Apucarana

Donas de bar que sofreram ataques homofóbicos pedem justiça

"Homofobia é crime, desde que abrimos em outubro estamos sofrendo represálias de todos os lados", disse uma das vítimas; ASSISTA

Da Redação ·

Stephany Haidamak e a esposa Nayane Codina, que são sócias-proprietárias do bar localizado em Apucarana e que recentemente sofreram ataques homofóbicos, falaram sobre o assunto nesta quinta-feira (17). Em entrevista para o site TNOnline, as empresárias pediram por justiça. As duas serão ouvidas na delegacia nesta sexta-feira (17).

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"Nós queremos a punição desses atos.  Esse caso foi exposto, mas nós sofremos muitas outras represálias. A homofobia é crime, desde que abrimos em outubro estamos sofrendo represálias de todos os lados, perdi as contas de quantas vezes tivemos que ir até as autoridades, esse caso resolvemos expor para a punição dos envolvidos e para que as pessoas se conscientizem a não fazer mais isso. Aqui não é apenas um bar, uma empresa, é uma rede de proteção, se nós nos calarmos, vamos estar calando todas as pessoas que se sentem representadas por nós. Nós somos um grupo, uma comunidade que vive com medo. O que nós queremos é mostrar para todos que é crime, a homofobia é crime, vamos lutar pela justiça para garantir o respeito", disse Stephany Haidamak. Assista a entrevista:    null - Vídeo por: Reprodução

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso do ataque homofóbico que aconteceu na madrugada do dia 10/02. O delegado Marcus Felipe Rocha informou que só a partir das intimações e das oitivas das pessoas envolvidas poderá confirmar a identificação dos agressores para a tomada de providências legais. “Ainda estamos numa fase inicial das investigações”, disse.

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RELEMBRE O CASO: 

Um bar localizado na Rua Ouro Branco, no centro de Apucarana, no norte do Paraná, foi alvo de ataques homofóbicos. Uma das proprietárias do espaço chegou a ter crise de pânico após o ocorrido. Câmeras de segurança flagraram toda a ação e registraram o momento em que quatro homens se aproximam do estabelecimento e vandalizam o espaço. Um dos suspeitos urina na frente do comércio. 

A advogada e sócia-proprietária do bar Stephany Haidamak, contou que ela e a esposa Nayane Codina, tinham fechado o estabelecimento e já estavam na casa delas, que fica na parte superior do imóvel, quando ouviram dois carros parando em frente ao local. "Imediatamente fomos verificar as câmeras. Vimos os quatro rapazes descerem dos veículos e ouvimos eles gritando “Esse é o El Dorado! O bar de viado!”; “Não é bar de viado?  Um rapaz começou a urinar e nesse momento eu saí na sacada de casa e pedi para que fossem embora, pois estava vendo o que eles estavam fazendo. Um rapaz indagou se eu estava vendo pelas câmeras e eu disse que sim. Acho que ele pensou que elas estivessem desativadas. Mesmo pedindo para que fossem embora, eles permaneceram ali na frente por mais alguns minutos, e disseram que era para nós descermos, enquanto outro falava palavras ofensivas", detalha Stephany.

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A sócia-proprietária contou que elas ligaram para a Polícia Militar (PM), mas o telefone de emergência estava instável, a segurança particular foi acionada, porém, os homens deixaram o local. Um boletim de ocorrência foi registrado no dia 10/02, quando o ataque aconteceu e os suspeitos já foram identificados. A família espera por justiça. "Nós esperamos que os indivíduos sejam responsabilizados perante a justiça e que a punição sirva de exemplo para coibir esse crime de ódio, pois fomos vítimas de homofobia, seguido de ato obsceno e depredação de patrimônio, apenas por sermos quem somos. Eu e a Nayane nos sentimos ameaçadas, com muito medo. Nós sequer conhecíamos aqueles homens. Era de madrugada, ninguém imagina sua casa e seu ambiente de trabalho, sendo atacados por quatro homens, gratuitamente. Aqui é nosso ganha pão e nossa residência. Era pra nos sentirmos seguras; em casa mora apenas eu e minha esposa, duas mulheres, vulneráveis, e diante dessa violência ficamos estarrecidas, congeladas. A Nayane teve crise do pânico, foi conseguir se acalmar por volta das 4h da manhã. No outro dia, tínhamos todos os afazeres de nossos trabalhos para serem cumpridos, mas o psicológico estava muito abalado", ressalta.