Apucarana

Máquinas de escrever resistem ao tempo em Apucarana; veja

Loja da cidade ainda é especializada no conserto desse tipo de equipamento e tem clientes fiéis

Da Redação ·
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Na era dos modernos smartphones, tablets e computadores, as máquinas de escrever parecem coisa de museu. Com a velocidade dos avanços tecnológicos, não deixam de ser. No entanto, esses velhos instrumentos mecânicos para publicação de documentos, relatórios e outras informações resistem ao tempo. Apucarana ainda conta com uma loja especializada no conserto desses “dinossauros”. Veja o vídeo abaixo. 

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Com quase 50 anos no mercado, a Somaq Máquinas em Apucarana atende saudosistas e também pessoas que ainda utilizam as máquinas de datilografia profissionalmente. Vagner Novo Soares, filho do proprietário e um dos pioneiros na área na cidade, Alexandre Soares, conta que o número de consertos varia muito. “Neste mês, recebemos quatro máquinas de escrever”, comenta, mostrando no balcão uma máquina arrumada. “Esse cliente, por exemplo, traz todos os anos a máquina dele para fazer manutenção”, emenda. 

Segundo ele, muitas pessoas procuram a loja para arrumar o velho equipamento de casa como forma de recordação. No entanto, há escritórios e cartórios que ainda utilizam as máquinas na rotina diária. Em relação à matéria-prima, Vagner comenta que o número de fornecedores de equipamentos está escasseando, mas ainda é possível encontrar em determinados modelos. “Ainda há indústrias que fabricam fitas, mas alguns não têm mais fabricação e a gente não consegue mais arrumar”.

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Ele assinala que a loja gera curiosidade por conta das “antiguidades”. “Muitas crianças param com os pais aqui e a gente ouve as perguntas delas sobre as máquinas, querendo saber o que é e como funciona”, assinala Vagner. A empresa, no entanto, precisou se atualizar para ficar no mercado e hoje atua fortemente no setor de automação comercial, com impressoras fiscais, etc.

Houve um tempo, no entanto, que essas máquinas de escrever estavam presentes em todos os lugares. Os cursos de datilografia eram concorridos e considerados requisitos para ingressar no mercado de trabalho. Algumas marcas até hoje estão na memória e no imaginário, como Olivetti, Remington, Oliver, Facit, Triumph, entre outras. Com o avanço tecnológico, essas máquinas foram substituídas em massa a partir dos anos 1990 por computadores e notebooks, além de, mais recentemente, por tablets e smartphones. 

Atuando há 31 anos na Somaq, o funcionário Elton Pires da Silva não esconde o saudosismo. “Quando entrei aqui não existiam computadores. Comecei lavando máquinas até aprender a consertar depois. A gente arrumava qualquer tipo, elétrica ou manual. Nós atendíamos prefeituras, bancos, empresas... Viajávamos a semana inteira para fazer manutenção e quando chegávamos de volta ainda tinha muita máquina para consertar”. 

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Ele lembra de algumas marcas. Uma das melhores, segundo ele, era a Olivetti Linea 98. “A Facit também era muito boa”, acrescenta. Quando chegaram as máquinas elétricas, a “novidade” assustou no primeiro momento. “Era uma inovação na época”, lembra.  

O cartorário José Riva Filho, do Distrito do Pirapó, em Apucarana, não abre mão da sua máquina de escrever. Para ele, esses equipamentos ainda têm sua serventia. Desde 1970 no setor – no Pirapó a partir de 1988 -, ele usa as máquinas para preencher cartões de assinatura e capas de documentos (escrituras). “A gráfica faz a capa e deixa as lacunas que a gente preenche com as máquinas”, diz. 

Ele tem três modelos: Olivetti Linea 98, Facit e Triumph. “Não penso em parar de usar, não. Ainda serve para o que eu preciso”, diz. O cartorário comenta que tem de ensinar os funcionários mais jovens a usar as máquinas. “Eles estranham, mas aprendem rapidinho”, finaliza. VEJA:     null - Vídeo por: Reprodução

Por Fernando Klein 

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