Apucarana

Por semana, pelo menos duas crianças sofrem violência

Levantamento do serviço de escuta especializada aponta que, neste ano, 41 crianças e adolescentes sofreram algum tipo de violência em Apucarana

Da Redação ·
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fonte: Cindy Santos - TNOnline

Levantamento do serviço de escuta especializada aponta que, neste ano, 41 crianças e adolescentes sofreram algum tipo de violência em Apucarana, o que corresponde a a mais de duas vítimas por semana. O que mais choca neste dado preocupante é que a violência sexual representa mais da metade das ocorrências: 51,2%. O relatório repassado à Tribuna pela Vara da Infância e Juventude informa que a agressão física corresponde a 12 denúncias (29,2% do total) e a violência psicológica 8 (19,25% do total). Os dados foram divulgados ontem, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

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A pesquisa foi realizada com base nos encaminhamentos feitos pelo Conselho Tutelar ao serviço de escuta especializada, entre janeiro a 20 de abril, com vítimas com idades entre 0 a 17 anos. Esse serviço passou a ser realizado no final de setembro do ano passado, com o atendimento de 32 casos até o mês de dezembro. E chama atenção o volume de denúncias em apenas três meses.

Com relação aos casos registrados no ano passado, novamente a violência sexual corresponde a maior parte, com 20 denúncias (62,5%). Em 17 casos o agressor era uma pessoa do convívio da vítima, em geral, padrasto e avô. Nos casos de violência física foi recorrente a presença de violência psicológica, sendo os pais e padrastos os principais agressores.

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A juíza da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Apucarana, Carolline de Castro Carrijo, considera os índices altos e alarmantes. Segundo ela, só foi possível coletar os dados após a instauração de uma comissão de enfrentamento à violência. As denúncias chegam por toda a rede de proteção - escola, delegacia e Conselho tutelar - e são encaminhadas as autoridades. Já a escuta é realizada por psicólogos e outros profissionais que atuam na comissão. “Toda rede de proteção tem obrigação de comunicar sobre a violência e as vítimas são encaminhadas até essa escuta”, explica.

O percentual de violência sexual chama atenção por ser mais mais elevado, no entanto, a juíza observa que as outros tipos de violência - física e psicológica - geralmente são banalizadas pela sociedade e, portanto, dificilmente são levados ao conhecimento das autoridades.

“A violência sexual geralmente é praticada na maioria das vezes por familiares como padrasto, avô, irmão e genitor”, conclui a magistrada.

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ESCUTA ESPECIALIZADA

O psicólogo responsável pelo relatório, Yuri Bruniera Padula, explica que o serviço de escuta envolve quatro profissionais sendo dois psicólogos, uma psicopedagoga e uma assistente social que atendem vítimas encaminhadas pelo Conselho Tutelar. Os profissionais são da Assistência Social, Secretaria da Mulher e Autarquia Municipal de Saúde. 

De acordo com ele, no ano passado foi criado um comitê que iniciou as discussões acerca da organização desse trabalho de escuta especializada de vítimas de violência. “Casos de violência são recorrentes no município e os números já são bastante alarmantes há alguns anos. Em 2017 foi publicada a Lei da Escuta Especializada, procedimento de entrevista sobre situação de violência com criança ou adolescente perante órgão da rede de apoio.  O decreto estabeleceu algumas diretrizes e a partir dessa lei os municípios começaram a se organizar e se estruturar”, comenta. 

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Padula ressalta que, por ser um serviço bastante específico, acaba por facilitar o levantamento dos dados sobre violência, viabilizando a partir de estatísticas fidedignas, estratégias para garantir a segurança e os direitos das crianças e dos adolescentes, bem como ações que possam coibir esse tipo de prática. 

DENÚNCIA

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A garantia do sigilo é, muitas vezes, fator essencial para que o cidadão denuncie um crime. Em casos de abuso sexual de crianças e adolescentes, em que o abusador muitas vezes é alguém próximo da família ou até mesmo um familiar, o sigilo pode ser determinante. Por isso o Paraná possui o Disque Denúncia 181, uma ferramenta efetiva no combate à criminalidade.

O secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita, reforça a importância de os paranaenses denunciarem o crime e por meio do 181, de forma totalmente anônima e sigilosa.

“O 181 é uma forma de ligação direta entre população e forças policiais, que permite também a integração entre os órgãos de segurança. Com as denúncias recebidas pelo canal é possível dar andamento direto aos crimes, encaminhando para os órgãos competentes, para que eles possam atuar de maneira efetiva nas investigações criminais”, afirmou o secretário.

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Apucarana discute ações de combate

Ontem, Dia Nacional de Combate à Violência e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a Macrorrede de Proteção às Crianças e Adolescentes de Apucarana realizou uma mesa de debate sobre o tema no Cine Teatro Fênix com a presença de diversas autoridades para discutir ações de combate a esse tipo de violência.

O prefeito, Junior da Femac participou da abertura do evento e falou sobre a importância de dar visibilidade à causa. “Discussões como esta são importantes para que os agressores percebam que a comunidade está vigilante e as vítimas saibam que estamos unidos para defendê-las”, disse.

Para a chefe do escritório regional da Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho (SEJUF), Márcia Sousa, a violência contra as crianças e adolescentes sempre existiu, mas ganhou corpo e forma durante a pandemia de COVID-19. “As crianças e os adolescentes ficaram confinados em suas casas por quase dois anos, muitas vezes enfrentando agressores. Isso fez com que o problema se agravasse. Como agentes públicos, nós somos responsáveis pela política de atendimento às vítimas e por garantir um futuro digno a elas”, afirmou.

Por, Cindy Santos 

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