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    Seis em cada 10 trabalhadores domésticos estão na informalidade

    Seis em cada 10 trabalhadores domésticos estão na informalidade
    Foto por Pixabay\ ilustração
    Escrito por Cezar Neves
    Publicado em 04.03.2021, 08:24:55 Editado em 04.03.2021, 08:25:47
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    Um ano após o início da pandemia, os efeitos econômicos e sociais em decorrência do vírus ainda se alastram pelo país. São reflexos que ardem mais forte em algumas profissões, como por exemplo dos empregados domésticos.  

    Em Apucarana, o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de Apucarana e Região, considera que houve perdas devido à pandemia. É o que afirma a presidente da entidade, Odete Maria de Jesus. “Está difícil durante esse período, mas o nosso trabalhador dificilmente tem como fica parado”, comenta.

    Odete afirma ainda que foram registrados dois casos que chegaram ao sindicato de contaminação de empregadas por covid. “Duas trabalhadoras tiveram que ficar afastadas do trabalho porque os patrões voltaram da praia e elas foram contaminadas, mas não precisaram ser hospitalizadas”.

    A crise decorrente do coronavírus também não ajudou a reduzir os índices de informalidade no setor. Ela pontua que 60% dos trabalhadores domésticos da área do sindicato, que é regional, não têm carteira assinada. “A informalidade ainda é grande principalmente na nossa classe e os profissionais preferem trabalhar sem registro do que ficar parados. Com medo de serem demitidos, esses empregados acabam aceitando ficar sem registro em carteira”, explica a presidente.

    É o caso de Rosemeire Kruger, que tem 45 anos, dois filhos pequenos e está preocupada pela reação da doença neste ano. “Estou mais preocupada agora pois parece que está ficando cada dia mais difícil com o aumento de casos”, diz. Ela trabalha há mais de quatro anos como doméstica e atualmente é diarista três vezes por semana. “Recebi o Auxílio-Emergencial ano passado, mas estou preocupada com o aumento no preço das coisas”, comenta.

    Assim como ela, a Luzia Vidal Batista, de 40 anos também é autônoma por opção. Ela repete a mesma preocupação que teve em março do ano passado. “No começo da pandemia foi difícil e agora de novo com a situação”, diz. Luzia lamenta as condições de risco que correm principalmente no trajeto para o trabalho. “Eu uso máscara sempre e nas casas onde trabalho todos se cuidam, mas deveria ter mais ônibus para não lotar”.

    Em artigos publicados sobre a pandemia e seus efeitos sobre a profissão, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), alertou para a vulnerabilidade de trabalhadores domésticos durante a pandemia de covid-19. 

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), destacou que cerca de 70% da categoria, a qual reúne 5,7 milhões eram mulheres, não possuem Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) assinada. Em outras palavras, significa dizer que trabalham na informalidade e sem a cobertura de direitos importantes, como o acesso a 13º salário, seguro-desemprego, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, ainda, a benefícios previdenciários.

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