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Comissão nacional de ética aprovou 76 pesquisas sobre covid-19

A Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep) do Conselho Nacional de Saúde aprovou até a manhã dessa terça-feira (14) 21 protocolos de pesquisas que envolvem ensaios clínicos com pacientes de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Da Redação

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Comissão nacional de ética aprovou 76 pesquisas sobre covid-19
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Escrito por Da Redação
Publicado em 15.04.2020, 15:14:00 Editado em 15.04.2020, 15:15:48
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A Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep) do Conselho Nacional de Saúde aprovou até a manhã dessa terça-feira (14) 21 protocolos de pesquisas que envolvem ensaios clínicos com pacientes de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). Os estudos fazem parte de um total de 76 pesquisas sobre a pandemia que foram aprovadas desde 23 de março, incluindo investigações epidemiológicas, trabalhos relacionados à saúde mental durante o confinamento e também pesquisas de ciências humanas.

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Os 21 estudos com ensaios clínicos aprovados estão em cinco estados brasileiros, sendo 14 deles em São Paulo. Há também trabalhos em andamento no Ceará, Amazonas, Paraná e Rio de Janeiro. As pesquisas foram propostas por 17 instituições, e os tratamentos envolvem cerca de 8,7 mil participantes. Segundo a Conep, a maior parte dos proponentes é formada por universidades e hospitais brasileiros.

Se considerado o número total de 76 trabalhos, o que inclui os protocolos de estudos observacionais, há 53 em curso na Região Sudeste, nove no Sul, seis no Nordeste, quatro no Norte e mais quatro no Centro-Oeste.

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Em três ensaios clínicos já aprovados pela Conep, pesquisadores avaliam o uso da cloroquina/hidroxicloroquina nos pacientes, e em sete essa substância é ministrada de forma associada à azitromicina. Entre essas pesquisas está a desenvolvida pela Fundação de Medicina Tropical e pela Universidade Estadual do Amazonas, que investigam o uso do medicamento em 81 pacientes graves. Nesses estudos, além de comprovar a eficácia, é preciso investigar a dose mais adequada, já que a substância pode causar efeitos colaterais como arritmia cardíaca devido à sua toxicidade.

Há ainda três estudos com uso de plasma sanguíneo de pessoas curadas de coronavírus, como o desenvolvido por pesquisadores dos hospitais Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Em nota divulgada no início do mês, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) destacou que pesquisadores dedicados a análises semelhantes já têm obtido "resultados promissores", que ainda não podem ser encarados como "comprovação definitiva sobre a eficácia potencial do tratamento".

O coordenador da Conep, Jorge Venâncio, explica que qualquer pesquisa que envolva a observação ou experimentação em seres humanos deve ser aprovada pela comissão, que adotou um procedimento de urgência para avaliar em até 72 horas os estudos que investigam a pandemia de coronavírus. No trâmite normal, a avaliação teria um prazo de até 30 dias.

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"Temos recebido uma quantidade grande. Chegaram à Conep mais de 400 pesquisas [relacionadas ao coronavírus]. Estamos recebendo o fluxo normal e mais essas 400", conta Venâncio. "A tendência é continuar tendo um fluxo grande".

Para dar conta desse trabalho, a Conep tem trabalhado em câmaras virtuais que funcionam sete dias por semana, e a prioridade tem sido pesquisas envolvendo ensaios clínicos, saúde mental ou com participação do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais de saúde. Para separar esse grupo das demais pesquisas, a comissão vai distribuir os outros estudos relacionados ao coronavírus para os mais de 800 comitês locais, que terão sete dias para dar um parecer.

Diversidade de pesquisas

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Venâncio conta que já há cerca de 20 protocolos aprovados para serem incluídos no próximo boletim da Conep, que será divulgado na sexta-feira (18).

Entre os 12 novos estudos divulgados no boletim de ontem, há pesquisas com diversos temas, como a análise da gravidade da covid-19 em soropositivos, a avaliação dos efeitos da quarentena na saúde física e mental, o contágio entre profissionais de saúde e pacientes e o uso de plasma convalescente para pacientes com infecção grave.

A maior parte das pesquisas relacionadas à covid-19 precisa também de aprovação da Anvisa para ser realizada, já que o uso de fármacos é regulado pela agência. A tarefa da Conep é avaliar se os direitos dos participantes das pesquisas estão sendo respeitados com informações claras e sem superestimação de benefícios ou subestimação de riscos.

"Geralmente, as pendências e cobranças que a gente faz são dessa ordem. Não pode prometer o que não vai entregar. Tem que colocar a realidade", afirma o coordenador, que conta que a comissão chegou a recusar poucos protocolos, por propostas sem fundamentação ou pesquisadores sem experiência em pesquisa clínica. "Quando a pessoa é chamada para uma pesquisa, muitas vezes está muito fragilizada. E a última coisa com que ela vai se preocupar é se os direitos dela estão sendo respeitados. É uma situação limite. Por isso, no Brasil e no mundo inteiro, temos esse sistema de proteção. das secretarias estaduais de saúde"

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