Apucarana

Apucaranense parou de atuar com dupla na semana do acidente

Júlio César Mariano era roadie de Conrado e Aleksandro até a terça-feira antes da tragédia. "Foi um livramento". Outros apucaranenses comentam trajetória com duplas

Da Redação ·

O acidente que provocou a morte do cantor Aleksandro, da dupla com Conrado, e outros cinco integrantes da equipe gerou apreensão em diversos músicos e profissionais de Apucarana que trabalham com duplas sertanejas famosas. Celeiro de muitos músicos, principalmente de bandas de baile, Apucarana tem inúmeros representantes tocando ou atuando no backstage de artistas renomados.

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O roadie Júlio César Mariano, de 37 anos, ainda está abalado. O apucaranense trabalhava com a dupla Conrado e Aleksandro até poucos dias antes da tragédia com o ônibus dos artistas, ocorrida na manhã do último sábado (7), na rodovia Régis Bittencourt, em Miracatu, no interior de São Paulo. Na terça-feira anterior ao acidente, ele fechou com a dupla Thaeme e Thiago e mudou de emprego. 

“Eu estaria no ônibus no dia do acidente. O menino que foi no meu lugar acabou morrendo. Eu tive esse livramento. A gente fica triste com os amigos que se foram. Tínhamos um vínculo de amizade muito forte”, conta o roadie, que tem com função auxiliar na passagem de som e na montagem dos instrumentos, entre outras obrigações nos bastidores.

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Júlio trabalha desde os 12 anos na área e já percorreu o Brasil atuando nas equipes de Chitãozinho e Xororó, Fernando e Sorocaba e Bruno e Barreto, entre outros artistas. Ele reconhece que essas viagens geram preocupação, sim, mas fazem parte da vida de quem atua com duplas ou bandas musicais.

“A gente sai de casa para trabalhar e está sujeito, infelizmente, assim como qualquer outro trabalhador. A gente deixa nossa família de lado para levar divertimento para outras pessoas e faz isso por amor, é claro que nós precisamos do dinheiro, mas é por amor”. 

Ele revela que nunca sofreu nenhum acidente e assinala que, dependendo da dupla, a rotina é de até 20 shows por mês.  ‘Às vezes, as pessoas vaiam porque o show está demorando, mas ninguém sabe o que está acontecendo atrás das cortinas, quanto que a gente viajou, se a gente comeu ou não”. “Às vezes, a gente está no Mato Grosso e amanhã o show é em Minas Gerais. Mesmo assim, a gente faz de tudo para o show acontecer da melhor maneira possível”, acrescenta. 

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BAIXISTA

Baixista da dupla Gian e Giovani, o apucaranense Bill Almeida, de 44 anos, comenta que a preocupação é constante por conta do grande número de viagens e aumenta, inevitavelmente, quando ocorre um acidente desse porte. 

Bill chegou segunda-feira (9) a Apucarana para visitar os familiares, mas já pega a estrada na quinta-feira (12) novamente. O próximo show de Gian & Giovani será em Matias Cardoso (MG).  “É um risco frequente, sem dúvida. Sempre quando acontece um acidente (como de Conrado e Aleksandro) surge uma preocupação maior, mas é algo que faz parte da nossa rotina”, ele assinala. Apesar de citar que um acidente pode ocorrer com qualquer profissional que pega a estrada, o baixista afirma que procura fazer o que está ao seu alcance para se proteger. “Eu, por exemplo, sempre uso cinto de segurança no ônibus. A maioria acaba não utilizando”, ele admite.

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Quanto à rotina agitada, Bill afirma que a logística é quase sempre complicada. “Você está tocando no Paraná e daí o produtor vende um show para o dia seguinte em Minas Gerais, por exemplo. É algo que foge ao nosso controle”. Ele toca profissionalmente há 30 anos – começou na adolescência – e já trabalhou com Zé Henrique e Gabriel, Marcos e Belutti e Oswaldo Montenegro.

Ele lembra que começou a tocar com Marcos e Belutti em um momento complicado para a dupla. Bill entrou na banda em 2014, logo após um acidente com o ônibus dos artistas que provocou a morte justamente do baixista. “O clima era complicado, porque havia uma tensão permanente, porque o pessoal estava traumatizado”, conta.  

Leandro Pinto de Freitas, de 44 anos, atua há 27 anos no meio musical. Profissional de design, ele é responsável pelo audiovisual dos shows. Já trabalhou com Bruno e Barreto e também com Conrado e Aleksandro. Deixou a rotina das estradas e hoje trabalha em home office produzindo para inúmeros artistas renomados, como Gusttavo Lima. “É uma vida muito complicada. Cada dia em uma cidade. Quando estava com a dupla Bruno e Barreto, era uma loucura”, diz.

Após a pandemia, ele decidiu que era hora de parar com as viagens e hoje apenas produz o conteúdo. Quando a Aleksandro, ele lamenta a perda. “Era um cara muito gente boa e humilde. Um cara muito correto e sério. É muito triste o que aconteceu”, finaliza. 

Por Fernando Klein