Jogo entre Brasil e Japão deixa comunidade nipônica dividida em Apucarana
Partida desta segunda-feira (29) define vaga nas oitavas de final no campeonato mundial

A disputa por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo entre Brasil e Japão divide a torcida na comunidade nipo-brasileira de Apucarana, no norte do Paraná. Enquanto alguns descendentes ficam com o coração dividido entre o país onde nasceram e a terra dos seus antepassados, outros já têm palpites e escolhas bem definidos para o confronto
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A artista e muralista Monica Ishiba, representante da quarta geração da família no Brasil, revela estar completamente dividida. Ela conta que morou no país asiático em 1997, aos nove anos de idade, e lembra de sentir um sentimento de dúvida sobre sua identidade. "Quando eu estava no Japão, me chamavam de brasileira, e aqui no Brasil, me chamavam de japonesinha. Então cresci na dúvida se sou japonesa ou brasileira. Hoje me sinto pertencente a dois lugares", relata.

O mesmo sentimento se estende aos filhos, da quinta geração, que têm traços orientais e estudam a língua japonesa. "Não sabemos para quem torcer. É um jogo estranho, porque quem ganhar vamos ficar felizes e, ao mesmo tempo, quem perder vai ser triste", diz.
Ao analisar o esporte, Monica destaca a disciplina como diferencial da equipe asiática. "O futebol japonês está bem mais evoluído, estão mais rápidos e mais habilidosos em relação ao passado. O Brasil tem mais experiência em jogos decisivos de Copa do Mundo, mas não dá para subestimar o Japão, que chegou acreditando e pode surpreender", finaliza.

Já a apucaranense Jhéssica Kato, que se mudou para a cidade japonesa de Koka-shi Minakuchi-cho há um ano e meio, não tem dúvidas sobre sua torcida, mesmo vivendo no país adversário. "Claro que vou torcer para o Brasil. Gosto do Japão, mas Brasil é Brasil", afirma. Ela arrisca um placar de 2 a 0 para a seleção canarinho, mas lamenta não poder acompanhar a partida devido ao fuso horário. "Independente do horário, não vou conseguir assistir. Vou estar trabalhando ou dormindo", explica.
O ex-vereador Satio Kaiukawa também mantém o posicionamento firme ao lado do time brasileiro e aposta em uma vitória por 3 a 1. "Apesar de ter sangue japonês, sou apucaranense, paranaense e de nacionalidade brasileira, portanto torço para o canarinho. Quando jogar com outro país, aí sim torço para a terra do sol nascente", argumenta, acrescentando que não consultou os filhos, que moram longe, mas acredita que eles, por serem de terceira geração, compartilharão da mesma torcida.

A monja Sayuri Sakane, líder do Templo Budista Nambei Honganji de Apucarana e descendente de terceira geração (sansei), acredita que a seleção brasileira vencerá por 2 a 1. Ela pontua que, embora não seja especialista no esporte, sua escolha se baseia no desempenho técnico. "Pelo que vi, o time japonês é altamente técnico e bem treinado, enquanto o time brasileiro vai na gana e coragem. O coração prefere torcer para o time que, no dia, jogar melhor. Sem grandes paixões. Acho que é porque sou budista", diverte-se, revelando, no entanto, que a maioria dos seus familiares deverá apoiar o Japão.
A partida entre Brasil e Japão definirá quem avança na competição. O jogo está marcado para às 14h (de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos.
