Apucarana

Sivale emite nota sobre ‘apagão’ de mão de obra; veja

A presidente do Sivale, Elizabete Ardigo, ressaltou nesta segunda-feira (21), que a informalidade não oferta garantias trabalhistas

Da Redação ·
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fonte: Pixabay\ ilustração

O Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e do Vale do Ivaí (Sivale), emitiu uma nota em resposta ao posicionamento do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Apucarana e Região (Stivar), em reportagem sobre o  'apagão’ de mão de obra em Apucarana, divulgada no Jornal Tribuna do Norte e site TNOnline.

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Na reportagem, a presidente do Stivar, Maria Leonora Batista, argumenta que a dificuldade em contratar mão de obra qualificada nas indústrias de confecções também ocorre porque muitos profissionais, insatisfeitos com o piso salarial, migraram para a informalidade. Em resposta, a presidente do Sivale, Elizabete Ardigo, ressaltou nesta segunda-feira (21), que a informalidade não oferta garantias trabalhistas, deixando o profissional totalmente à mercê na relação de trabalho.

O trabalhador tem uma ilusão que ganha mais. Por exemplo, nessa situação que estamos enfrentando com a Covid, a informalidade não aceita atestado, já as empresas formais aceitam.  Sem contar que não tendo registro e aposentadoria, a pessoa fica totalmente desamparada”, destaca.

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Ardigo observa ainda que os profissionais tendem a optar pela informalidade quando não há oportunidades de empregos formais, o que não é o caso de Apucarana. “Tem muitas vagas de emprego em Apucarana, para as pessoas trabalharem com carteira registrada. Quando existe a falta de oportunidade as pessoas vão para a informalidade por não terem oportunidades, mas não é o caso da nossa cidade”, conclui a presidente do sindicato patronal.

Confira a nota na íntegra: 

"A comparação entre os salários pagos pelas empresas formais e pelas empresa informais, apresentado pelo Stivar, não merece qualquer guarida, pois como representante dos trabalhadores e empregados na Indústria de Confecção, esqueceu de mencionar que, na condição de informalidade, o trabalhador não tem qualquer ganho, pois encontra-se totalmente desamparado pela Previdência Social, sem acesso a crédito por inexistir um comprovante legal de renda, sem acesso a qualificação profissional, e estando a margem das políticas públicas de assistência técnica e profissional, bem como de proteção à saúde do empregado.

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No trabalho informal o trabalhador fica a margem da legislação trabalhista e previdenciária, com a desvantagem de sofrer com a variação da renda mensal, ausência de CTPS assinada, ausência de direitos trabalhistas básicos como férias, 13º. Salário, vale transporte, licenças médicas, licenças maternidade e paternidade, e sem direito a contagem do tempo para fins de aposentadoria, além de não se submeter aos programas de saúde e proteção do trabalhador.

Ainda, comparar meramente o salário pago em condições tão desiguais, de registro em CTPS e encargos, ou com a total ausência de registro e encargos é totalmente incabível. O custo final dos valores dispensados pela empresa formal no pagamento de salários e encargos será superior ao custo final destinado unicamente aos salários pagos na informalidade. 

Por fim, trata-se de opinião rasa, que merece ser veementemente rebatida, pois não há qualquer vantagem par o trabalhador no trabalho informal, mesmo que a “diferença” dos valores pagos, “pareça” ser um atrativo, o que não se confirma no custo final", diz a nota emitida pelo Sivale.

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Relembre a reportagem: 

A falta de mão de obra qualificada tem sido um desafio para empresários da indústria de confecções de Apucarana. E a necessidade de completar o quadro de funcionários desfalcado fica ainda ainda maior com os afastamentos provocados pela Covid-19 nas empresas do setor. Relatório da Agência do Trabalhador trouxe 140 vagas em aberto nas empresas do município, e as funções com maior demanda são costureira (48), auxiliar para acabamento (25) e operador de bordado (19).  

