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    Senadores reagem a pedido de Bolsonaro por fim do isolamento

  • Senadores no Plenário em junho do ano passado   (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
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    Escrito por Agência Senado
    Publicado em 25/03/2020 Editado em 25/03/2020

    Parlamentares reagiram ao pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, em rede nacional de televisão, na terça-feira (24), em que ele pediu o fim do “confinamento em massa” e a “volta à normalidade”. De ontem até a manhã desta quarta-feira (25), vários senadores usaram suas redes sociais para criticar a fala de Bolsonaro, que, como muitos ressaltam, contraria cientistas, especialistas do setor de saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

    A maioria dos senadores elogiou a nota divulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e pelo primeiro-vice-presidente da Casa, Antonio Anastasia, na qual classificaram a fala de Bolsonaro como “grave”. Davi e Anastasia disseram que o país precisa de uma “liderança séria” e apontaram que o chefe do Executivo está na contramão das ações adotadas em outros países ao defender a reabertura de escolas e comércio neste momento.

    — Assino embaixo da manifestação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em respeito às declarações do presidente Jair Bolsonaro. Parabenizo pela firmeza e necessária serenidade, é disso que o Brasil precisa — apontou o líder o MDB, Eduardo Braga (AM).

    Líder do Cidadania, Eliziane Gama (MA) também endossou a nota de Davi e Anastasia e afirmou que as palavras do presidente da República foram irresponsáveis.

    — Muito boa a nota do presidente Alcolumbre e do vice, Anastasia. Bolsonaro, em seu discurso, agride a naçāo, transforma a vida em algo banal, divide o Brasil em um momento tāo difícil. Abre māo da prerrogativa de líder de um país para vender ideologia enferrujada e desumana — criticou.

    Em defesa do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) afirmou que proteger “os mais vulneráveis e sugerir a normalidade a todos os outros é o melhor a ser feito”. O senador estima que o isolamento possa levar o país à marca de 40 milhões de desempregados.

    — O remédio não pode ser mais letal do que a doença. Governar é se antecipar aos problemas e escolher as prioridades. Quando sairmos da crise antes de todo o mundo, quero ver os que hoje criticam dizerem: “Saímos apesar de Bolsonaro”. Parabéns pela coragem, seriedade e liderança, presidente — disse.

    Vice-líder do governo, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) disse que Bolsonaro tem atuado contra o coronavírus e pediu moderação.

    — O presidente tem seu estilo, que não agrada a muitos, mas de qualquer forma está tomando decisões. Já são mais de R$ 86 bilhões anunciados para atender especificamente essa questão. Aí ficam instigando a sociedade contra o presidente, que é a autoridade maior do país e tem que ser respeitado. 

    Para Roberto Rocha (PSDB-MA), líder de sua legenda no Senado, Jair Bolsonaro tem razão, mas o discurso precisa ser revisto.

    — Bolsonaro pode até acertar no conteúdo, mas erra na forma. Como líder da nação, entendo que ele deve passar gestos de otimismo e coragem, como um comandante num campo de batalha. Mas não pode subestimar a força da palavra presidencial, senão vai sempre gerar mais calor que luz — avaliou.

    Médico sanitarista, o senador Rogério Carvalho (PT-SE), que é líder de seu partido, alertou:

    — Não ouçam Bolsonaro, não é só uma gripezinha. Bolsonaro responderá por crime contra a humanidade — disse.

    Ex-ministro da Saúde, o senador José Serra (PSDB-SP) também usou as redes para criticar o posicionamento do governo. Segundo Serra, a pandemia não deve ser minimizada.

    — Já são mais de 2,2 mil casos confirmados de coronavírus no Brasil e 46 mortes, sendo 40 no estado de São Paulo. Estamos em meio a uma pandemia que não deve ser minimizada É preciso reconhecer que a economia não vai se recuperar de forma imediata e que é preciso fortalecer o SUS, mediante a operacionalização de um fundo que disponha dos recursos e da agilidade necessários ao combate às consequências do coronavírus— defendeu.

    O líder da Rede, Randolfe Rodrigues (AP), afirma que a economia não pode ser prioridade quando vidas estão em jogo:

    — A economia é passível de recuperação, vidas não. Foram irresponsáveis as palavras do presidente, na verdade foram criminosas. Chamar a população às ruas é contrariar as orientações da OMS, de especialistas, médicos, governantes do mundo inteiro.

    Otto Alencar (PSD-BA), líder de seu partido na Casa, disse ter assistido ao pronunciamento com perplexidade e lamentou que o presidente exponha pessoas que confiam nele:

    — Não chama a atenção o pronunciamento porque desde que ele assumiu essas frases radicais se repetem. São pronunciamentos contra governadores, contra a imprensa, contras pessoas que discordam do que ele faz e do que defende. Mas ele passou de todos os limites ao expor as pessoas que confiam nele ao dizer que o coronavírus não vai ceifar vidas — apontou.

