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    Escrito por Da Redação
    Publicado em 28.01.2021, 12:00:00 Editado em 27.01.2021, 13:31:08
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    Um cartão-postal na área urbana
    Foto por Sérgio Rodrigo
     Pista de caminhada do Lago Jaboti foi reformada no ano passado: referência para a prática de esportes em Apucarana

     

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    Foto por Sérgio Rodrigo
     Ex-prefeito Mirão e ex-secretários Vanderlei de Mello e  Antonio Vieira Filho em frente ao Lago Jaboti: motivo de orgulho

     

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     Barragem praticamente concluída: obra custou 300 milhões de cruzeiros na época

     

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     Visão aérea da futura área da represa: : 757 mil ³ de água

    Voos rasantes da Esquadrilha da Fumaça, da Força Aérea Brasileira (FAB), marcaram a inauguração do Lago Jaboti, em Apucarana, em 30 de janeiro de 1983. Os aviões Neiva T-25 se aproximaram por volta das 15 horas, vindos da base de Pirassununga (SP). O público vibrou com a apresentação, que durou poucos minutos, pois densas nuvens prejudicaram o espetáculo. A obra foi entregue em um domingo, no penúltimo dia de mandato do então prefeito Voldimir Mirão Maistrovicz – ele passaria o cargo ao novo prefeito Carlos Scarpelini na terça-feira seguinte.

    Trinta e quatro anos depois, o Lago Jaboti transformou-se no principal cartão-postal de Apucarana. No entanto, sua construção foi uma ousadia para a época. A obra entra no rol das grandes barragens. Os números são, realmente, impressionantes. O lago foi construído em uma área total de 230,8 mil metros quadrados. Apenas a represa tem 150 mil m², com 700 metros de comprimento.  A largura média é de 200 metros e o volume de água chega a 757 mil m³. A barragem tem 23 metros de altura, com comprimento de crista de 273 metros.

    Na época, a obra custou 300 milhões de cruzeiros com recursos do programa Cura II, do Banco Nacional de Habitação (BNH). O ex-prefeito Voldimir Mirão Maistrovicz não esconde o orgulho dessa obra. Ele lembra que o programa Cura II tinha como objetivo urbanizar toda aquela região acima da Associação Cultural e Esportiva de Apucarana (Acea), que sofria com a erosão. O projeto de urbanização foi comandado pelo então secretário de Obras, o engenheiro Wanderlei Roberto de Mello, um jovem de 25 anos na época, com apoio do engenheiro Vicente Alexandrino de Souza Loiola, natural do Ceará. A questão financeira e administrativa tinha à frente o então secretário de Administração, Antonio Vieira Filho. Já o projeto da barragem foi desenhado pelo então projetista Edson Denobi, hoje funcionário de carreira da Sanepar.

    Mirão lembra que a erosão fazia parte do cenário daquela região de Apucarana no final dos anos 70 e início dos anos 80, e a solução desse problema representava um grande desafio para a administração municipal. Conhecido pelos moradores como “buracão da Vila Brasil”, o local onde hoje fica o Lago Jaboti era conhecido pela lama. “Quando chovia nos bailes e festas da Acea, as pessoas chegavam a abandonar os carros, tamanha a lama que ficava naquela região da cidade”, comenta Mirão, hoje com 72 anos.

    CINZAS NO LAGO

    Mello lembra o dia em que ele e Mirão foram vistoriar a área, totalmente degradada. “Uma mulher perguntou se iríamos fazer alguma coisa com o buracão. Nós dissemos que sim. Ela riu e duvidou”, comenta, observando que o projeto do lago tornou-se uma obsessão de todos na época. Hoje, é um motivo de muito orgulho. “Quando morrer, já disse aos meus familiares, quero que as minhas cinzas sejam jogadas no lago”, diz o ex-secretário, hoje com 63 anos.

