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Apucarana

Bispo dom Celso Antônio tem 182 Bíblias em diversas línguas

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Bispo da Diocese de Apucarana, dom Celso Antônio MarchiorI. Foto:  Delair Garcia
Bispo da Diocese de Apucarana, dom Celso Antônio MarchiorI. Foto: Delair Garcia

Com as mãos ainda delicadas de menino, aos onze anos, o bispo diocesano dom Celso Antônio Marchiori teve o prazer de folhear as primeiras páginas da bíblia. Quarenta e seis anos depois, o religioso mantém o hábito de leitura diário da Palavra e coleciona 182 livros das Sagradas Escrituras em diversas línguas como espanhol, alemão, polonês, japonês, chinês, latim, hebraico, ucraniano, espanhol, maltês e, claro, em português.Entre as novidades, dom Celso destaca duas. “Eu tenho uma cópia da primeira bíblia impressa por Johannes Gutenberg, que foi impressa em papel. Antes, as bíblias eram escritas por monges copistas em pergaminho ou papiro em rolos”, comenta, revelando o desejo de aumentar a sua coleção.

“Eu não tenho nenhum exemplar em rolo, mas gostaria de ter. São bem raras. Sei que será mais difícil”, reconhece.Outra raridade de seu acervo é um exemplar de 1885, escrita em português de Portugal. “Não me lembro mais como esta bíblia foi parar em minhas mãos, porque as pessoas começaram a perceber o meu apreço pelas Sagradas Escrituras e começaram a me presentear. A última bíblia que ganhei foi em língua maltesa”, conta. Em breve, ele revela que sua coleção deve ser presenteada com uma bíblia em tupi-guarani. Dom Celso explica que a principal diferença entre as traduções é a linguagem. “As expressões mudam, mas o conteúdo é o mesmo. Em uma está escrito estrada, em outra caminho, em outra via”, exemplifica. Já carinho especial, o religioso garante que tem por aquela que faz parte do seu dia a dia, que só de tocar as páginas identifica as passagens. 

INÍCIO - O bispo diocesano recorda que o hábito começou quando os pais João Marchiori (in memoriam) e Maria Rosy Marchiori, de Campo Largo, compraram um livreto com os quatro Evangelhos para os meus irmãos Altair, que hoje é diácono, e a Glaci, que iriam receber a Primeira Comunhão. “Na época, eles não deram muita atenção, mas eu dei. Comecei a ler e gostei. Lia e relia este livro. A minha vocação começou a se desenvolver a partir deste momento”, afirma.Nesta época, dom Celso tinha apenas onze anos e o que mais chamava sua atenção era o diálogo entre Jesus e os seus apóstolos, em especial, quando chamava-os para a evangelização.

“A frase ‘vem e segue-me’, está presente de diversas formas nos Evangelhos e me chamava muito a atenção”, confidencia. Outra leitura que o tocou foi a história de Santo Antônio, que também era um leitor assíduo da bíblia. “Com isso, comecei a ler ainda mais a bíblia. Nesta época, eu já tinha adquirido o Novo Testamento, que tem os Evangelhos mais as cartas apostólicas. Foi meu segundo livro da bíblia”, relembra.A terceira bíblia veio três anos depois e foi comprada com o dinheiro do primeiro pagamento. “Aos 14 anos, eu fui trabalhar como operário na fábrica de porcelana Schmidt, em Campo Largo, e, com o meu primeiro pagamento, comprei uma bíblia inteira. Podemos dizer que comecei aí a minha coleção de bíblias. Eu li e reli inúmeras vezes os 73 livros que compõem o velho e novo testamentos”, garante. Inclusive, para conseguir ler a bíblia inteira em um ano, ele montou um método próprio.

“Todos os dias, eu dedicava algumas horas à leitura das Sagradas Escrituras. O hábito continua presente até os dias de hoje. “Posso ler o mesmo texto todos os dias, e todos os dias têm um novo sabor, uma nova mensagem, uma nova motivação”, assinala.Todas as bíblias estão em sua biblioteca particular que mantém na casa da mãe em Curitiba. No total são 4,5 mil livros, a maioria voltada para temas teológicos e filosóficos. 



Bispo embasou sua decisão religiosa em passagem bíblica


Dom Celso Antônio Marchiori, após sete anos de leitura da bíblia e outros livros religiosos, encontrou em Eclesiástico, capítulo 2, a mensagem que o fez decidir entrar para a vida religiosa. “Diz assim: Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor e prepara a tua alma para as provações”, recorda.No seminário Menor São José em Curitiba, após realizar um trabalho, foi presenteado pelos padres com um bíblia completa, mas com formato menor. “Gostei muito daquela bíblia. Andava com ela para baixo e para cima, que até recebi o apelido de ‘Biblinha’ no seminário”, revela.Foi no seminário, já na Filosofia, que dom Celso fez uma troca, que até hoje lembra com saudades. “Eu conheci um seminarista que tinha a Bíblia de Jerusalém, de bolso, em francês. E eu tinha, uma coleção magnífica de selos. Cheguei e pedi a bíblia, mas disse que só me daria se eu desse a coleção de selos. E eu troquei. Até hoje tenho saudade da minha antiga coleção de selos”, diz em tom de brincadeira.



Setembro é mês dedicado a valorização e leitura da bíblia

No mês dedicado a bíblia, setembro, o bispo diocesano dom Celso Antônio Marchiori avalia que o livro não perdeu espaço entre os católicos. “As pessoas que estão engajadas em suas comunidades, elas estão lendo, mas não basta somente ler a bíblia, tem que refletir, meditar. Por isso, a importância da leitura orante, promovida pelos Grupos de Vivências e pela Hora da oração”, diz.Para ele, a leitura da bíblia favorece a vida cristã em todos os sentidos. “Na bíblia é Deus nos orientando sobre o que devemos fazer, para promover a pessoa humana”, ressalta. Inclusive, o bispo acredita se houvesse mais temor à Palavra de Deus haveria menos corrupção. “Se vivêssemos a Palavra de Deus, como se deve viver, anteciparíamos o paraíso onde nós vivemos”, acredita.Por outro lado, o religioso alerta que um erro comum que comente-se ao ler a bíblia é interpretá-la segundo os próprios critérios. “Interpretações erradas podem matar. Se a pessoa se tornar fanática, em nome da palavra de Deus, pode ferir”, alerta. Por isso, dom Celso reforça para a necessidade de iniciar a leitura bíblica em grupos com pessoas instruídas e conhecedoras da palavra de Deus.

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