    Leila Barros (PSB-DF) e outros senadores também lamentaram a fala do presidente.

    — O lamentável discurso do presidente da República vai na contramão das orientações da Organização Mundial da Saúde, de líderes mundiais, especialistas e até do Ministério da Saúde, que tem feito um bom trabalho. O papel de um líder é orientar, e não gerar dúvidas. A incerteza coloca a vida dos brasileiros em risco — disse Leila.

    Outras manifestações de senadores

    Angelo Coronel (PSD-BA)

    “Para combater a proliferação do coronavírus, os chefes de Estado do mundo inteiro caminham na tentativa de blindar e salvar o seu povo enquanto Bolsonaro vai na direção contrária. Ele está brincando com a saúde do povo brasileiro.”

    Rodrigo Pacheco (DEM-MG)

    “A fala do presidente não esclarece. Ao contrário, gera dúvida sobre o comportamento a ser seguido pela população, cuja boa parte é formada não por atletas, mas por idosos, diabéticos, hipertensos, estressados e deprimidos. O governo precisa ter unidade no discurso, seja qual for.”

    Jean Paul Prates (PT-RN)

    “Ao invés de unir os brasileiros, o presidente da República, mais uma vez, volta a criticar a mídia, menospreza a pandemia e provoca o caos no país. É um total desgoverno.”

    Weverton
    (PDT-MA)

    “O pronunciamento do presidente Bolsonaro vai na contramão da estratégia de combate ao coronavírus em todo o mundo. Irresponsável e inaceitável que ele insista em colocar vidas em risco, em nome dos resultados econômicos. Ainda bem que o STF devolveu autonomia aos governadores.”

    Kátia Abreu (PDT-TO)

    “Prefeito de Nova York disse que salvar a economia não será mais importante do que salvar vidas. Na Índia mais de 1 bilhão de pessoas terão que ficar em casa por 21 dias. Na China 1,5 bilhão ficou em casa por 2 meses. E nós vamos fazer diferente? Nesta hora a ciência que deve nos orientar. Ninguém mais pode ousar.”

    Daniella Ribeiro (PR-PB)

    “Parabenizo e endosso as palavras do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acerca do pronunciamento do presidente da República. É preciso agir com responsabilidade e serenidade para ultrapassarmos este momento e suas consequências. Estamos falando, primeiramente, de pessoas e de vidas.”

    Humberto Costa (PT-PE): “Bolsonaro chamou o covid-19 de 'gripezinha, resfriadozinho, histeria', num gesto de desrespeito às vítimas fatais, suas famílias e todo o país. Atacou a imprensa uma vez mais. Em vez de tentar se restaurar no cargo de presidente, usou sua fala para ridicularizar o grave momento.”

    Alessandro Vieira (Cidadania-SE)

    “Estamos enfrentando a maior crise dos últimos 100 anos. O mundo inteiro reconhece isso e adota providências. Só uma pequena bolha prefere permanecer alheia à realidade. Infelizmente, é lá que vive o presidente.”

    Mara Gabrilli (PSDB-SP)

    “Jair Bolsonaro fez um discurso criminoso, irresponsável, obtuso, que beira a promoção de um genocídio. Escravo da soberba. Sua fala desqualifica o exemplar trabalho de seu ministro da Saúde.”

    Mecias de Jesus (Republicanos-RR)

    “Me somo às palavras do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, em repúdio ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro. O momento que estamos atravessando é grave e requer extrema responsabilidade de todos. Seguimos apoiando as medidas recomendadas pelos órgãos de saúde. E o país pode contar com o Parlamento para ajudar no que for necessário para superar essa crise de pandemia do coronavírus.”

    Fabiano Contarato (Rede-ES)

    “Bolsonaro, com suas palavras irresponsáveis, demonstra total desprezo por quem pode morrer. Mostra-se pequeno, mesquinho e ganancioso. Só se preocupa com a economia e com os ricos. Não importa quantos inocentes morram”.

    Rose de Freitas (Podemos-ES, senadora licenciada)

    “O presidente da República perdeu totalmente o senso de responsabilidade pública, a despeito do alerta que vem sendo veiculado pelas maiores autoridades médicas do país. Ele insiste em desestabilizar a verdade e promover dúvidas que desorientam o caminho de muitos que precisam de posições e esclarecimentos, que possam ajudar a salvar diversas vidas diante desta gravíssima pandemia.”

     

    Fonte: Agência Senado

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