     Após vandalismo, cenas de uma pescaria histórica

     

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    Foto por Reprodução
     Capa de 13 de julho de 1996 mostrando “corrida” por peixes no lago esvaziado

     

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     Homens e crianças procuram peixes no Lago Jaboti após vandalismo em comporta

     

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     Homem carrega peixe de mais de 40 quilos: pescaria histórica no lago


    Em julho de 1996, o Lago Jaboti foi esvaziado pela primeira e única vez por causa de um ato de vandalismo. Uma das comportas foi destruída na primeira semana de julho e, no dia 12 daquele mês, o lago ficou completamente sem água. A cena chamou atenção dos moradores e atraiu dezenas de pessoas que foram buscar peixes de 40, 50 e 60 quilos, a maioria carpas, tilápias e também lambaris que foram povoados no local ainda em 1983.

    Alguns peixes – os maiores – foram encaminhados pela Prefeitura e pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para um tanque do Horto Florestal e depois levados para o Parque Ecológico da Raposa. Segundo estimativa feita na época, apenas 5% dos peixes foram recuperados vivos. O restante foi parar na mesa de muitos apucaranenses e também reforçou o cardápio de escolas e creches municipais.

    O jornal Tribunal do Norte publicou fotos históricas na edição do sábado, 13 de julho de 1996. As fotos de Maria Isabel Lorin, com apucaranenses carregando nos braços enormes peixes, até hoje estão no imaginário popular. O movimento de “pescadores” era tão intenso que a Polícia Militar (PM) precisou ser chamada para evitar qualquer confusão no local.

    O caso foi tratado como crime ecológico e motivou a abertura de um inquérito policial. Na época, chegou-se a suspeitar de motivação política, pois 1996 era um ano eleitoral. No entanto, os reais motivos da sabotagem até hoje são um mistério. Ninguém foi preso pelo crime. O conserto da comporta demorou uma semana e o nível da água voltou ao normal em 80 dias com a vazão de um dos três córregos que deságuam no local (Ribeirão Barra Nova, Córrego Jaboti e Córrego Água da Lagoa).

    José Rocha Teruel, 75, tem um bar na região do Lago Jaboti há 40 anos. Ele lembra com perfeição daqueles dias em que o lago foi esvaziado. “Veio muita gente buscar peixes. Um vizinho trouxe um de 40 quilos, mas ninguém conseguiu comer. Ele serviu os pedaços do peixe para o pessoal aqui no bar, mas tinha muita gordura”, lembra Teruel. Ele conta que os maiores peixes, de 65 quilos, foram retirados pela Prefeitura e levados para o Parque da Raposa.

     Ponto turístico da cidade

     

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    Foto por Sérgio Rodrigo
     Nilsa Maria do Nascimento com filhos Taís, Gustavo e as amigas Gabriela Emily: piquenique no parque

     

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    Foto por Sérgio Rodrigo
     Maria Vieira, Janaína, Guilherme, Hiago e Lucas, de Arapongas, brincam no parquinho do Jaboti

     O Parque Jaboti é o principal ponto turístico de Apucarana e referência para a prática de esportes ao ar livre. Recentemente, o entorno do lago recebeu uma nova pista de caminhada e também um sistema de iluminação rebaixado, melhorando a infraestrutura existente no local.

    Muitas famílias frequentam o parque. Aproveitando as férias de janeiro, a apucaranense Nilsa Maria do Nascimento, 47, levou os filhos Taís, 12, Gustavo, 10, juntamente com as amigas Gabriela, 13, e Emily, 12, para um piquenique no parque. “É um lugar muito gostoso e tranquilo para vir com a família”, afirma Nilsa, que sempre frequenta o parque.

    O local também atrai visitantes das cidades vizinhas. A araponguense Maria Vieira, 52,  levou filhos e netos para passear no Jaboti no meio da semana, também aproveitando as férias. Janaína, 26, Guilherme, 9, Hiago, 5, e Lucas, 2, se divertiram no parque. Nem mesmo o tempo nublado impediu uma tarde de descontração no local. “É uma área verde legal para a gente relaxar”, afirma.

    O Lago Jaboti também atrai pescadores. O casal João Sabino, 52, e Ângela Maria dos Santos, 53, moram no Núcleo João Paulo, de Apucarana, e vão com frequência para jogar o anzol nas águas. “Tem bastante peixe e a gente também vem para se divertir”, diz Sabino. Ele defende que o parque seja fechado para pescaria e liberado uma vez por ano, na Semana Santa, como ocorrem em outras cidades. “Assim, estimularia o pessoal a vir pescar”, assinala. 

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