Apucarana

Reajuste: remédios ficam quase 11% mais caros

Esse percentual de reajuste é um valor máximo que pode ser aplicado pelos fabricantes

Da Redação ·
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fonte: Sérgio Rodrigo - TNOnline

A  Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou  reajuste de  10,89% nos preços dos medicamentos. O aumento proposto pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) deve passar a valer  nos próximos dias, a partir da publicação em Diário Oficial, impactando  o custo de aproximadamente 13 mil tipos de remédios disponíveis no mercado. Até  nesta quarta-feira (30), as farmácias de Apucarana ouvidas pela reportagem ainda não haviam sido comunicadas oficialmente pelos fornecedores sobre o reajuste que deve pesar ainda mais no bolso dos consumidores. 

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O farmacêutico Antônio Okener Filho observa que há tempos o setor não pratica um reajuste com dois dígitos. Contudo, o aumento considera toda a conjuntura econômica afetada pela inflação, como consequência  de diversos fatores como a pandemia da Covid-19 e até da guerra na Ucrânia. “Tudo isso elevou o Índice de Preços no Consumidor que é usado na base de cálculo do reajuste dos medicamentos”, observa. 

Segundo Okener, todos serão afetados, sobretudo idosos e pessoas com doenças crônicas que fazem uso contínuo de medicamentos. “Quem compra um remédio eventualmente, para tratar uma dor de garganta ou uma dor de cabeça, por exemplo, não sentirá muito os efeitos desse aumento. Mas uma pessoa que tem que tomar remédio diariamente, essa sim vai sentir o impacto”, comenta. 

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Esse é o caso da apucaranense Maria Edite da Silva, de 72 anos, que gasta aproximadamente R$ 700 por mês com medicamentos. Dona Maria tem três pontes de safena e usa remédios para o tratamento de problemas cardíacos, de pressão, circulação e nos pulmões. 

Por não ser aposentada e não ter condições de trabalhar, Maria depende da renda do marido que trabalha em uma serralheria. A idosa tem uma perícia agendada no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para tentar receber auxilio doença e reduzir o impacto que os medicamentos causam na renda da família. 

“Já tentei pegar remédios de graça no programa Farmácia Popular, mas não tem os medicamentos que eu uso”, comenta. 

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Reajuste é anual

A farmacêutica Sandra Tossanello explica que o reajuste é anual, sempre ocorre em 1º de abril. Contudo, no ano passado não houve aumento de preços nos medicamentos por conta da pandemia da Covid-19. 

Sandra concorda que o aumento de preço vai impactar tanto as vendas quanto a renda dos consumidores e segundo ela, uma saída é tentar recorrer a Farmácia Popular, programa do governo que tem medicamentos gratuitos para pessoas com hipertensão, diabetes e asma. 

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“Tem alguns medicamentos que são fornecidos pela rede pública, mas não é todo mundo que consegue porque tem que ter receita para uso contínuo.

Índice considera inflação e outros indicadores

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Esse percentual de reajuste é um valor máximo que pode ser aplicado pelos fabricantes. O índice leva em consideração inflação e o fator Y, divulgado anteontem pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que calcula os custos de produção não captados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como variação cambial, tarifas de eletricidade e variação de preços de insumos, segundo explica o economista explica o economista Rogério Ribeiro, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

Ribeiro aponta que somente o IPCA de 2021 fechou em10,06% e que, portanto, o índice de 10,8% está dentro da regra para o setor.

“O problema é que os salários não estão sendo repostos da mesma forma e muitas categorias tiveram reposições abaixo da inflação e outras sequer tiveram reajustes”, afirma.

O bolso do consumidor não terá sossego e segundo Ribeiro a tendência é de os preços continuarem em alta. O economista informa que o IPCA está com previsão de ultrapassar os 7% neste ano o que reflete em mais reajustes. 

Por, Cindy Santos