor de gado de corte Francisco Aurélio Mendonça que tem uma propriedade rural na localidade do Rio Azul, em Ariranha do Ivaí conta que anualmente tem muito prejuízo com a bandidagem.“Esses dias mesmos levaram umas três cabeças”. Mendonça diz que nunca registrou ocorrência na polícia. “Eles vêm levam uma cabeça de gado hoje, mais alguns dias vem levam outra. Não dá para ficar na delegacia o tempo todo”.


PM realiza operações e pede registro dos casos

Segundo o Comandante da 6ª Companhia Independente da Polícia Militar, major Laércio Sagati para tentar combater esses crimes, a PM tem realizado operações em diversas regiões através da Patrulha do Campo com visitas nas propriedades rurais. Conforme Sagati, a patrulha orienta os agricultores como melhorar a segurança e procura estreitar laços para facilitar a ação preventiva.

“Se temos um determinado local com furto de gado ou o proprietário percebeu alguma movimentação estranha e somos informados, executamos ação preventiva para evitar qualquer ato criminoso”.Sagati relata ainda que área rural da 6ª CIPM é extensa e seria impossível em 24 horas manter todos esses locais com viaturas próximas. “Em razão disso, é importante que as informações cheguem à polícia, quer seja através de uma suspeita ou quando são vítimas dos criminosos registrando a ocorrência”, completa Sagati.

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