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Alta do diesel pressiona safra e eleva custos de produtores e prefeituras no Vale do Ivaí

Agricultores relatam impacto de até R$ 100 mil na safra; municípios temem reflexos no transporte e nas estradas rurais

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Alta do diesel pressiona safra e eleva custos de produtores e prefeituras no Vale do Ivaí
Autor Foto: Airton Lucas Bovo

A disparada no preço do óleo diesel já pesa no bolso de produtores rurais e também das prefeituras da região de Apucarana e Mauá da Serra, no norte do Paraná. Em meio à colheita da soja e ao manejo do milho safrinha, agricultores relatam aumento expressivo nos custos operacionais e preocupação com a continuidade dos trabalhos no campo.

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Apesar de não haver registro oficial de desabastecimento na região, o cenário de instabilidade internacional e a escalada dos preços acenderam o alerta no agronegócio. Nacionalmente, o governo federal e a ANP afirmam que o abastecimento está garantido até o fim de abril, com monitoramento constante do mercado.

O produtor rural Airton Lucas Bovo, de 20 anos, de Apucarana, conta que o diesel impacta de forma imediata a rotina da propriedade da família, na região do Correia de Freitas. “Consumimos em média 3 mil litros por dia nesta época, entre a colheita da soja e o plantio do milho safrinha. Não temos depósitos suficientes para armazenar o diesel para a safra inteira”, relatou.

Segundo ele, somente em um dia o reajuste significou um acréscimo de aproximadamente R$ 4 mil nas despesas, enquanto na comparação com a safra passada o custo adicional já se aproxima de R$ 100 mil. “Tudo o que fazemos é indispensável. Uma solução seria tentar aumentar a autonomia das máquinas, mas isso é bem difícil”, afirmou.

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Na propriedade da agricultora Marli da Silva de Miranda Lichtenco, de 38 anos, na Estrada do Rio Bom, o reflexo também é pesado. A família está em plena colheita da soja e calcula um custo extra de R$ 45 mil, valor fora do planejamento inicial. “O diesel já era alto e com essa nova alta só piorou. Não estocamos porque não temos lugar suficiente para guardar a quantidade que usamos”, disse.

Ela destaca que o impacto maior está na rentabilidade. “O que muda é o que sobra para o produtor, e já não está sobrando quase nada. Com os insumos caros e o diesel alto, a margem está muito pequena”, lamentou.

O aumento do combustível também pressiona os cofres públicos. Em Mauá da Serra, o prefeito Giva Lopes (União Brasil) afirma que o reajuste afeta diretamente o transporte escolar, os serviços urbanos e, principalmente, a manutenção das estradas rurais.

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Segundo ele, a prefeitura gastou cerca de R$ 2 milhões com combustíveis no ano passado. Com uma alta próxima de 20%, o impacto projetado para este ano pode chegar a R$ 400 mil. “É um impacto forte tanto no transporte escolar quanto na situação das vias rurais do município. Mesmo sem falta de combustível, o aumento engessa muito o caixa”, explicou.

O prefeito ressaltou ainda que o município depende do abastecimento feito por postos terceirizados, já que não possui tanque próprio no pátio de máquinas.

“Se houver qualquer problema no fornecimento dos postos, compromete diretamente a manutenção das vias rurais e outros serviços essenciais”, alertou.

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Em um período decisivo para o campo, produtores e gestores públicos seguem em alerta. Mesmo sem sinais oficiais de escassez na região, a alta do diesel já impõe novos desafios financeiros ao agronegócio e às administrações municipais.

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