Apucarana

Começa o julgamento dos acusados do 'caso Jéssica' em Apucarana

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Julgamento começou na manhã desta terça-feira (7). Foto: Nathalie Bagatini/TNOnline
Julgamento começou na manhã desta terça-feira (7). Foto: Nathalie Bagatini/TNOnline

Começou na manhã desta terça-feira (7), o julgamento dos envolvidos no assassinato da jovem Jéssica Carline Ananias. O crime aconteceu  na madrugada do dia 9 de maio de 2013. Bruno José da Costa, 29 anos, (na época marido da vítima), Célia Forte, 50, (mãe de Jéssica) e Bruno César Albino, 23, estão no banco dos réus no Fórum da Comarca de Apucarana. Os três são acusados de homicídio qualificado.

O crime chamou a atenção na época não só pela violência, mas pelo envolvimento da mãe da vítima, Célia Forte, que é apontada como coautora do homicídio e amante do genro, Bruno Costa, que confessou ter matado a esposa com mais de 20 facadas.  

Segundo o Ministério Público (MP), o casal de amantes praticou o crime contando com a participação de Bruno Cezar Albino, que também responde por homicídio qualificado. Com três defensores diferentes – um para cada réu –, a estima é que o júri deve demorar em torno de 20 horas.

Segundo informações do local, as primeiras testemunhas ouvidas foram dois investigadores da Polícia Civil que atuaram no caso. Eles relembraram detalhes que mudaram a linha de investigação inicialmente tratada como latrocínio para homicídio.  

Célia Forti, mãe de Jéssica, ao lado dos outros réus, Bruno Albino e Bruno Costa, respectivamente. Foto: Nathalie Bagatini/TNOnline

Relembre o caso
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), Célia e Bruno Costa eram amantes há cerca de quatro anos e arquitetaram juntos o plano para matar Jéssica Ananias. A Promotoria sustenta que o planejamento do crime começou em fevereiro de 2013 e os últimos detalhes foram acertados uma semana antes pelo casal em um motel em Londrina. 

Dois dias antes do assassinato, Bruno e Célia se encontraram mais uma vez em uma praça em Arapongas, onde teriam checado os detalhes da execução, bem como a simulação de um assalto. 

Jéssica era casada com Bruno Costa há seis anos. O casamento aconteceu após a gravidez da jovem. Na época do crime, a filha do casal tinha seis anos. Na noite do assassinato, de acordo com informações que constam na denúncia do MP, Bruno levou a menina até a casa da sogra em Arapongas. Ele tinha planejado uma viagem ao Paraguai com a esposa, o que, segundo o MP, seria um estratagema para deixar a filha dormindo na casa dos avós. 

Na denúncia, consta que os denunciados premeditaram o homicídio e, para tanto, tentaram simular a ocorrência de um latrocínio. Bruno Costa foi o executor crime. Ele usou uma faca para matar a esposa. No laudo de necropsia constam mais de 30 facadas, sendo doze somente na região do coração. Após a execução do crime, segundo o MP, Bruno Costa tentou forjar a cena do homicídio para latrocínio, com a ajuda de Bruno Albino, que receberia R$ 400 por esse trabalho. 

Segundo a denúncia, ele tinha conhecimento prévio do planejamento do crime.  Bruno Albino é acusado de ter ido até residência do casal na madrugada do dia 9 de maio para retirar o carro dos dois. Ele teria levado ainda roupas, a faca, entre outros objetos, que foram colocados dentro de uma bolsa, do local do crime. O veículo foi abandonado na entrada do João Paulo. 

O corpo de Jéssica foi encontrado no banheiro da residência do casal. Já Bruno Costa, após o crime, segundo a acusação, algemou as próprias mãos e os pés com lacres plásticos de segurança.  A polícia, no entanto, desconfiou da versão dos fatos e, em depoimento, horas após o crime, Bruno acabou confessando ter sido o autor das facadas. Ele foi preso ainda durante o flagrante. A participação de Bruno Albino foi descoberta no mesmo dia, após o réu ligar para a polícia e confessar participação nos fatos.  

Durante a investigação, a suspeita em torno da participação de Célia Forte aumentou e ela acabou sendo presa 15 dias após o assassinato. Ela nega qualquer participação no crime e admite apenas o envolvimento amoroso com o genro, que seria forçado por ele. Na época ela chegou a alegar que Bruno teria ameaçado sumir com a criança se acaso ela rompesse o relacionamento.

Segundo a reportagem que acompanha o julgamento, o pai e o irmão da vítima não tinham chegado no fórum até às 10h30. (Com Vanuza Borges)

Grande público acompanha o júri que deve seguir até amanhã. Foto: Nathalie Bagatini/Tnonline