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O empresário apucaranense, Cláudio Delmasquio, conta que sua empresa sempre tem vagas em aberto e que nos últimos anos a situação piorou um pouco. “O problema da Covid não afetou minha empresa. De 60 funcionários, tenho somente dois afastados pela doença. A verdadeira dificuldade é em contratar pessoas especializadas, com qualificação. Hoje por exemplo tenho cinco vagas em aberto”, comenta. 

Delmasquio tem boas expectativas com a abertura do curso técnico em vestuário do Colégio Estadual Professor Izidoro Luiz Cerávolo. “Sempre contratei estagiários e tenho boa expectativa para quando começar a formar a primeira turma para absorver esses profissionais. Porque as pessoas vêm muito cruas para a empresa”, afirma. 

O gerente de produção, Julio Tamura, enfrenta a  mesma dificuldade. Segundo ele a pandemia sem dúvida, levou muitos trabalhadores qualificados a atuarem na informalidade. Como a maior parte desses profissionais são mulheres e mães, Tamura acredita que houve uma necessidade delas trabalharem em casa, uma vez que no começo da pandemia escolas e creches foram fechadas. “Algumas costureiras optaram pelo trabalho informal do que trabalhar de fato em empresa registrada”, comenta.

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Tamura comenta também que tem percebido certo desinteresse da nova geração pelo setor de confecções. “Estamos vendo um pouco de fuga desse nosso perfil de ramo de atuação. A juventude procura imediatismo, querem resultado rápido, trabalhar pouco e ganhar muito. Quando percebem um trabalho que precisa de responsabilidade, cumprir horário, um salário que eles não imaginam, ocorre a fuga”,diz.

Empresário, Jayme Leonel, também afirma que a dificuldade em contratar mão de obra, principalmente com alguma qualificação, persiste, apesar da existência de cursos direcionados ao vestuário. Ele também afirma ainda que a pandemia fez o problema ficar ainda maior. 

“Infelizmente há um surto de covid acontecendo no nosso segmento. Dependendo do número de colaboradores a empresa está tendo dificuldades para entregar os pedidos”, relata. 

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Piso da categoria não é atrativo, afirma Stivar

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Apucarana e Região (Stivar) Maria Leonora Batista afirma que a falta de profissionais é um problema antigo que foi agravado pela pandemia. Ocorre que o piso salarial da categoria não é dos mais atrativos e muitos profissionais qualificados têm migrado para a informalidade como forma de aumentar a renda. 

“O setor de costureiras não quer trabalhar com carteira assinada porque as empresas só querem pagar o piso de R$ 1,6 mil. Trabalhando em facções informais elas ganham duas vezes mais do que com registro”, afirma. 

Leonora assinala que o sindicato briga pela elevação do piso salarial da categoria, bem como uma espécie de plano de carreira para categoria, mas tem encontrado dificuldades. “As empresas dizem que os funcionários que produzem mais recebem um pouco mais, mas vejo que isso é bem raro. Esse piso de R$ 1,6 mil seria mais para quem está aprendendo. Uma pregadeira de bico, por exemplo, ganha até R$ 150 por dia trabalhando na informalidade, e na indústria o salário é entre R$ 1,8 e R$ 2 mil”, afirma. 

Contratação temporária encontra dificuldade

A presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e do Vale do Ivaí (Sivale), Elizabete Ardigo, disse que as empresas têm dificuldade em completar o quadro de funcionários com trabalhadores temporários. E ainda, as empresas sofrem com o afastamento de funcionários infectados pela Covid. Segundo o Sivale, em média, cada empresa tem ao menos três trabalhadores em quarentena, o que compromete a produção e entrega de pedidos. 

“A Covid está afastando muita gente. Estamos reprogramando os pedidos com alguns clientes e outros acabamos perdendo por não conseguir atender”, afirma. Na tentativa de suprir a demanda, a Agência do Trabalhador em parceria com o 30º Batalhão de Infantaria Motorizada (BIMec) para encaminhamento de soldados desligados do exército para as empresas que necessitam. Nessa primeira leva, 70 jovens serão encaminhados para empregos no setor de confecção. “A prefeitura tem investido muito em cursos para qualificação de trabalhadores. Estamos trabalhando bastante para suprir essa demanda”, assinala o gerente da agência Neno Leiroz.

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