Arapongas

Arapongas, 66 anos: desafios para o desenvolvimento do município

Da Redação ·
Arapongas, 66 anos: desafios para o desenvolvimento do município imagem ilustrativa -  diariodearapongas.blogspot.com
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Arapongas, 66 anos: desafios para o desenvolvimento do município imagem ilustrativa - diariodearapongas.blogspot.com

Nem só de comemorações se faz um aniversário. No dia em que Arapongas completa 66 anos de emancipação política (hoje, 10 de outubro), pelo menos cinco desafios se impõem no caminho entre seu estágio atual e o almejado desenvolvimento baseado no bem estar social e econômico.


Alguns deles, são obstáculos que vêm se avolumando no decorrer dos anos, gerados pelo crescimento desordenado do centro da cidade com mais de 112 mil habitantes como as questões envolvendo o trânsito, a segurança e a expansão comercial.

Outros, mais recentes, dizem respeito a demandas sociais, como falta de vagas em “creches” e doenças mentais decorrentes do uso de álcool e drogas.

A reportagem da Tribuna levou os questionamentos às maiores lideranças ligadas a cada um dos setores abordados e levantou quais medidas estão sendo tomadas para sanar esses entraves ao progresso. 

Segurança - Em se tratando de Segurança Pública, em Arapongas não basta um único tópico para encerrar a questão. Acabar com a lotação e transferir a cadeia pública para uma região mais afastada do centro é aponta como uma questão de urgência.

Hoje, 136 homens e 24 mulheres se aglomeram nas celas projetadas para abrigar apenas 34 detentos. É a mesma quantidade registrada pouco antes de estourar a rebelião em março. O município já doou até terreno para construção de um Centro de Detenção Provisória (CDP) na zona sul, mas o Governo do Estado ainda não confirmou a obra, que depende de recursos federais.

Conforme o presidente do Conselho de Segurança (Conseg), Devanir Estrada, o ideal seria destinar os detentos a uma nova unidade afastada do centro, liberando a sede atual. “Onde hoje é a delegacia, poderia funcionar um centro administrativo para fazer Boletins de Ocorrências e abrigar mulheres e menores apreendidos”, propõe. O segundo desafio, sugere, é regularizar o tráfego de motos, “envolvidas em seis das sete mortes no trânsito na cidade em 2013”. 

Trânsito - O crescimento rápido e desordenado de diferentes regiões da cidade não incluiu a construção de vias de ligação “interbairros”. Resultado, o tráfego de veículos passou a se concentrar na área central, que recebe enorme fluxo por conta das rodovias gerando filas e aumentando a probabilidade de acidentes.

O município registrou, no ano passado, 78 homicídios culposos de trânsito, um número alarmante. Com frota estimada em cerca de 70 mil veículos, a redução da lentidão do fluxo de carros e motos é a questão mais urgente a ser tratada no trânsito do município, na visão dos responsáveis pelo setor. A estratégia adotada pela prefeitura vem sendo a abolição de vagas de estacionamento.

A medida já foi implantada em trechos de vias importantes como as ruas Marabu, Papagaio e Lori, e chegará também a outras como a Tucanos, a Pombas e a Perdizes. “Essa é a uma tendência, já adotada em grandes cidades. Aqui, em Arapongas, já estamos sentindo uma melhora no tráfego”, pontua o tenente da reserva Antônio Aparecido de Oliveira, diretor municipal de Trânsito.

Indústria noferta 80% dos empregos

Faz oito meses que Isaías Aparecido Teodoro, 58, viaja com seis colegas, todos os dias, de Londrina para trabalhar no Parque Industrial de Arapongas. O trajeto é feito de Kombi, “mas quando ela quebra, a gente se divide em dois carros”, conta. Segundo Teodoro, as opções de emprego no setor moveleiro da cidade atraem trabalhadores de toda região. Como o apucaranense Sandro Jorgeto, 38, que faz a viagem de ônibus e leva 50 minutos para chegar à indústria de móveis onde trabalha.

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“Vale a pena vir para cá, tem muita oferta de emprego, é só procurar no Sine”, indica. Marlene Romão, gerente da Agência do Trabalhador, confirma: “Em torno de 80% das 326 vagas abertas hoje são na indústria e isso se mantém durante o ano; temos procura de moradores de Sabáudia, Astorga, Apucarana, Rolândia”, destaca. Os salários variam de R$ 900 a R$ 1.300 e a rotatividade, segundo Marlene, é alta.

“Como tem muita vaga, os trabalhadores trocam com facilidade para conseguir salários melhores”. A indústria é responsável por cerca de 15 mil empregos em Arapongas, 11 mil deles apenas nas de móveis. Nelson Poliseli, presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis (Sima), diz que a maior dificuldade é contratar mão de obra qualificada e que algumas empresas fornecem incentivos para trabalhadores virem de fora, como transporte diário. “Mesmo com a economia meio ruim, nossa meta é manter o crescimento, ainda que pequeno”, afirma.

NOVO PARQUE

O Parque Industrial de Arapongas concentra 163 empresas e tem mais de 50 anos de história. Agora, a nova meta da prefeitura consiste na consolidação de um segundo parque, localizado próximo, a 200 metros da Expoara. A área de 26,8 alqueires está sendo adquirida pelo município por R$ 10,8 milhões e já existe interesse de, ao menos, duas empresas em se instalar no local.

“Estamos em conversação com uma indústria da Espanha e outra de Santa Catarina”, informa o secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Irineu Berestinas. O objetivo principal é a atração de um empresa fabricante de MDF, insumo para as indústrias locais. Para isso, segundo Berestinas, está sendo feito um apelo regional para que os municípios vizinhos incentivem o plantio de eucalipto em áreas vazias.

Responsável por 65% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, o setor industrial é a “menina dos olhos” da atual administração, que confia em sua expansão para avançar a economia local. “Estamos tentando atrair novos investimentos e também incentivar a economia dos municípios ao redor. Todo mundo cresce, inclusive o comércio”, pontua o secretário.


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