Cotidiano

Vírus zika muda hábitos de gestantes

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Grávida de seis meses, Thais Podolan Franco Victor não abre mão de repelentes
Grávida de seis meses, Thais Podolan Franco Victor não abre mão de repelentes

Repelentes se tornaram artigo obrigatório para grávidas. A relação confirmada entre o zika vírus e os casos de microcefalia está tirando o sono de gestantes que redobram o cuidado conta o mosquito Aedes aegypti.

Grávida de 5 meses, a auxiliar administrativa Tayara Marconi Forlin, 25 anos, de Apucarana, na região norte do Paraná, usa durante todo o dia uma pulseira à base de citronela, que ela acredita evitar a picada do mosquito transmissor da doença. No começo da gravidez de Beatriz não ficava sem usar repelente, mas optou pela pulseira comprada pelo esposo Renan Forlin, 28.

Outra coisa que mudou na rotina de Tayara foi o modo de vestir. Independente das altas temperaturas, ele passou a optar por apenas roupas compridas e evita lugares que possam ter mais insetos. “No final do ano passado desistimos até de uma viagem para Canoa Quebrada, em Fortaleza, por causa do surto do vírus”, ressalta.

Outra mamãe que anda preocupada é a química industrial Thais Podolan Franco Victor, 28, de Apucarana. Grávida de seis meses de Felipe, Thais conta que não planejava engravidar. Logo após que soube da gravidez as notícias sobre o zika vírus começaram a surgir na mídia. “Fiquei com bastante medo no início, mas meu médico me tranquilizou após os ultrassons, quando verificamos que tudo estava tudo bem”, recorda. Porém, a gestante redobrou os cuidados para evitar ser picada pelo mosquito. “Aplico repelente a cada duas horas, procuro usar roupas compridas e utilizo repelente de tomada em casa. Também deixamos de viajar para não correr o risco”, relata. 

SUGESTÃO DE ADIAMENTO
- O ginecologista Guilherme Maistro, de Apucarana, afirma não existem evidências científicas que demonstrem um período seguro para engravidar em relação ao zika vírus. “Se possível, a mulher deve adiar a gestação até que novas pesquisas demonstrem outras atitudes contra o vírus”, explica. De um modo geral, Maistro explica que ainda não viu uma conscientização da real magnitude do problema e poucas são as pacientes que estão adiando o projeto da gestação.

“Notei que existe um grande temor em relação a doença e suas consequências ao feto, mas esta preocupação parte mais das pacientes grávidas do que das mulheres que planejam engravidar”, ressalta. Entretanto, de acordo com o médico, as mulheres que já estão gestantes devem seguir alguns cuidados essenciais.

COMBATE AO AEDES - “É preciso combater o mosquito transmissor, usar repelentes e vestir roupas compridas. Quanto menos superfície corporal exposta, melhor. Assim, a grávida diminui o uso exagerado de repelentes”, explica. Em relação ao período que o vírus pode trazer consequências mais graves ao feto, o ginecologista diz que é sem dúvida o primeiro trimestre. “É nesta fase que a produção de alguns hormônios cai, outros, específicos da gestação, passam a ser fabricados, a placenta começa a se formar e, rapidamente, o bebê desenvolve os principais órgãos”, acrescenta.