Apucarana

Drogas sintéticas avançam na região norte do Paraná

Da Redação ·
Cento e vinte e cinto micropontos de LSD foram apreendidos anteontem à noite em Apucarana - Foto: Sérgio Rodrigo
Cento e vinte e cinto micropontos de LSD foram apreendidos anteontem à noite em Apucarana - Foto: Sérgio Rodrigo

Cento e vinte e cinto micropontos de LSD (sigla alemã para dietilamida do ácido lisérgico) foram apreendidos anteontem à noite em Apucarana (norte do Paraná). A apreensão da droga e prisão do traficante, de 22 anos, foram feitas pela Polícia Militar, na Vila Nova, e revelam um aumento expressivo do tráfico e uso deste tipo de entorpecente nos últimos anos na cidade. 

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Em Arapongas, o cenário não é muito diferente, no início do ano, em uma única apreensão a PM apreendeu 600 comprimidos de ecstasy. Em Apucarana, 2016 já registra um aumento de 17% no número de apreensões de LSD. Em todo o ano passado foram apreendidos 294 pontos. Neste ano, 345 já foram apreendidos.

Em julho, durante cumprimento de mandado judicial na Vila Formosa, foram encontrados 385 comprimidos de ecstasy e 218 pontos de LSD. Na ocorrência de anteontem, policiais militares chegaram à Rua Bayton, na Vila Nova, após denúncias anônimas de tráfico de entorpecente no local. 

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Por volta das 19h40, dentro da antiga Upa Leite, a equipe da PM localizou um jovem suspeito, que tentou fugir, mas sem êxito. Carlos Henrique Modesto, 22 anos, levava 125 micropontos de LSD que, após a venda, poderiam render R$ 6,2 mil. Cada ponto da droga é vendido a R$50. Com o detido também foram localizados 8 gramas de maconha.

Entre 2014 e 2015, o número de apreensões deste tipo de droga dispararam. Segundo dados da Sesp (ver quadro), a apreensão de ectasy em Apucarana passou de 37 para 442 comprimidos. O relatório deste ano, entretanto, foi atualizado apenas até o primeiro trimestre.

De acordo com delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial (SDP), de Apucarana, José Aparecido Jacovós, Modesto não tem passagem pela polícia. “Porém, diante da quantidade de drogas fica caracterizado o tráfico de drogas. As drogas sintéticas têm se popularizado nos últimos anos, mas diferente do crack, maconha e até cocaína que são vendidas nas ‘biqueiras’, são encontradas principalmente bares e casas noturnas”, afirma.

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PERFIL
delegado titular da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) do Paraná, Riad Braga Farhat, observa que as drogas sintéticas, que já foram mais comuns em décadas passadas, têm ganhado espaço novamente entre os jovens. “As drogas sintéticas estão ressurgindo, em especial, entre o público jovem, de 15 a 25 anos, que gosta de balada”, comenta.

Farhat avalia que o mercado da droga também passa por alternâncias. “Em determinados momentos, uma droga está em alta. Depois, outra”, diz. Esta alternância muda a rota do tráfico. A maconha, crack e a cocaína entram basicamente no Brasil via Paraguai, uma vez que os grandes fornecedores estão estabelecidos na América Latina. “Já as drogas sintéticas vêm da Europa. Inclusive, o preço é baseado no dólar”, assinala.

O delegado titular do Denarc observa ainda que o perfil dos traficantes também é distinto. “O tráfico de drogas sintéticas é menos armado. Esse tipo de traficante tem outros tipos de conexões com o crime, o que não faz dele menos criminoso”, frisa.

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Uma pequena parcela de traficantes, segundo Farhat, que atua nas duas frentes é também armada e tem conexões nos dois eixos do tráfico: América Latina e Europa.

LSD e ecstasy desafiam polícia
O delegado titular da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), Riad Braga Farhat, observa que as drogas sintéticas são mais fáceis de serem dissimuladas, diferente do crack, da maconha e da cocaína, que emitem cheiro e ocupam grandes espaços. “O LSD, se o policial não for especializado, passa despercebido. O importante durante uma blitz ou abordagem é analisar o contexto”, argumenta.

De acordo com o delegado, o ecstasy, apesar de ser comprimidos, também é facilmente dissimulado. “É comum ser colocado em embalagens comuns de remédios. Por isso, sempre tem que ser analisado o contexto”, reforça.

Farhat comenta que, assim como no tráfico convencional, os cães farejados são utilizados e conseguem identificar a presença de LSD ou ecstasy em segundos. “O LSD quando e o ecstasy não são perceptíveis ao nosso olfato, mas é perceptível aos dos cães”, diz.