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Apucarana

Laboratório da UTFPR tenta obter patente na área de nanotecnologia

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Pesquisadores do campus de Apucarana da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) desenvolveram um novo método para a criação de nanopartículas magnéticas. O trabalho do grupo de pesquisa Laboratório de Química de Materiais e Tecnologias Sustentáveis (Laqmats) rendeu, inclusive, um pedido de patente, o primeiro de um projeto criado dentro do campus local.

O desenvolvimento do novo método de produção foi feito pelos professores Rafael Block Samulewski, Alessandro Bail e Murilo Pereira Moisés, além do acadêmico Brayan Medina, que explica que as nanopartículas magnéticas são sistemas formados por ínfimos grãos – na ordem dos nanômetros – que possuem propriedades físicas e químicas diferenciadas.

O composto de nanopartículas é passível de utilização por diversas áreas, sendo as principais a ambiental e a biomédica, com um mercado em expansão. 

“O composto pode ser utilizado, por exemplo, para direcionar um medicamento em um ponto específico do corpo humano, reconstituir cordas vocais, retirar impurezas da água, entre outros usos. São várias as possíveis aplicações”, explica o acadêmico Brayan Medina.O que os pesquisadores desenvolveram, entretanto, não é o composto em si, mas um novo e inovador modo de produzi-las. 

“Este composto magnético é produzido pela indústria atualmente através de um complexo método que envolve grandes quantidades de água e solvente, gerando resíduos que têm grande impacto ambiental. Para nós, a grande vantagem do método desenvolvido por nós é o impacto quase zero, já que não se utiliza solvente para se obter o mesmo composto”, destaca o professor Alessandro Bail.

Os custos também são bem menores. Enquanto que a produção industrial atualmente precisa do uso de equipamentos avançados em um ambiente com temperatura e umidade controlados, o método desenvolvido em Apucarana não precisa de nada disso. 

“Nós desenvolvemos uma maneira de fazer com que um processo mecânico bem mais simples desencadeie a reação química necessária para a criação desse composto”, destaca o professor Murilo Pereira Moisés.

O tempo também é fator importante. Através do método desenvolvido pelo Laqmats, é possível produzir em cerca de cinco minutos o mesmo volume de composto produzido durante um dia inteiro pelo método tradicional.

Recentemente, o grupo solicitou a patente do novo método, que será analisada internamente pela UTFPR e, em seguida, pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Depois de 18 meses em sigilo, o método é publicado e pode ser replicado por outros químicos para comprovar a viabilidade. Todos os que utilizarem o método deverão pagar royalties para a UTFPR e para os pesquisadores, inclusive retroativamente, se for o caso.

O Laqmats foi formado em 2014 e conta com alunos de graduação e pós-graduação. Vários projetos de pesquisa na área de materiais avançados e saneamento ambiental já foram desenvolvidos, rendendo convênios com a Fundação Araucária e Sanepar, por exemplo. O foco do grupo é agregar valor à resíduos industriais. 

“Neste momento, estamos procurando empresas parceiras para nos ajudar a desenvolver novos projetos e financiar pesquisas”, explica Alessandro Bail.

 
 
 

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