Apucarana

Doação de múltiplos órgãos dobra no primeiro semestre em Apucarana

Da Redação ·
Ana Luzia e João Sene Leme, de Ivaiporã, autorizaram a doação de órgãos do filho | Foto: Ivan Maldonado
Ana Luzia e João Sene Leme, de Ivaiporã, autorizaram a doação de órgãos do filho | Foto: Ivan Maldonado

No primeiro semestre deste ano, quatro famílias disseram “sim” a doação de órgãos em Apucarana. As captações de órgãos foram feitas no primeiro semestre deste ano no Hospital da Providência, uma das três unidades de saúde da região autorizadas a realizar o procedimento. No total, foram dez notificações, que resultaram nas quatro doações múltiplas. O número é superior ao mesmo período de 2016, quando ocorreram dois procedimentos. Em todo ano passado foram seis captações de múltiplos órgãos.

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Os números também são positivos em relação a captação de córneas. De janeiro a julho deste ano, foram identificados 43 possíveis doadores de córneas. Destes, em 13 casos, foi autorizado o procedimento. Em todo ano passado, foram 11 captações. Todas as doações de órgãos dependem da autorização das famílias. Por isso tratar do assunto no núcleo familiar é fundamental afirma a enfermeira Gredielli Rigobelo Luiz, coordenadora Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do Hospital da Providência que, neste ano, com aval da família, deu autorização para captação das córneas do pai.“Em janeiro deste ano, o meu pai (Antônio Sampaio Luiz, de 59 anos) teve um AVC (acidente vascular cerebral). Como ele já tinha expressado muito antes o desejo de ser doador foi mais fácil para nós tomarmos a decisão”, revela.Saber o desejo do familiar, na avaliação da profissional, o fator decisivo da doação de órgãos. 

“Como sabíamos que ele queria, a minha mãe autorizou com tranquilidade. Essa experiência de doar, sabendo que era o que ele queria, ajudou a superar o luto. Trouxe um certo alívio em saber que uma ou até duas pessoas estão enxergando com os olhos dele”, diz.Segundo Gradielli, assim como aconteceu com a sua família, conversar sobre o assunto é fundamental. “A família quer atender o desejo daquele ente querido. Além disso, as pessoas precisam ser bem acolhidas pela equipe médica, acompanhar todos os procedimentos e entender quando é possível doar e como isso é feito”, comenta.Quando isso ocorre, sustenta a enfermeira, os familiares entendem e têm confiança na equipe médica. “Na área da saúde, é comum dizer, que os médicos são heróis, mas, na verdade, são os doadores e as famílias os verdadeiros heróis e heroínas, por salvar, com este gesto de amor, várias vidas”, observa.

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 REGIÃO -  Além de do Hospital da Providência, em Apucarana, outros três hospitais são autorizados a fazer captações de órgãos na região. Em Arapongas, no Hospital Norte Paranaense (Honpar), nos primeiros seis meses desse ano foram quatro captações de múltiplos órgãos. O Instituto de Saúde Bom Jesus (ISBJ), de Ivaiporã, também passou a realizar o procedimento desde o ano passado. No primeiro semestre não houve nenhuma captação, porém em agosto em uma única situação seis órgãos puderam ser aproveitados.

Um gesto de amor ao próximoFoi por amor ao próximo que um casal de agricultores de Ivaiporã tomou a difícil decisão de autorizar a doação de múltiplos órgãos do filho. Ronaldo Davi Leme, 39 anos, desenvolveu um coágulo do cérebro após sofrer uma queda. Ele não resistiu e morreu, mas ajudou a salvar outras seis pessoas. Foram doados os rins, as córneas, o fígado e a válvula do coração.A decisão de doar partiu da mãe de Ronaldo, a agricultora Ana Luzia de Sene Leme. “Quando o médico me disse ele estava com morte cerebral foi o fim. Uma dor muito grande, mas me enchi de força, que vinha de Deus, e conversei com minha filha e com o João (marido), e eles concordaram”, recorda.Para Ana Luzia, um mês depois da perda do filho, saber que os órgãos doados estão agora salvando vidas de outras pessoas, é reconfortante. “Partilhamos com outras pessoas, aquilo que não ia servir para ele nem para a gente. 

Temos certeza que, de certa forma, ele está fazendo a alegria de outras famílias”, completa.Diretor administrativo Instituto de Saúde Bom Jesus (ISBJ), Celso Silva, observa que a importância de conversar sobre esse assunto, porque são os familiares do possível doador que teve morte encefálica ou cardiorrespiratória, que irão consentir ou não a doação. “Não desejamos a morte de ninguém. Porém, todos morrem, e essa perda pode significar muito na vida de outras pessoas. Só que muitos que morrem, nunca falaram sobre o assunto ou não avisaram da intenção de serem doadores à família”, comenta Silva. (IVAN MALDONADO)