No Dia Mundial do Autismo, AMAA reforça acolhimento, respeito e inclusão em Apucarana
Associação destaca avanços na visibilidade do TEA, mas alerta para desafios em saúde, educação e apoio às famílias atípicas
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No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira, 2 de abril, a Associação de Pais e Amigos dos Autistas Apucaranenses (AMAA) reforça uma mensagem que vai além da informação: a necessidade de aceitação, respeito e inclusão verdadeira das pessoas autistas e de suas famílias.
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Em entrevista ao TNOnline, a secretária da entidade e mãe atípica, Aline Lopes, de 36 anos, destacou que a data não deve ser vista apenas como uma comemoração, mas como um momento de reflexão e fortalecimento de direitos.
"Sou mãe do Matheus, de 14 anos, autista. Nossa história começou há praticamente dez anos, quando fechamos o laudo dele aos três aninhos. Desde então, a nossa luta continua. Eu falo que ela muda, mas não para. Tivemos muitas barreiras, e a primeira delas foi a aceitação. Hoje, na fase da adolescência, é um outro trabalho, temos que dar autonomia. É um esforço constante da família, escola e profissionais", relatou Aline sobre sua jornada.
“Nosso objetivo não é comemorar, e sim reforçar que as pessoas autistas existem, têm seus direitos e precisam ser respeitadas. Cada autista é único. A sociedade precisa ir além da conscientização e avançar para a aceitação e a inclusão”, afirmou.
Segundo Aline, um dos papéis mais importantes da AMAA é o acolhimento das famílias, especialmente após o diagnóstico, fase em que surgem dúvidas, inseguranças e medo sobre o futuro.
A associação conta atualmente com uma equipe formada por psicólogos, psicopedagogas, assistente social e setor administrativo, oferecendo orientação e suporte emocional às famílias.
“Queremos mostrar que essa família não está sozinha nessa caminhada. Nosso objetivo é orientar, acolher e fazer a diferença nesse momento tão delicado”, explicou.
Na avaliação da representante da entidade, houve avanços importantes nos últimos anos, principalmente em relação à visibilidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ao debate sobre políticas públicas.
Entre os pontos positivos, ela cita a ampliação do conhecimento das famílias, o fortalecimento de direitos, como a prioridade em atendimentos, e a desnecessidade de atualização constante do laudo em determinadas situações.
Apesar disso, Aline ressalta que ainda há muitos desafios, principalmente nas áreas de saúde e educação. “Na saúde, é necessário ampliar as terapias multidisciplinares. Na educação, as escolas precisam de mais capacitação e suporte adequado para garantir uma inclusão verdadeira”, pontuou.
Ela também chama a atenção para a necessidade de maior apoio aos professores, que muitas vezes não recebem formação suficiente para atender crianças e adolescentes autistas.
Como orientação à população, a AMAA reforça que o respeito às diferenças deve ser exercido diariamente, em todos os espaços da sociedade.
“Hoje sabemos que além das crianças, muitos adultos estão recebendo diagnóstico tardio. A sociedade vai encontrar uma pessoa dentro do espectro no mercado, na farmácia, no banco, em todos os lugares. O respeito e a empatia precisam ser trabalhados todos os dias”, destacou.
A mensagem final da associação é direta: a inclusão começa nas atitudes mais simples. “Não deixe o autismo bater na sua porta para se importar. Quando a sociedade acolhe e respeita, ela se torna mais justa para todos”, concluiu.
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