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Um distrito com cara de cidade

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Em 1930, chegavam os primeiros imigrantes italianos ao Pirapó. Os novos moradores do local vinham do interior de São Paulo para tentar uma vida melhor com o trabalho no campo, apostando as fichas no ouro verde da época: o café. Décadas depois, o distrito aumentou de tamanho e moradores, ganhou estilo de uma pequena cidade, mas continua sendo o principal reduto do grão. É dessa localidade, o extremo oeste de Apucarana, que são produzidos os melhores grãos do produto da cidade.


Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o distrito é formado hoje por cerca de 7 mil habitantes, população maior que alguns municípios do estado. Há 14 anos, o distrito, que valoriza sua vocação, sedia a Feira do Café (Feicafé), promovida pela Associação dos Cafeicultores de Apucarana.

O distrito também é endereço do único museu cidade, o Museu Histórico do Café, que justamente retrata a história da produção do café através de um acervo captado junto dos pioneiros de Apucarana, conta com a Casa de Costume, mostrando como era a moradia na zona rural nas décadas de 50 e 60. Mais recentemente o local passou a abrigar a unidade “2” do “Espaço Mulher”, da Secretaria Municipal da Mulher e Assuntos da Família, através da “Rede de Mulheres Solidárias”.

É também no distrito que fica a Fazenda Ubatuba, uma das mais tradicionais de café do Norte do Paraná. De propriedade da família Schindler, uma das mais tradicionais da região, a propriedade atualmente pertence ao grupo Massa, do apresentador Ratinho. A propriedade que chegou a contar com mais de 500 trabalhadores nas décadas de 60 e 70, época áurea da cafeicultura, era praticamente uma cidade à parte de Apucarana, com igreja, escola e farmácia. 

Por conta da população e estrutura, o Pirapó quase conseguiu virar uma cidade. Na década de 90, um movimento pela emancipação do distrito causou polêmica, muitas movimentações políticas e até desavenças entre os moradores do distrito do Pirapó e os vizinhos de Caixa de São Pedro.
Nascido no Pirapó, o comerciante Wilson Festi, 61 anos, conhecido também como China, acompanhou de perto o momento e lamenta que o distrito não tenha conseguido virar uma cidade. “Nós lutamos por quatro anos e as tentativas foram frustradas. Fomos para Curitiba, onde foi feito um plebiscito. Porém, precisávamos dos votos dos moradores da Caixa de São Pedro”, explica Wilson.

O comerciante acredita que se o distrito tivesse virado uma cidade, ideia que ele até hoje não descarta, o Pirapó já teria um avanço significativo, principalmente pelo solo apropriado para a plantação de café. “Coisas erradas foram feitas e por rivalidade não conseguimos virar uma cidade. Foi uma frustação para mim, uma perda irreparável”.
China, que vive com a esposa, filhos e netos no distrito, diz orgulhoso sobre o que o Pirapó conquistou ao longo dos anos e cita cinco mercados, duas farmácias, creche, escolas, circular a cada meia hora. “É um lugar ótimo. Não tenho uma agulha fora do Pirapó e tudo que fiz foi acreditando que podia melhorar e virar uma cidade”, conta o comerciante.
 



Moradores destacam tranquilidade

O lavrador e motorista aposentado Angelo Bovo Neto, 73, e a esposa Maria Creusa Bovo, 64, vivem no Pirapó desde a década de 80. O casal mora em frente à Paróquia Santo Antônio de Pádua. Angelo e Maria Creusa são casados há 46 anos e apreciam a tranquilidade do lugar. “Gostamos muito do sossego, mas já foi melhor”, brinca Angelo, se referindo à turma jovem que ouve música alta pelas ruas do Pirapó. 

Sobre as reivindicações para tornar Pirapó uma cidade, Angelo diz que não acompanhou as mudanças. “A gente preferiu ficar neutro, mas lembro que aconteceu sim”, recorda. O bancário aposentado Benedito Lopes, 71, é de Paraguaçu Paulista, mas optou por morar no Pirapó, cidade natal de sua falecida esposa, há 10 anos. “Aqui é um lugar pacato, mas temos tudo que precisamos. Eu gosto muito de viver aqui”, conta. Benedito perdeu a esposa há cerca de dois anos. “Escolhi viver aqui, foi uma opção”, conta. 

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