Arapongas

Chuvas danificaram mais de 1 mil imóveis em dois municípios do Paraná

Da Redação ·
Na casa de Margarida Rodrigues há rachaduras em vários pontos
Na casa de Margarida Rodrigues há rachaduras em vários pontos

Mais de 1 mil imóveis sofreram algum tipo de prejuízo com as chuvas do início de janeiro, em Londrina e Arapongas, no Norte do Paraná. Balanço divulgado nesta segunda-feira (21/03) pela prefeitura de Arapongas, aponta que no município, 660 imóveis foram afetados. O levantamento foi providenciado pela Secretaria de Assistência Social, que promoveu cadastro das áreas afetadas, e está auxiliando famílias a terem acesso aos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cuja liberação começa a ser feita nesta terça-feira. Em janeiro, a Defesa Civil de Londrina, comunicou que recebeu cerca de 400 pedidos de vistoria em casas afetadas, em apenas uma semana. O relatório com total de imóveis com prejudicados não foi liberado. 

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Em Arapongas, o atendimento para liberação dos recursos do FGTS será feito no espaço no térreo da prefeitura, Rua Garças 750, das 10 horas às 16 horas. A expectativa é receber uma média de 150 pessoas por dia.

A liberação do FGTS em caso de situação de emergência, decretada pela prefeitura e acatada pelo Ministério da Integração Nacional, é um dos direitos legais do trabalhador.

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Vários bairros foram atingidos pelas chuvas. No Residencial Araucárias, a casa da zeladora Margarida Rodrigues, 63 anos, foi prejudicada, principalmente na área externa. “Apareceram rachaduras no teto dos quartos e da cozinha, e também no piso da garagem”, comenta.

Em Londrina, moradores relataram a ocorrência de tremores de terra. Além de casas, espaços públicos também foram afetados. Antigo fórum é evacuado em Londrina após tremor. Em 21 de janeiro, o antigo fórum do município, situado no Centro Cívico, em frente à prefeitura, precisou ser evacuado. O estrondo foi percebido por diversos funcionários e visitantes do prédio, que na sequência saíram do local assustados. O abalo teve magnitude de 1,8 grau na escala Richter, segundo especialistas do Centro de Sismologia da USP.

CASAS CONDENADAS - A diarista Célia Jorgina Coltro, 45 anos, está há mais de um mês vivendo em uma casa condenada, em Arapongas. Moradora do Conjunto Tropical está entre as centenas de pessoas que tiveram suas residências danificadas pela chuva, em janeiro deste ano. Célia conta que na época a Defesa Civil avaliou que o imóvel apresentava situação de risco e pediu que ela e o filho de 20 anos deixassem o local. Em um dos cômodos as paredes chegaram a se separar.

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"Não tenho condições de alugar outra casa e também não tenho outro lugar para ir, então tive que ficar na casa. Mas está cada vez mais perigoso morar lá, porque as rachaduras pioram mais a cada dia", comenta.

Ela procurou o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para registrar o problema e ter acesso ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). 

O cadastramento encerrou na quarta-feira (09/06) e muitas pessoas perderam o prazo de inscrição. A aposentada Celina Lira da Silva, 65 anos, moradora do Conjunto Tropical, está com a casa cheia de rachaduras, no entanto, ela não fez a inscrição. Ela justifica que não tem condições de se deslocar até o Cras. "Eu fiquei sabendo mas não pude ir, já sou idosa e ainda cuido do marido doente. Eu preciso muito consertar os estragos da minha casa, mas não pude ir me inscrever", justifica.

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A casa da aposentada apresenta várias paredes com fendas que surgiram em janeiro, após o temporal que causou estragos em toda região. "No meu quarto dava para ver o lado de fora de tão grande que era a rachadura, mas eu mandei consertar", comenta.

Assim como Celina, o caminhoneiro Flávio Almeida Freitas, 36 anos, também providenciou os reparos por conta própria. "Fiquei com medo de piorar, então chamei um pedreiro e paguei R$ 2 mil na reforma", comenta.

Na casa da zeladora Margarida Rodrigues, 60 anos, também há rachaduras em vários pontos. No entanto, ela também não procurou a prefeitura. 

A prefeitura de Arapongas informou que não recebeu resposta do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), sobre a investigação de supostos tremores de terra sentidos por moradores, na madrugada em que as rachaduras surgiram, assim como os registrados em Londrina.