Apucarana

Metade do lixo reciclável que chega à Cocap é descartada

Da Redação ·
 Cerca de 40% do lixo reciclável produzido na cidade não chega à Cocap. Foto: Sérgio Rodrigo
Cerca de 40% do lixo reciclável produzido na cidade não chega à Cocap. Foto: Sérgio Rodrigo

Segundo estimativa da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Apucarana (Cocap), cerca de 40% do lixo reciclável produzido na cidade não chega à empresa. Muito pior, entretanto, é o índice de aproveitamento do material coletado. Do volume que chega, metade não pode ser utilizada e precisa ser descartada.

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De acordo com o gestor da entidade, Antônio Roberto Nogueira, dois problemas causam o subaproveitamento. “Muita gente não faz a separação correta do lixo reciclável. Outro problema é que muitos materiais precisam ser lavados. Caixinhas de leite, garrafas pet, latas de comida e demais produtos precisam ser lavados, ou desenvolvem bactérias e mau cheiro, o que impossibilita a reciclagem”, diz.Ele lamenta ainda os 40% do lixo reciclável que nem chegam à cooperativa. 

“É dinheiro sendo enterrado, sendo jogado no lixo, fora o impacto ambiental que isso acarreta. Apesar do aterro ser construído a fim de minimizar os impactos do lixo no meio ambiente, a melhor maneira de reduzir o prejuízo ainda é reciclar a maior parte do lixo possível. Onde colocar tanto lixo ainda é um dos maiores problemas da humanidade hoje”.Só no mês de julho, a Cocap coletou mais de 203,5 toneladas de material. 

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De acordo com estimativas, mais de 100 toneladas não puderam ser recicladas. Já 305 toneladas de lixo reciclável nem chegaram à entidade no mês em questão.Segundo o gestor, existem planos de trabalhar a educação ambiental na cidade. 

“Queremos reverter esta situação, mas ainda estamos focados em arrumar a situação interna da cooperativa. Quando estivermos com a situação interna resolvida, vamos trabalhar junto às escolas e à sociedade organizada. A Cocap precisa encabeçar esse movimento”, ressalta.

O presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Júnior Serea, afirma que a questão precisa ser encarada com mais rigor na cidade. “Campanhas para separação dos materiais nas residências são fundamentais. A compostagem apresenta-se como alternativa viável para a destinação dos resíduos orgânicos, por exemplo. Com isso, a herança depositada nos aterros sanitários será menor”.

Balancete
A Cocap apresentou nesta semana, pela primeira vez, um balancete da movimentação financeira. “Nosso dever é apresentar este balancete aos cooperados, o que foi feito na semana passada. Mas acreditamos que temos uma obrigação moral com a sociedade, em face de tudo o que vem acontecendo com a cooperativa, de apresentar os números. Somos uma entidade privada, mas que presta um serviço público”, diz Antônio.De acordo com o balancete, a Cocap possuía quase R$ 83,6 mil em bens em junho. Já as obrigações de pagamento, incluindo aí as dívidas contraídas, repasse aos cooperados e demais despesas, somavam R$ 182,6 mil, o que representa uma perda de mais de R$ 99,4 mil. Em julho, a Cocap conseguiu reduzir em R$ 14,4 mil os débitos.Os repasses do município para a cooperativa totalizaram quase R$ 39,9 mil. Com o comércio de materiais recicláveis, a Cocap conseguiu R$ 27,6 mil, resultando em R$ 67,5 mil de receita total.