Arapongas

Presos reagem à “bate-grade” em cadeia pública de Arapongas

Da Redação ·
 Familiares de presos tentam romper barreira imposta por policiais: momentos de tensão
fonte: Delair garcia
Familiares de presos tentam romper barreira imposta por policiais: momentos de tensão

Uma operação “bate-grade”, realizada no início da manhã de ontem (18) foi o estopim para que presos da Cadeia Pública de Arapongas se rebelassem. A unidade prisional abriga quatro vezes mais do que sua capacidade. Insatisfeitos com a superlotação, os detentos tentaram reagir à abordagem policial e tiveram que ser contidos à força. Em estado de desespero, familiares dos internos protagonizaram momentos de tensão do lado de fora. O caso foi tratado pelas forças de segurança como “motim”.

Segundo a polícia, os presos já vinham se “amotinando” desde sexta-feira e, por isso, decidiu-se reunir as polícias Militar (PM), Civil e a Guarda Municipal (GM) para checar a existência de materiais ilícitos nas celas, na operação conhecida como “bate-grade”. Como reação, os presos teriam usado fios para eletrizar grades, jogado água quente nos PMs, quebrado celas e usado entulhos para erguer barricadas para impedir a entrada dos policiais.

Por isso, segundo o comandante da 7ª Companhia Independente de Arapongas, o “poder físico” foi usado. “Com o apoio da GM e dos Bombeiros, conseguimos empurrá-los até o solário, onde foram isolados”, afirma o major José Luiz de Oliveira. Conforme o capitão Vilson Laurentino da Silva, foram necessários tiros de borracha e de efeito moral. “Nenhum preso foi ferido gravemente”, pondera, completando que dois detentos passaram mal.

Segundo o delegado Pedro Lucena, o motivo do “motim” seriam pedidos de transferências de condenados e de liberação daqueles com pena conclusa, além de reclamações da má qualidade das marmitas. Ainda conforme o delegado, os presos permaneceriam no solário até o conserto das celas. “É fácil soldar as celas e, depois disso, estará tudo resolvido. Não há perigo”, declarou.

TENSÃO

Em desespero, mães e esposas de presos, algumas grávidas e com crianças de colo, se aglomeraram na frente da delegacia. A tensão aumentava toda vez que a polícia ameaçava abrir o portão para uma possível retirada de presos. Em uma dessas ocasiões, foi necessária a formação de uma linha policial para conter possíveis invasores. Sacos de lixo foram atirados nos policiais por familiares.

A preocupação residia na incerteza da integridade física dos presos. Esposa de um deles, Luana Fávero de Oliveira Fernandes diz ter escutado tiros. “Estão atirando. Se o Siate está aqui, tem gente machucada”, presumiu. Ivanilde Sebastião, mãe de um detido, afirma que, na sexta-feira, um dos presos telefonou, de dentro da cela, a um programa televisivo de Londrina para denunciar a situação na unidade. “Foi por isso que fizeram esse ‘bate-grade’”, acredita. Para dar apoio à operação, soldados recém-formados da PM tiveram que sair às pressas do evento de apresentação das novas viaturas policiais. Quinze celulares foram apreendidos, além de porções de maconha. Os presos retornaram às celas no começo da noite.

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