Cotidiano

Sem alternativa, moradores permanecem em casas danificadas pela chuva 

Da Redação ·
Rachaduras colocam em risco estrutura da casa do araponguense Lucas Coltro (Foto: Sérgio Rodrigo)
Rachaduras colocam em risco estrutura da casa do araponguense Lucas Coltro (Foto: Sérgio Rodrigo)

A diarista Célia Jorgina Coltro, 45 anos, está há quase dois meses morando em uma casa condenada, em Arapongas. A moradora do Conjunto Tropical está entre as centenas de pessoas que tiveram suas residências danificadas pelas fortes chuvas em janeiro deste ano. Célia conta que na época a Defesa Civil avaliou que o imóvel apresentava grande risco e pediu que ela e o filho Lucas, de 20 anos, deixassem o local. A maior parte dos cômodos apresenta fissuras.

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“Não tenho condições de alugar outra casa e também não tenho outro lugar para ir e, muito menos, como pagar uma reforma. Então, tive que ficar na casa assim mesmo. Mas está cada vez mais perigoso, porque as rachaduras pioram a cada dia”, comenta.

Nesta semana, ela procurou o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) registrar o problema. A prefeitura fez o chamamento dos moradores afetados visando um novo levantamento das avarias causadas pela chuva no município. Os dados serão avaliados pela Caixa Econômica Federal (CEF) para acesso das famílias ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e posterior reforma dos imóveis.

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O prazo de cadastramento encerrou na quarta-feira (09/03) e a prefeitura ainda não contabilizou o número de inscrições, no entanto, adianta que a procura foi baixa. A aposentada Celina Lira da Silva, 65 anos, moradora do Conjunto Tropical, está com a casa cheia de rachaduras, no entanto, não fez a inscrição para conseguir dinheiro para reforma. Ela justifica que não tem condições de se deslocar até o Cras. “Eu fiquei sabendo, mas não pude ir, já sou idosa e ainda cuido do marido doente. Eu preciso muito consertar os estragos da minha casa, mas não pude ir me inscrever”, justifica.

Na casa da aposentada, fendas surgiram nas paredes de quase todos os cômodos. “No meu quarto dava para ver o lado de fora de tão grande que era a rachadura, mas eu mandei consertar”, comenta.

O caminhoneiro Flávio Almeida Freitas, 36 anos, que mora no mesmo bairro, também providenciou alguns reparos por conta própria. “Fiquei com medo de piorar, então, chamei um pedreiro e paguei R$ 2 mil na reforma”, conta.

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O Residencial Araucárias foi outro bairro bastante afetado pela chuva. A casa da zeladora Margarida Rodrigues, 63 anos, foi prejudicada, principalmente na área externa. “Apareceram rachaduras no teto dos quartos e da cozinha, e também no piso da garagem”, comenta. 

Procura por cadastro foi baixa, diz prefeitura

Balanço divulgado pela Defesa Civil aponta que mais de 100 casas foram afetadas pelos estragos causados pelas chuvas. A maior parte dos moradores relatou o surgimento de rachaduras na estrutura dos imóveis. A Secretaria de Assistência Social informou que ainda não contabilizou o número de inscritos, no entanto, adianta que pode haver divergências com os dados divulgados inicialmente.

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“Nem todos que acionaram a Defesa Civil na época fizeram o cadastro, a procura foi baixa”, conta a diretora de gestão da Secretaria de Assistência Social, Deise Lima.

De acordo com ela, a prefeitura providenciou o cadastro para atender a demanda com objetivo de desenvolver futuras políticas públicas. “Nunca havíamos lidado com este tipo de catástrofe”.

A diretora acrescenta ainda que a prefeitura não recebeu resposta do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), sobre a investigação de supostos tremores de terra sentidos por moradores, na madrugada em que as rachaduras surgiram.