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Arapongas cria cooperativa para tirar catadores do aterro

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A Prefeitura de Arapongas anunciou uma série de medidas para retirar os catadores de materiais recicláveis que estão atuando irregularmente dentro do aterro sanitário municipal. A Tribuna esteve no local na tarde de ontem e constatou entre 15 e 20 pessoas trabalhando. Entre as medidas adotadas está a formalização de um convênio entre os catadores e o poder público. Barracões também serão cedidos para o desenvolvimento de outros trabalhos além da separação do lixo e a segurança na área dever ser reforçada para impedir a invasão no local.

De acordo com o prefeito Sérgio Onofre (PSC), o trabalho social junto aos catadores que atuam dentro do aterro acontece há cerca de um ano para tentar reverter um problema que foi herdado em sua gestão. “Com a crise econômica, o desemprego aumentou e, por isso, mais pessoas acabaram invadindo o aterro em busca de ganhar algum dinheiro com materiais recicláveis. Infelizmente, esta é uma situação que não pode acontecer. As pessoas não podem trabalhar dentro do aterro. Por isso, vamos cercar melhor o local e, junto a isso, trabalhar com estas pessoas para que elas saiam desta situação”, afirma.

No ano passado, a prefeitura auxiliou os catadores a criarem uma cooperativa. Agora, a Cooperativa Zona Sul deverá ser credenciada pela prefeitura para atuar, juntamente com a Cooperativa de Catadores Cidade dos Pássaros (antiga Coopreara), na usina de reciclagem do município. 

“Vamos ainda alugar dois barracões e ofertar um para cada cooperativa. A ideia é que eles utilizem os espaços principalmente para desenvolver trabalhos com retalhos e restos de tecidos, que não podem ir para o aterro. Vamos dar todas as condições necessárias para que eles possam desenvolver esse trabalho”, destaca Onofre.

Segundo o prefeito, a assinatura do termo de convênio entre a Cooperativa Zona Sul e o município deve acontecer na próxima semana. Com isto, a entidade passa a ter também a possibilidade de receber recursos da Prefeitura pelo serviço realizado. “Nossa intenção é eliminar esse trabalho dentro do aterro, que é, sobretudo, perigoso. Nossa intenção é dar melhores condições para essas pessoas”, diz.

TRABALHO
Morador do Jardim São Bento, zona sul de Arapongas, Júlio Sérgio Mardinelli se despede da esposa, grávida de oito meses, todos os dias por volta das sete horas. Ele segue de bicicleta até o aterro, onde almoça a marmita levada de casa.Ele se junta a outras pessoas, boa parte com histórias parecidas com a dele. 

“É o que sobrou para nós. Não tem emprego, então temos que vir até o aterro para tentar a sorte”, diz. Com 21 anos, estudou até o sexto ano e abandonou os estudos para trabalhar. “Venho ao aterro já há três anos, quando fiquei desempregado”, conta.

Geralmente é Mateus Guilherme de Campos, de 18 anos, que se junta a Júlio Sérgio para trabalharem juntos. “Minha filha vai nascer em dois meses. O dinheiro para criar ela eu vou tirar daqui”, conta Mateus. Com a venda dos recicláveis, cada um consegue cerca de R$ 800 por mês, menos que um salário mínimo, atualmente de de R$ 954.“Nossa esperança é que, com a criação da cooperativa, as coisas melhorem”, afirma o jovem.

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