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Juntas, irmãs de Apucarana lutam contra o câncer de mama

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Cacilda Sanches Nunes e Cristiane Sanches Andrade enfrentam juntas a doença  (Sérgio Rodrigo)
Cacilda Sanches Nunes e Cristiane Sanches Andrade enfrentam juntas a doença (Sérgio Rodrigo)

Sem histórico de casos na família, as irmãs Cristiane Sanches Andrade, de 36 anos, e Cacilda Sanches Nunes, 49, de Apucarana, foram surpreendidas com o diagnóstico do câncer de mama. A primeira a descobrir a doença foi Cristiane, que percebeu algo estranho no seio esquerdo durante o banho em outubro do ano passado. Em julho deste ano, Cacilda também recebeu a confirmação que o nódulo no seio direito era um câncer. 

A descoberta de Cristiane ocorreu em outubro do ano passado aos 35 anos. Apesar do surgimento do nódulo, Cris, como é mais conhecida, não ficou muito preocupada, porque estava longe da faixa etária considerada de risco pelo Ministério da Saúde (MS), que é de 50 anos, quando não tem histórico da doença na família.

Intrigada com o nódulo, ela procurou um médico particular, que recomendou mamografia, ultrassom e ressonância, além de biópsia. “O médico disse que poderia não ser nada, mas na dúvida era melhor fazer os exames. Então, fiz a biópsia achando que não era nada. Tinha 35 anos na época. O médico que fez o ultrassom disse que provavelmente não seria nada e o ginecologista também. Quando recebi o resultado fiquei em choque, recorda.

O diagnóstico de Cris acedeu o alerta para Cacilda, que já tinha identificado um nódulo no seio direito há mais dois anos, mas o médico teria dito que provavelmente era de gordura e não precisaria fazer a mamografia. A confirmação, no entanto, veio em julho deste ano, após informar o caso da irmã. Após o diagnóstico de Cris, o serviço de saúde liberou a mamografia para Cacilda. A mamografia é recomendada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) somente após os 50 anos, quando não tem histórico.
 

Desconhecimento

“Na hora que o médico falou o resultado, eu fiquei em choque. Não tive reação. Não chorei. Eu fiquei em estado de choque. Depois foi caindo a ficha. Aí fiquei com medo, chorei. Aí vem essa parte sobre conhecer melhor o assunto, porque, por mais que ouve falar, eu nunca tinha acompanhado um caso próximo. E isso traz um medo, porque tudo que a gente não conhece causa receio”, diz.

Hoje, bem-humorada, Cris confessa que quando recebeu o diagnóstico chegou a pensar que iria morrer. “Eu pensei nisso. Depois, conforme fui conhecendo exemplos de pessoas que já haviam passado pelo tratamento e estão bem, ajudou muito”, revela.

A apucaranense conta que o exemplo mais próximo que teve foi da irmã de uma amiga. “Ela tinha passado pelo tratamento no ano anterior. Quando eu comecei, ela tinha terminado o tratamento. Foi o único contato mais próximo que eu tive e me ajudou. Por isso, acho importante falar sobre esse assunto”, comenta.  

Cinco meses após terminar as sessões de quimioterapia, Cris já retomou sua rotina de trabalho como massoterapeuta e de treino, que não deixou de fazer mesmo durante o tratamento. Agora, ela, que passou por uma mastectomia, que é a retirada da mama, e usa um extensor, aguarda para colocar uma prótese de silicone, quando for liberada. “A mastectomia foi necessária, porque era um tipo de câncer agressivo, que se desenvolvia muito rápido”, diz.

“Hoje, a minha imunidade já está quase normal. Neste período, percebi que a vontade de viver está ainda maior. Às vezes, a gente não se dá conta da vida diante da correria e acaba dando importância a coisas que não tem tanto valor assim”, diz.

Cris frisa ainda que, além da realização do tratamento, o apoio psicológico recebido ao longo do tratamento e o apoio da família fez toda a diferença.

 

Tranquilidade

Ao lado de irmã, Cacilda, que também esbanja bom-humor, garante que está tranquila e confiante no sucesso do tratamento. Ela está passando por sessões de quimioterapia, para depois fazer a cirurgia de retirada da mama. “Em julho, eu fiz a mamografia e, então, dei início ao tratamento”, diz.

Cacilda, que já tinha identificado um nódulo no seio direito há dois anos, percebeu alterações no tamanho e também na cor da pele neste ano. “Só autorizaram a mamografia por causa do caso dela. Quando recebi o diagnóstico, eu fiquei muito brava, porque se o médico que me atendeu na época tivesse encaminhado para que fosse retirado logo no início, de repente poderia ter evitado”, acredita. 

As irmãs comentam que, depois que tiveram o diagnóstico, o atendimento no Centro de Oncologia, do Hospital da Providência, é muito rápido. “O difícil é ter o diagnóstico correto”, avalia Cacilda, que foi atendida antes por vários profissionais da rede pública de saúde, incluindo médicos de Apucarana e Maringá. 

Elas comentam ainda que o apoio psicológico e também nutricional recebido dos profissionais de saúde fazem a diferença no tratamento. E assim, juntas uma apoia e orienta a outra na luta contra o câncer de mama.


Diagnóstico precoce de câncer de mama abrange apenas 8,8% dos casos

O diagnóstico precoce ainda é considerado um dos principais entraves no combate ao câncer de mama, que é o mais comum entre as mulheres. O câncer de mama, segundo o Instituto Nacional do Câncer (inca), corresponde por cerca de 25% dos casos novos da doença a cada ano. 

No ano passado, a estimativa era de 57.960 mil novos casos. Dos 273 atendimentos realizados pelo Centro de Oncologia do Hospital da Providência, de Apucarana, desde que o sistema foi credenciado pelo Ministério da Saúde em outubro de 2008, apenas 8.8% dos casos, o que representa 24 pacientes, foram diagnosticados na fase inicial. 

“O diagnóstico precoce, na fase chamada “in situ”, ou seja, que é quando o tumor está no estágio inicial, a chance de cura é de 98%. Este diagnóstico precoce depende fortemente da realização da mamografia”, observa o médico responsável pelo Serviço de Mastologia do Hospital da Providência, de Apucarana, Ribamar Maroneze.

Em países desenvolvido, segundo Ribamar, o índice chega a 30%. “Isso significa que o serviço de atenção primária à saúde não está funcionando adequadamente, mas isso no âmbito nacional. O acesso à mamografia precisa ser facilitado. Hoje, a mulher, geralmente, perde três dias de trabalho, para fazer a mamografia, o que impossibilita às vezes a busca principalmente quando não tem sintomas”, avalia.

O especialista defende que o acesso à mamografia deveria ser ampliado. “Atualmente, a mamografia é recomendada a partir dos 50 anos pelo Ministério da Saúde. Já a Associação Brasileira de Mastologia orienta aos 40 anos. Na Inglaterra, por exemplo, é feita uma busca ativa às mulheres, quando elas completam 40 anos”, cita como exemplo.

Ribamar entende que, caso as brasileiras tivessem acesso a mamografia sem a necessidade de antes passar por uma consulta, facilitaria o diagnóstico precoce e, consequentemente as chances de cura. 



 

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