'Sumiço' de moedas é desafio para varejo
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Procuram-se moedas. Este é o clima em Apucarana, de acordo com os comerciantes da cidade. Eles relatam que está cada vez mais difícil encontrar os dinheiro miúdo em caixa para dar o troco. Em consequência disso, os lojistas têm usado a criatividade para que os consumidores utilizem os centavos, inclusive oferecendo brindes para incentivar a troca.
Cristiane Candeo é caixa em uma padaria de Apucarana. Ela afirma que, em alguns momentos, encontra dificuldades em conseguir dar o troco por conta da falta de moedas. “Sempre perguntamos aos clientes se eles não têm como utilizar moedas para fazer os pagamentos, mas muitos não possuem. Está bem difícil porque, aparentemente, muita gente guarda em casa com o intuito de utilizar em uma viagem ou algo assim, deixando o comércio desabastecido”, relata.
Segundo ela, o comércio tenta alternativas para minimizar o impacto da falta de moedas, mas nem sempre dá certo. “A gente tenta oferecer uma bala ou um chiclete para ‘arredondar’ a conta, mas a maioria das pessoas não aceita, optando pela moeda mesmo”, diz.
O estoque de moedas tem até nome: entesouramento. O problema é tamanho que já gerou inclusive estudo por parte do Banco Central (BC). De acordo com o órgão, o hábito dos brasileiros de encher cofrinhos tira de circulação um terço das moedas emitidas no país por ano.O BC estima que a população guarda até 7,4 bilhões de unidades que deveriam estar no mercado, facilitando o troco e viabilizando transações. Um agravante é que o custo de produção das moedas é maior do que o das cédulas e, na maioria dos casos, o valor de face não paga o gasto com a confecção. Em 2016, o BC disponibilizou 761 milhões de novas moedas, volume 11% superior a 2015, quando foram produzidas 685 milhões de unidades.A procura pelas moedas é tamanha que um supermercado de Apucarana até oferece um brinde, que vai de caixas de bombons a doces, para quem quiser trocar um grande volume de centavos.
“Fazemos isto para incentivar as pessoas. Estamos sempre correndo atrás, buscando até com outras empresas, mas nem sempre conseguimos”, afirma Amadeu Ansanelo, gerente do estabelecimento.Recentemente, o acúmulo de moedas levou a uma situação inusitada, que obteve repercussão nacional. Um vidraceiro de Bom Jesus da Penha (MG) comprou uma moto zero-quilômetro após juntar os trocados por 25 anos. Ele conseguiu guardar um total de R$ 11.904,00 em garrafas pet na laje de casa.Segundo Rafael Marques, proprietário de uma casa lotérica em Apucarana, as moedas mais difíceis de serem encontradas são as de R$ 1. “Estou com a lotérica há 14 anos e sempre foi difícil encontrar as moedas. No entanto, neste ano está sendo mais difícil ainda. Sempre havia pessoas que vinham aqui em dezembro ou janeiro para trocar as moedas guardadas durante o ano. Mas neste ano, não veio ninguém”, conta.
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