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Família proprietária de terreno contesta que área abriga a nascente do Rio Pirapó

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Poço usado pela família Fukumoto de 1947 até meados de 1990. Foto: Arquivo Pessoal
Poço usado pela família Fukumoto de 1947 até meados de 1990. Foto: Arquivo Pessoal

Reconhecido por órgãos ambientais locais como a nascente do Rio Pirapó e considerado desde 2004 Área de Preservação Permanente (APP), um terreno situado entre as ruas Munhoz da Rocha e Clotário Portugal, próximo à UPA, é alvo de polêmica. A família Fukumoto, proprietária do imóvel, alega que não existe nenhuma comprovação legal de que existe uma nascente no local.

Segundo a corretora de imóveis Rosana Fukumoto, existe apenas um poço usado pela família de 1947 até meados de 1990. Conforme ela, a área foi considerada APP sem nenhum estudo aprofundado ou comprovação legal.

Rosana é nora do senhor Hiroshi Fukumoto, que por décadas foi o dono do local. Ela afirma que, no local, não existe uma nascente e exige o direito de explorar o terreno, já que agora infelizmente o sogro faleceu. Rosana é também herdeira do terreno em questão, juntamente com seu esposo, e proprietária de uma área vizinha há mais de 20 anos.

“Ali não tem as devidas características de uma nascente. A área é toda consolidada, inclusive no terreno do poço. Existe sim um fluxo de água que estaria vindo para dentro do poço e não brota do solo como se deu a fama”, afirma.

De acordo com ela, toda a família afirma que Hiroshi nunca concordou com a história de que, no terreno dele, havia uma nascente. Mas que, por medo, falta de conhecimento e pelo desejo de ficar até seus últimos dias de vida no local, nunca discutiu a questão.

“Nem com os familiares ele gostava de falar sobre o assunto por não aceitar o que fizeram e que seu desejo era enterrar esse poço, mas nunca foi mal-educado em atender quem pedia para mostrar o que sempre queriam publicar e falar: o cano onde saía a água, um dreno do poço que não existe mais no local”, afirma.

De acordo com Rosana, esse foi um título ‘criado’ mediante interesses políticos e particulares e que as edificações no entorno do local descaracterizam totalmente a nascente. A família afirma também que nunca foi explicada para eles a finalidade real de várias manilhas colocadas por administrações públicas anteriores, instaladas quando os filhos de Hiroshi não estavam no Brasil.

“Algumas dessas manilhas recebem muita água de chuva vindo da Rua Desembargador Clotário Portugal, mas que ficam paradas há anos dentro de algumas dessas manilhas. Meu sogro já sofreu muitos anos por causa de alagamento e nunca percebeu o porquê, mas agora estamos descobrindo muitas coisas e não queremos mais receber água de chuva da rua Clotário Portugal, onde a água não vai a lugar nenhum e polui nosso terreno”, afirma.

Conforme previsto no Código Florestal, as APPs devem ser mantidas em um raio de 50 metros ao redor das nascentes e ‘olhos d’água’, ainda que sequem em alguns períodos do ano. “Supondo que no local exista mesmo uma nascente, o que não é verdade, por que apenas a minha família foi e continua sendo prejudicada? Se é uma área consolidada, porque somente duas residências da mesma família são áreas de APP? Recentemente, fizeram edificações dentro desse raio de 50 metros. Quero ter direito de explorar o local como todo mundo teve e tem”, diz.

Secretaria de Meio Ambiente contesta

O secretário municipal de Meio Ambiente, Sérgio Bobig, contesta as alegações dos proprietários do terreno e afirma que no local existe uma mina d’água com fluxo permanente de mais de 50 milímetros. Ele disse que o local foi vistoriado por ele e também pelo Ministério Público (PM), por meio da Promotoria do Meio Ambiente.

“Se existe um afloramento de água, é nascente. Além disso existem sim um poço. E a área é característica de nascente. Faz mais de 50 dias que não chove e se você for lá terá um fluxo direto de mais de 50 milímetros de água”, certifica.

Bobig argumenta com base no seu conhecimento na área e diz ainda que consumiu a água do local e, segundo ele, é potável. “Técnicos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR fizeram testes e comprovaram que a água de lá é potável. A Companhia de Saneamento do Paraná também coletou amostras e constatou que se trata de água natural, não é água tratada da Sanepar”, assegura o secretário.

De acordo com Bobig, apesar da a prefeitura não ter autonomia sobre o imóvel, existe grande interesse em adquiri-lo e desenvolver um projeto de revitalização e preservação no local. “Se houver um acordo e a prefeitura adquirir esse terreno será simplesmente para proteção da nascente. Criar um projeto que permita a população visitar sem agredir a nascente”, afirma.

O secretário disse solicitará novas análises no local e que a parte interessada deve contratar os serviços de um geólogo para comprovar sua tese. “É uma área de preservação permanente e não pode ser edificada”, reitera.

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Edhucca

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