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    Cesta básica compromete metade do salário mínimo

    Família que vive com salário precisa economizar

    Cesta básica compromete metade do salário mínimo
    Foto por Vitor Flores - TNOline
    Escrito por Cindy Santos
    Publicado em 11.05.2021, 11:05:38 Editado em 11.05.2021, 11:05:21
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    Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Conjuntura Econômica e Estudos Regionais (Nucer), da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Apucarana, revelou que a cesta básica comprometeu quase a metade do salário mínimo dos trabalhadores no mês passado.

    Conforme a pesquisa, a alimentação mensal de uma pessoa adulta custa R$ 513,88, o que equivale a 46,72% do valor do salário mínimo vigente de R$ 1,1 mil.  

    O estudo realizado em abril, leva em consideração 12 itens básicos, sendo a carne responsável por 41,2% do custo total da cesta básica, seguida por banana prata, pão francês, feijão, manteiga, leite, tomate, batata, arroz, café em pó, farinha de mandioca, açúcar e óleo de soja (veja no gráfico). 

    “O ideal seria utilizar apenas 15,5% da renda para comprar os componentes da cesta básica, porque o salário não é só para comer, ainda tem saúde, educação, segurança, despesas de moradia como água, energia elétrica, aluguel, roupas, calçados, entre outros”, observa o coordenador da pesquisa, economista Rogério Ribeiro, professor de Ciências Econômicas da Unespar Apucarana. 

    De acordo com Ribeiro, o trabalhador com remuneração de 1 salário mínimo precisa trabalhar 102 horas e 47 minutos (aproximadamente duas semanas) para receber o equivalente ao valor de uma cesta básica. “Isso representa 46,57% da jornada total de trabalho no mês. É muita coisa”, comenta. 

    Para nivelar o salário às necessidades do trabalhador, a pesquisa projeta um salário mínimo de R$ 3.314,88 para melhorar sua qualidade de vida. “Qualidade de vida não se mede pela renda, mas sim pelo acesso que o cidadão tem as bens e serviços. Então, ou o salário aumenta ou os preços dos alimentos caem”, assinala.

    MAIS BARATAO

    economista observa que a cesta básica de Apucarana é 11% mais barata do que em Curitiba. “Temos umas vantagens competitivas. Estamos próximos de muitos produtores e de abatedouros locais, isso dá uma vantagem competitiva diferentemente do que muitas capitais que não têm essa estrutura produtiva e primária, aí com custos de transação frete encarecem os produtos”.

    Nesta mesma linha de análise o valor da cesta básica é mais barato do que o obtido em Apucarana somente nos municípios de Salvador (BA), Aracaju (SE), Recife (PE), Natal (RN), João Pessoa (PB) e Belém (PA).

    Família que vive com salário precisa economizar

    Na casa da apucaranense Rosângela Pereira da Silva, 48 anos, a palavra principal é economia. Ela conta que trabalhava como doméstica, mas por causa da pandemia está parada. A única renda da família, composta por quatro pessoas, provém do marido que recebe um salário mínimo.

    Rosângela afirma que a cesta básica consome quase todo salário e que tenta economizar para conseguir pagar outras contas. “Compromete bem mais da metade, não sobra quase nada, só sobra para pagar luz e água. Minha casa tem quatro pessoas e uma criança que ainda toma leite, o que pesa mais ainda. Os alimentos estão muito caros, se pega um pacote de arroz já encarece”, comenta. 

    Por isso sempre busca por produtos mais baratos no supermercado. “Pesquiso bastante para pegar produtos mais em conta para conseguir reduzir o valor um pouco, mas é difícil”. 

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