Palestra “Acordei mãe de uma criança autista” reúne famílias em Apucarana e reforça luta por inclusão
A parlamentar destacou a urgência de qualificar profissionais de saúde para atender à crescente demanda de laudos do Transtorno do Espectro Autista

A deputada estadual Flávia Francischini esteve em Apucarana, no Paraná, nesta quarta-feira (26), para debater os direitos das famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante a palestra "Acordei mãe de uma criança autista, e agora?", realizada no Hotel Doral, a parlamentar compartilhou suas experiências pessoais, cobrou a ampliação de políticas públicas de inclusão e alertou para a escassez nacional de profissionais de saúde capacitados.
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Em sua 180ª apresentação sobre o tema, a deputada buscou desmistificar o transtorno e aproximar o debate da realidade das famílias locais. "Eu não venho como parlamentar, eu venho como mãe de uma criança atípica, venho para falar dos momentos que eu passo com o Bernardo, que com certeza são momentos que as mães que estão aqui também passam", afirmou Flávia. Ela explicou que o crescimento exponencial dos diagnósticos atuais se deve aos avanços na medicina, descartando mitos que associam a condição a vacinas ou à pandemia de Covid-19, e frisou a urgência de contratar mais neurologistas, psiquiatras e terapeutas na rede pública.
O evento também abordou os trâmites para a construção da Casa do Autista em Apucarana, uma demanda conduzida em parceria com a vereadora Eliana Rocha. Segundo as autoridades locais, as verbas para o projeto estão temporariamente retidas em Curitiba devido ao período eleitoral, mas a liberação deve ocorrer em breve. Flávia garantiu apoio à iniciativa, mas fez um alerta sobre a gestão do futuro espaço. "Vocês podem ter certeza que nós vamos trabalhar para que Apucarana tenha a Casa do Autista, mas não apenas paredes e tijolos. Precisamos de equipes capacitadas para atender as demandas que nós temos aqui", ressaltou a deputada.
Além de focar na infância, a parlamentar dedicou parte de sua fala à inclusão de adultos no mercado de trabalho, lembrando que muitos pais descobrem o próprio grau de autismo ao levarem os filhos para avaliação médica. "A gente também não pode esquecer que não são só crianças. A gente tem que lembrar dos nossos adultos. Muita gente não conseguiu ter um relacionamento, uma faculdade ou um trabalho, e só agora teve essa possibilidade ao descobrir o diagnóstico", concluiu a deputada.
