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"O Dia Internacional da Mulher representa a luta por equidade", diz especialista

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Data foi criada para homenagear as lutas das mulheres por respeito, qualidade de vida e igualdade. Foto: Reprodução/Arquivo
Data foi criada para homenagear as lutas das mulheres por respeito, qualidade de vida e igualdade. Foto: Reprodução/Arquivo

Comemorado nesta quinta-feira (8), o Dia Internacional da Mulher é 'um dia de reflexão', disse Gabriela Sacchelli, professora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), durante debate sobre feminismo no campus de Apucarana. O evento aconteceu na quarta-feira (7).

Para muitos, 8 de março é apenas um dia para dar flores e fazer homenagens. Mas diferentemente de diversas outras datas comemorativas, esta não foi criada pelo comércio. Em entrevista ao TNOnline, a professora disse que a data deve ser considerada um trampolim para a análise da posição da mulher na sociedade. 

"O dia Internacional da mulher representa a luta das mulheres por equidade, a data faz referência a 8 de março de 1857, onde 130 mulheres morreram carbonizadas em uma indústria têxtil, lutando por direitos trabalhistas. Não podemos reduzir a causa. Precisamos nos lembrar de todas as lutas femininas e nos empoderarmos, estudar o dia é uma forma de trazer a tona sua representatividade", ressalta. 

A professora, que atua na conscientização e formação de professores, reconhece que a classe feminina obteve muitas conquistas ao longo das últimas décadas. No entanto, ela considera um assunto pouco complexo, diante de tantas outras questões importantes que ainda não foram alcançadas. 

"Penso que é complexo falar sobre avanços. Nossa história é cíclica e a declaração universal dos direitos humanos foi publicada a menos de um século. Temos alguns 'direitos' que muitas vezes não são respeitados", analisa. 

Como exemplo, Gabriela cita a desigualdade social, econômica e política que ainda existe entre o homem e a mulher. "Uma das lutas das mulheres no século XIX era por salários iguais. Elas ganhavam cerca de um terço do salário masculino. Hoje a diferença ainda é relevante, ganhamos de 500 a 800 reais a menos. A ocupação de funções justifica essas diferenças, por exemplo, enquanto homens ocupam em maior parte a função de médico, as mulheres estão em grande maioria na função de enfermagem. Duas profissões importantíssimas, porém com grandes disparidades salariais", observa. 

De acordo com a professora, há um longo caminho a ser percorrido ainda nesta luta. "Nos falta ocupar posições sociais, precisamos ser representadas, ouvidas, na política, na mídia, em todas as instituições. O papel da mulher ainda é estigmatizado, está sempre relacionado a doçura, fragilidade, maternidade e sexualidade. Somos muito mais. Não há problema algum em ser mãe ou dona de casa. O problema é sermos caladas ou diminuídas. A população feminina hoje tem acesso ao ensino superior por exemplo, mas os salários ainda são inferiores", comenta.

Feminismo é sinônimo de igualdade
Gabriela Sacchelli é formada em sociologia e pedagogia. Desde 2007 se dedica a pesquisas relacionadas ao movimento feminista, sempre a frente de palestas e debates sobre o tema em Apucarana.

Segundo ela, muitas pessoas acabam confundindo a luta social como um movimento contrário ao machismo. "Feminismo é a luta social por equidade nas relações sociais, econômicas e políticas. Machismo é evidenciar as diferenças entre homens e mulheres, estigmatizar, naturalização de violências", explica. 

Gabriela conclui que o movimento social deve estar vivo enquanto houver violências domésticas e diferenças salariais. "Resumindo enquanto houver opressão", pontua.

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