Arapongas

Concessionária de Pedágio e Movimento Tarifa Zero travam 'batalha" por estrada

Da Redação ·
Obstáculo arrancado a marretadas: inconformismo recorrente - Foto: Delair Garcia
Obstáculo arrancado a marretadas: inconformismo recorrente - Foto: Delair Garcia

Usada como desvio da praça de pedágio da BR-369, a Estrada do Ceboleiro, ao lado da linha férrea, está no centro de uma disputa desde o início do ano entre a concessionária Viapar e moradores de Arapongas e Rolândia (norte do Paraná). Após a concessionária fechar no início da manhã de ontem (29) novamente o acesso à estrada no lado araponguense, motoristas reagiram arrancando a marretadas manilhas usadas para bloquear a passagem e usando enxadas para tapar valetas que impediam o tráfego e cordas amarradas a veículos para retirar tubos de concreto. 

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Concessionária de Pedágio e Movimento Tarifa Zero travam 'batalha" por estrada fonte: Reprodução

Manifestação de protesto do tarifa Zero - Foto: Delair Garcia

Os opositores à cobrança de pedágio quebraram os tubos de concreto e, com enxadas, taparam os buracos abertos pela empresa para impedir a passagem de veículos. O impasse motivou protestos no pedágio e ações na Justiça Federal.

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Confirmação de reunião
Lideranças do movimento Tarifa Zero aguardam a confirmação de uma reunião para a semana que vem com a Viapar. Será o primeiro encontro para discutir uma possível negociação na gratuidade da tarifa para motoristas de Rolândia e Arapongas. 

Manifestação na Câmara
O Tarifa Zero tenta sensibilizar vereadores de Arapongas e Rolândia enquanto a discussão com a Viapar não se inicia. A última manifestação de protesto foi realizada durante sessões das Câmaras Municipais.

Concessionária de Pedágio e Movimento Tarifa Zero travam 'batalha" por estrada fonte: Reprodução

Foram usada usaram cordas amarradas a veículos
para retirar tubos de concreto - Foto: Delair Garcia

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Os manifestantes reivindicam a isenção ou desconto da tarifa de pedágio e a abertura da estrada - que eles alegam ser de servidão público -, fechada no final do ano passado com base em uma liminar obtida pela Viapar no Supremo Tribunal Federal (STF) e em acordo firmado com a Prefeitura em 2016, autorizando a concessionária a construir um muro ao longo do trecho como forma de bloquear a passagem dos motoristas. 

Ontem de manhã, por volta das 5 horas, a Viapar fechou o acesso paralelo que tinha sido aberto na última sexta-feira por integrantes do movimento. A abertura de uma nova passagem alternativa margeando a linha férrea foi um resposta dos manifestantes ao fechamento do acesso à entrada no entroncamento com a Rua Rabilonga-Vermelha, no início do mês. 

Com a abertura da via paralela, o tráfego de veículos, inclusive de caminhões, foi retomado, de forma intensa. Mesmo no período que o acesso à estrada estava fechado, o tráfego de veículos nunca chegou a ser totalmente interrompido, uma vez que motociclistas e veículos utilitários passaram a usar como alternativa a área de domínio da linha férrea.

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Concessionária de Pedágio e Movimento Tarifa Zero travam 'batalha" por estrada fonte: Reprodução

Várias formas de manifestação e um objetivo: fim do pedágio
Foto: Delair Garcia

Revolta
O novo bloqueio surpreendeu quem usa o trajeto diariamente para trabalhar ou estudar. Revoltadas, algumas pessoas usaram pás e enxadas na tentativa de fechar as valetas. Munidos de marretas, os manifestantes foram flagrados na manhã de ontem  quebrando as manilhas que impediam a passagem na área de domínio da linha férrea. Uma caminhonete foi usada para arrancar a manilha. 

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À tarde, o Movimento Tarifa Zero levou uma retroescavadeira para o local para fechar as valetas e destruir ainda outras manilhas, que impediam o acesso dos motoristas.

Fábio Maufrea dos Santos, dono de um restaurante que fica logo após o pedágio, em Rolândia, foi um dos motoristas que se deparou com a cena e ficou surpreso com o fechamento da estrada, que usa como alternativa para desviar do pedágio. 

Concessionária de Pedágio e Movimento Tarifa Zero travam 'batalha" por estrada fonte: Reprodução

Viela paralela à linha férrea é usada por motociclistas
Foto: Delair Garcia

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“A concessionária não pode fazer isso com um terreno público. É um desrespeito com o pessoal que passa por aqui todos os dias. Eu fico triste porque não sou só eu que precisa passar aqui. Muita gente precisa dessa estrada alternativa, porque não consegue pagar diariamente o pedágio”, diz.

Ontem à tarde, integrantes do movimento também estiveram na sede da empresa Rumo ALL, em Curitiba, companhia que tem a concessão ferroviária, para uma reunião. A empresa, segundo membros do movimento, vai fazer uma vistoria in loco para checar a situação. A concessionária Viapar afirmou ontem que, por enquanto,  não vai se manifestar a respeito do assunto.

Concessionária de Pedágio e Movimento Tarifa Zero travam 'batalha" por estrada fonte: Reprodução

Motoristas reagiram arrancando a marretadas manilhas usadas para bloquear a passagem Foto: Delair Garcia

Moradores pedem tarifa reduzida
Uma tarifa menor, mais acessível. É o que pedem integrantes ou não do Movimento Tarifa Zero de Arapongas e Rolândia. Um exemplo é o vendedor Thiago Henrique da Silva, de Rolândia, que gasta R$ 32,80 por dia. “Vou todos os dias duas vezes para Arapongas a trabalho. Por isso, a estrada é uma alternativa para economizar. Podiam pelo menos cobrar a metade do valor de quem faz o trajeto diariamente e mora em uma das duas cidades”, sugere. 

A também vendedora Alice Oliveira Lira faz quase diariamente a linha Arapongas/Rolândia e, para economizar, também usa a rota alternativa. “Por mês, com a caminhonete pequena, gasto em média. R$ 300. Acredito que podiam fazer um cadastrar dos moradores. Isso iria ajudar bastante a reduzir os custos. Em meia hora, eu faço o que preciso em Rolândia e precisou pagar duas vezes o pedágio”, reclama. 

Situação mais complicada
Já a situação do proprietário de uma oficina mecânica José Roberto Alves é mais complicada. Por dia, ele chega a passar 12 vezes pela praça de pedágio para atender clientes em Rolândia, que fica a menos de 1 km da praça de pedágio. “Se pagássemos a metade do preço já ficaria melhor para gente”, diz