Jovem apucaranense escreve carta emocionada ao pai que perdeu em acidente
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A Apucaranense Karina Benjamin, de 29 anos, escreveu uma carta aberta ao seu falecido pai, Antonio Benjamin Neto, morto em um acidente de trânsito no dia 30 de setembro de 2015. Seu Antonio era motorista do transporte coletivo de Apucarana e morreu durante serviço.
Na Semana Nacional de Trânsito, fica aqui a homenagem a Seu Antonio e ao mesmo tempo um alerta para que as pessoas usem o trânsito de maneira responsável, lembrando sempre que nossa vida é muito frágil e pode mudar em questão de segundos.
“Carta de uma filha que perdeu o pai em acidente. Apucarana. Saudoso Antonio Benjamin Neto (motorista) Dias difíceis, saudade aperta, meu pai completaria 57 anos no dia 21 (setembro)… aos 54 foi levado para perto de Deus. Homem de grande valor, até mesmo no momento de sua morte, se preocupou com “o próximo”, se abdicando de sentir a própria dor, - politraumatismo craniano foi o diagnóstico de sua morte.
Saiu de casa para trabalhar, em uma quarta feira, mas naquele dia 30 de Setembro de 2016, não retornaria. Era motorista de ônibus coletivo, trabalhava dentro da cidade, em um trajeto costumeiro, nunca em sua trajetória, foi multado. Por volta das 5:59 da manhã outro ônibus colidiu com o que ele dirigia, o impacto foi tão forte, que arrastou o ônibus com passageiros por mais ou menos dez metros. No momento do acidente, meu pai destravou a porta traseira, pois a dianteira estava totalmente danificada e pulou a catraca, dentre alguns segundos seu sangue invadiria seu cérebro, perdendo assim os sentidos.
Mas como guerreiro que era, encontrou tempo em perguntar se estavam todos bem, saiu pela porta traseira, levou a mão no bolso, pegou o celular, e caiu a beira da porta do ônibus, uma poça de sangue que saía pelas narinas, boca e cortes de sua cabeça tomou conta daquela cena, a pior cena da minha vida, pude vê-la pois filmaram e compartilharam publicamente em redes sociais.
Confesso que ao ver uma moça virando a cabeça dele de lado, tentando ajudar para que não se afogasse, ao ouvir seu gemido durante o atendimento dos socorristas, ver seus pés descalços, um deles visivelmente quebrado, me deixa ainda, extremamente abalada, essa cena se repete em minha cabeça, como se eu estivesse presente naquele momento.
Ah, se ele soubesse o quanto eu queria trazê-lo de volta, trazer meus sentimentos que se perderam com sua ausência, acabar com minha insegurança por não tê-lo por perto, sentir sua proteção como antes, vê-lo chamando minha filha, sua neta, de "fia"..... ah, meu pai, ficaria tão orgulhoso ao ver o quanto ela cresceu e está se tornando um "serumaninho" incrível, talvez isso devolveria o sorriso de minha mãe que nunca mais brilhou como antes, pediria para ele enxugar as lágrimas de minhas irmãs, que tentam ser fortes com o intuito de não enfraquecer umas às outras, mas cada uma leva consigo traumas e dores que não passam, dores da alma.
Aquele foi o dia escolhido para ele voltar á casa do Pai, a alma dele tinha pressa em cumprir o “ide”, cumpriu sua missão, ansiava ir morar no céu.
Karina Benjamin"
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