Apucarana

Sociedade não deve voltar ao que era antes; o que muda em 2021

Da Redação ·
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Sociedade não deve voltar ao que era antes; o que muda em 2021

Depois de um 2020 repleto de novidades e incertezas, o ano de 2021 aparece como uma incógnita. A pandemia, declarada em março pela Organização Mundial da Saúde (OMS), se arrasta até agora, bem como seus reflexos: novos hábitos sociais, crise econômica e cuidados com a saúde, entre outros. Em meio a isso, a polarização política, que já se fortalecia antes da chegada do coronavírus, se manteve, ‘contaminando’ até a vacina contra a Covid-19. Com isso, a pergunta que fica é: o que vai ser diferente em 2021, e o que deverá mudar?

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Para o chefe da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana, Altimar Carletto, 2021 será um ano às voltas com a Covid-19. “Mesmo que a gente consiga iniciar a vacinação, teremos que atingir pelo menos de 70% a 75% da população, não teremos que não teremos muita paz com a covid. Até que atinja este percentual, vamos até o final de 2021. Para a vida voltar um pouco ao normal, apenas no final do ano que vem”, explica o médico.

Sobre a vacinação, Carletto diz que a previsão é final de janeiro até meados de março. “Isso será um processo vagaroso até chegarmos em uma quantidade de pessoas. Tenho esperança que a vacina vai nos ajudar demais, além de medicamentos contra o vírus que estão em desenvolvimento e sendo testados. Acredito que é mais provável uma medicação até meados de junho, podendo trazer esperança e alegria para a população. Mesmo assim, ainda não teremos uma grande quantidade”, ressalta.

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Além da Covid-19, o médico cita a dengue, doença que vem trazendo preocupações para a área da saúde também. “A dengue vem trazendo grandes problemas neste verão, com muita chuva e muito calor, propícios para a multiplicação do mosquito. Não temos vacina para a dengue, nem para covid. As perspectivas vão longe até que tenhamos boas notícias para dar para população. Porém, não podemos perder a esperança”, reforça.

Para Carletto, por tudo isso que ocorreu em 2020, o próximo ano ainda não será muito favorável para as questões da saúde. “Temos muitas expectativas, mas resultados práticos e efetivos ainda devem demorar um pouco. Muita esperança, mas ainda com muita cautela, muito pé no chão, sabedoria para enfrentar essas duas doenças, Covid e dengue, além das outras tantas que acabaram sendo deixadas um pouco de lado em 2020. Isso tudo terá reflexo mais para frente e as consequências acabam vindo”, complementa.

Sociedade não deve voltar ao que era antes

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Voltar ao normal não será tão simples assim, segundo o professor universitário e sociólogo Marcos Dorigão. “Não existe volta, não retornaremos à condição de antes da pandemia, as mudanças são a característica da sociedade e os fatos que ocorreram farão parte da história e irão influenciar o comportamento social. A pandemia em 2020 provocou imensas alterações nas relações interpessoais, que pese uma parcela da população que nega a ciência e ignora as regras de distanciamento social, uso de máscaras e higiene, uma outra parcela, que acredito em maior, incorporou estes comportamentos e segue a maior parte do tempo. Isto provoca um impacto e uma reflexão sobre a vida em sociedade e a importância que a coletividade tem no cotidiano das pessoas. Com a chegada das vacinas e o esperado retorno, ainda que gradual, de proximidade social sem o fantasma da contaminação novas relações serão construídas”, explica.

Para o professor e sociólogo, a pandemia reacendeu na sociedade o interesse pela discussão de vários assuntos, como problemas econômicos e saúde. Dorigão acredita que em 2021 esses debates fiquem ainda mais evidentes e ressalta que nas eleições municipais foi possível perceber uma mudança de comportamento dos políticos. “ Com a chegada da pandemia e todos os problemas econômicos, de saúde, assistência social e educação, os serviços públicos foram colocados à prova e reacendeu uma discussão na sociedade sobre a necessidade e a relevância do estado na prestação destes serviços. Isto influenciou o debate público e colocou em destaque a permanência destas atividades como função do Estado. Isto muda um tanto a percepção da sociedade sobre o papel do Estado. As consequências deste debate ainda estão em aberto, mas é fato que lideranças políticas e civis estão incorporando esta discussão para elaborar propostas de organização da sociedade. Observando as eleições municipais é possível visualizar uma mudança de comportamento dos políticos em relação a este tema, com maior cuidado ao tratar de questões polêmicas que pudessem suscitar discussões acaloradas. Claro que o comportamento dos candidatos foi moldado, em parte, pelo aprimoramento das legislações e fiscalização da Justiça Eleitoral e por pressão de lideranças e movimentos sociais. Isto não significa que de imediato a polarização tenha sido eliminada, mas representa uma diminuição”.

 2021 deverá ser o 'ano das polêmica'

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O sociólogo Ronaldo Baltazar acredita que em 2021 será o ano de acirrar as polêmicas. “Em 2021 a polícia vai ser movimentada, tem a escolha do presidente da Câmara, do Senado, muito provavelmente vamos ter essa antecipação eleitoral da campanha presidencial, o uso das redes sociais para isso, e com a polarização da política, criou uma tensão muito grande em 2020 e em 2021 devemos ter muitos conflitos, existem decisões que o STF deve tomar que pode movimentar também o ano. 2021 é um ano onde existe a possibilidade de acirrar as polêmicas”, relata

Ronaldo também ressaltou que o comportamento das pessoas foi muito afetado por causa da pandemia, mas destaca que a solidariedade se fez muito presente em 2020. “Esse ano percebemos uma profunda solidariedade, e acredito que essa solidariedade, esse sentimento vai fortalecer ainda mais em 2021. Acredito que em 2021 a comunidade vai se organizar mais, criar alternativas de emprego, sobrevivência, mais ações de solidariedade que possam se fortalecer em 2021 e quem sabe ajudar as pessoas a tomar decisões mais tranquilas, racionais”, finaliza. 

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