Apucaranense acusado de tentar matar influenciadora vai a júri popular nesta quinta-feira
Gabriel Augusto atacou a ex-namorada em maio de 2023, em Londrina, após histórico de ameaças

O julgamento do apucaranense Gabriel Augusto, acusado de tentar matar a influenciadora digital Daniele Gonçalves, ocorre nesta quinta-feira (2), a partir das 9h, na cidade de Londrina (PR). O réu vai a júri popular para responder pelo crime de tentativa de feminicídio, que aconteceu no dia 09 de maio de 2023, em frente à residência da vítima.
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Durante o trâmite processual, a defesa do acusado buscou desqualificar a denúncia para lesão corporal e apresentou um laudo de insanidade mental na tentativa de impedir o julgamento popular. A Justiça, no entanto, negou os recursos, manteve a tipificação de tentativa de feminicídio e determinou que o destino do réu fosse decidido pelo conselho de sentença. Enquanto aguardava o desfecho judicial, a vítima enfrentou um longo e doloroso processo de reabilitação física, permanecendo internada por meses e sendo submetida a diversas cirurgias em decorrência da gravidade dos ferimentos.
Procurado pelo TNOnline, o advogado de defesa, Lucas Cardoso, afirmou que a defesa comparecerá ao Tribunal do Júri para assegurar que o acusado tenha um julgamento pautado no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa, destacando que o processo foi longo e contou com a produção de diversas provas e a oitiva de muitas testemunhas. "Eu espero que os debates no Tribunal do Júri transcorram com absoluto respeito entre a acusação e a defesa, dentro da ética e da legalidade. Eu também reconheço, tanto como advogado quanto como pessoa, o sofrimento da vítima e dos familiares, assim como o impacto que esse processo causou na sociedade. O papel da defesa não é negar o sofrimento, é assegurar que o réu seja julgado com base nas provas que foram produzidas no processo, conforme determina a constituição", completou.
Ainda acordo com Lucas, a principal tese da defesa é afastar o entendimento de que Gabriel teve a intenção de matar a vítima. Caso os jurados mantenham a acusação de tentativa de feminicídio, a defesa pedirá o reconhecimento da semi-imputabilidade, prevista no Código Penal. Para o advogado, o réu tinha a capacidade de compreender o caráter ilícito de seus atos, mas apresentava limitações para controlar seu comportamento. Lucas também informou que atuará no júri ao lado do profissional Rian Analias, que será seu advogado auxiliar.
Como ocorreu o crime
O ataque aconteceu no dia 9 de maio de 2023, em frente à residência da vítima, em Londrina, e foi o ápice de um relacionamento conturbado que durou cerca de oito meses. Inconformado com o término, Gabriel teria ido até o local armado com um facão, quebrado o vidro do carro em que Daniele estava e a puxado para fora. Em depoimento à Polícia Civil, a influenciadora relatou que o ex-companheiro desferiu diversos golpes contra o seu rosto e foi ainda mais agressivo quando ela tentou se proteger com os braços. A sessão de violência só foi interrompida quando a vítima gritou pela mãe e pelo irmão, que ao sair da casa ainda presenciou o agressor entrando no carro e fugindo do local.
Ainda segundo Daniele, os primeiros sinais de descontrole ocorreram em abril daquele ano, durante a ExpoLondrina, quando Gabriel teve uma crise de ciúmes, rasgou sua roupa em um quarto de hotel e ameaçou matar ela e sua família. Posteriormente, a vítima viajou para Goiânia (GO), onde morou por cinco anos, mas continuou sendo perseguida pelo ex-companheiro. Na capital goiana, ele quebrou o celular da influenciadora, desferiu tapas em seu rosto e a enforcou por quase um minuto.
Após o crime, Gabriel fugiu para uma região de mata e entrou em contato com a família. Ele foi preso preventivamente dois dias depois, em 11 de maio, após seus próprios advogados informarem à Polícia Civil que ele estava em uma clínica psiquiátrica de Maringá. Atualmente, o réu cumpre prisão no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. As investigações também apontaram que o apucaranense já possuía um histórico de violência, tendo agredido outras mulheres com quem se relacionou nas cidades de Apucarana, Cambé e São Paulo.
