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Mais de 100 homens já foram presos por violência doméstica

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Escrito por Silvia Vilarinho
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Nos primeiros seis meses deste ano, 134 homens foram presos por violência doméstica em Apucarana. Praticamente uma detenção por dia. Os números foram repassados pela Delegacia da Mulher de Apucarana.

“São vinte e duas prisões por mês, praticamente uma pessoa é presa por dia por violência doméstica. Foram abertos nesse período 215 inquéritos para apurar crimes contra mulheres como lesão, injúria, ameaça entre outros”, detalha a delegada Sandra Nepomuceno.

Também chama atenção o número de medidas protetivas, ferramenta judicial para salvaguardar a mulher que determina distância mínima do agressor em relação à vítima. No primeiro semestre, 200 mulheres solicitaram a medida protetiva contra os conviventes. “Essas mulheres estavam em risco de agressão e até mesmo de vida. Dessas 200 medidas, 22 foram descumpridas e os agressores presos”, detalha Sandra.

Ainda no primeiro semestre a delegacia investigou 34 inquéritos relacionados a crimes sexuais. “Nos primeiros seis meses do ano registramos 250 inquéritos, destes 34 foram para investigar crimes sexuais contra mulheres e crianças. A grande maioria dos crimes foi contra crianças, tendo como autores pais, padrastos e tios. São casos que aconteceram em Apucarana, Cambira e Novo Itacolomi, e consideramos os números expressivos”, enfatiza.

Em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma queda de quase 20% em relação ao total de inquéritos abertos. Em 2019, foram 350 inquéritos. “Acredito que essa queda é decorrente do período de isolamento e do longo período de suspensão de aulas, pois muitos crimes eram noticiados por professores e diretores de escola. Apesar da redução no número de inquéritos abertos, o número de prisões está muito alto”, comenta.No mesmo período do ano passado foram registradas 142 prisões, 6% a menos.

A vítima nunca esquece

Aos 38 anos uma apucaranense que prefere não se identificar, completa neste mês quatro anos de divórcio. Entre namoro e casamento conviveu 10 anos com o ex-marido e considerou a relação como opressora. “Meu casamento era muito opressor, hoje consigo diferenciar, antes eu estava envolvida e não sabia o que era opressor. E a violência doméstica também é isso. As pessoas pensam que a violência era só apanhar. Ela era muito possessivo, não me deixava voltar a estudar, era desconfiado. Eu era uma ótima esposa, tínhamos uma linda família, filhos saudáveis, ia para igreja, trabalhava pouco, mas trabalhava, cuidado dos filhos, estava sempre ali e não estava bom. Ele sempre bravo,” conta.

Além das agressões psicológicas, ela também sofreu uma vez a agressão física. O ponto alto para dar fim ao relacionamento foi uma briga onde o ex quebrou praticamente tudo que tinha na casa onde moravam. “Eu fiquei com muito medo. Eu acordei meus filhos que estavam dormindo e me tranquei no quarto com eles. No outro dia tomei coragem e disse que não dava mais. Ele me pediu perdão disse que iria fazer tratamento. Mas ele sempre me pedia desculpas, me dava presentes, me levava para sair e não passava muito tempo as brigas novamente,” lembra

A apucaranense passou por mais momentos difíceis com o divórcio e atualmente tem uma relação com o ex totalmente restrita. “Um divórcio totalmente traumático, pensei que eu iria morrer, que eu não iria aguentar tanta pressão. Já perdi pai e mãe e ainda vivi essa situação que foi a pior fase da minha vida, uma situação muito humilhante. Faz uns dois anos que consegui me recuperar, com ajuda de terapia e com o atendimento oferecido pelo Centro de Atendimento a Mulher (CAM). Hoje vivo outra vida, graças a Deus,” comenta.

Outra vítima de violência doméstica é uma apucaranense de 27 anos, que também preferiu não se identificar. Ela contou que por dois anos sofreu na mão do marido que tinha ciúmes até da família dela. Agora separada, mora sozinha e recomeçou a vida.

“Meu ex era muito ciumento,tinha ciúmes até da minha família. Não deixava eu ir para a igreja, não queria que eu trabalhasse. E quando eu trabalhava ele ainda pegava o meu dinheiro para comprar bebida. Foram dois anos. Duas vezes ele tentou me agredir mas eu me defendi, já a terceira vez, ele me bateu com socos e chutes,” lembra.

Ela ainda disse que é muito difícil sair do ciclo da violência doméstica. “Eu gostava muito dele, mas comecei a perceber que aquilo não era amor, era doentio.Como podia ele me maltratar e eu quer ficar com ele. Hoje eu afirmo, que podemos muitos mais. Podemos viver sozinhas. Esse conversa de que vai mudar, é só essa vez, tudo isso é mentira. Sempre haverá uma próxima vez.”

 


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