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Em Apucarana, índios reivindicam "casa de passagem"

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Indiozinho em acampamento no Parque do Japira: situação difícil - Foto: Sérgio Rodrigo
Indiozinho em acampamento no Parque do Japira: situação difícil - Foto: Sérgio Rodrigo

Todos os anos, Osacir Timóteo, 34 anos, sai de sua aldeia, da tribo Kaingang, na reserva Apucaraninha, em Tamarana, rumo a Apucarana, com objetivo de incrementar a renda da família. Com a ajuda da esposa Janaína, 31 anos, e dos filhos, Timóteo vende cestos e balaios artesanais. A família está na cidade há cerca de 2 meses e é apenas uma entre os dezenas de indígenas que todos os anos saem de suas reservas e passam longa temporada no município e cidades da região.

Geralmente, os grupos montam acampamento no Parque do Japira, nas dependências do guichê de bilheteria do Estádio Municipal Olímpio Barreto e até aos fundos do Terminal Rodoviário. As acomodações são precárias, sem higiene e saneamento. No período de chuvas registrado nas últimas semanas, os índios aproveitaram a água para lavar louças e roupas. “Infelizmente não temos um lugar melhor para ficar. Tinha que ter um centro cultural ou uma casa de passagem, mas não tem”, reclama Timóteo.

No entanto, mesmo sem um local apropriado, a comunidade indígena não passa um ano sem vir para a cidade. “Aqui as pessoas são boas e ajudam bastante a gente ganha roupas, alimento e dinheiro. Porque roubar é feio”, conta Janaina. Para encontrar as famílias indígenas, não é preciso ir até seus acampamentos. A maior parte do tempo eles ficam no centro da cidade. Muitas vezes, com crianças pedindo esmola. “Seria melhor não pedir, mas a gente precisa ter dinheiro para comida”, disse Francisca Abreu, 30 anos, que saiu da reserva de Manoel Ribas, com dois filhos pequenos em um grupo com quase 30 pessoas, há cerca de 1 mês.

FREQUÊNCIA - A frequência de famílias indígenas em Apucarana é antiga, tanto que a Fundação Nacional do Índio (Funai) discute desde 2009 a construção de uma casa de passagem para proporcionar melhores acomodações. O projeto, entretanto, nunca avançou por conta da falta de recursos da Fundação Nacional do Índio (Funai). A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Assistência Social, no entanto, não obteve informações sobre o andamento do projeto porque a secretária da pasta cumpria agenda de compromissos em Ponta Grossa.

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