Apucarana

Diretor e pedagoga são afastados do Colégio Antônio dos Três Reis

Da Redação ·
Policiais civis estiveram ontem no Colégio Estadual Antônio dos Três Reis Oliveira | Foto: Delair Garcia
Policiais civis estiveram ontem no Colégio Estadual Antônio dos Três Reis Oliveira | Foto: Delair Garcia

Uma perícia no depósito da merenda escolar do Colégio Antônio dos Três Reis de Oliveira de Apucarana foi realizada durante a manhã de ontem e confirmou que houve desvio de alimentos. A checagem foi feita pelo promotor Eduardo Cabrini, que recebeu a denúncia, pelo delegado José Aparecido Jacovós e mais dois policiais civis.

Após uma hora e meia, todos os lotes foram conferidos e confirmados os desvios, que teriam sido feitos pelo diretor da instituição Luís de Faveri, de 44 anos, e pela pedagoga Olívia Mayara Jorge, de 28, para um centro de educação infantil privado do qual são sócios. Ambos foram presos em flagrante pelo crime de peculato na última sexta-feira. Os dois foram soltos na noite de anteontem e estão afastados dos cargos por determinação do MP durante o decorrer da investigação. 

O procedimento teve como foco o último lote recebido pelo colégio com 26 itens, totalizando 3,2 toneladas de alimentos. Deste lote foram encontrados na escola particular 8 pacotes de feijão, 122 barrinhas de cereais, 3 latas de milho verde, 1 pote de doce de leite de 2 litros, 1 pacote de alho triturado, macarrão a granel - que pela cor e textura – também foi identificado como sendo do lote, 5 pacotes de fubá, 1 pacote de sal e 1 caixa de chá mate. “A visita de hoje (ontem) foi só uma cautela. Queríamos, mais uma vez, comprovar se os produtos encontrados na creche seriam oriundos mesmo da merenda escolar do Estado. E de fato foi materializado”, afirma o promotor Eduardo Cabrini.Ele observa que a materialização já havia ocorrido na sexta-feira com a identificação de uma barrinha de cereal, onde constava “venda proibida”, caraterística da merenda escolar no centro infantil. 

O delegado José Aparecido Jacovós frisa que, além do diretor e da pedagoga, não há nenhum indício de envolvimento de outros funcionários da escola. “Ainda não dá para precisar há quanto tempo era feito o desvio nem da quantidade levada no total. Essas informações serão levantadas ao longo das investigações”, espera. O desvio, segundo o delegado, era feito depois do encerramento das aulas do período noturno.

A Polícia Civil também apreendeu imagens do circuito interno do colégio que mostram os dois separando alimentos.“Eles estão afastados da função e não podem comparecer no colégio neste período em que é feita a investigação”, argumenta Jacovós.Ontem, o promotor Eduardo Cabrini, descartou que outros colégios estejam sendo investigados. “Não temos nenhuma outra investigação do gênero até o momento, mas, caso a comunidade saiba de novos casos, pedimos que denuncie”, ressalta o promotor, que destaca que a investigação se concentra nos dois suspeitos. O Colégio Antônio dos Três Reis tem 524 alunos.

EM LIBERDADE - O promotor afirma ainda que não irá pedir a prisão dos suspeitos novamente. “Vão responder em liberdade. A não ser que, durante o processo, se demonstre que estão dificultando a investigação”, esclarece.Os dois foram liberados mediante alvará de soltura expedido pela Justiça. Ambos pagaram, cada um, fiança de 20 salários mínimos, cerca de R$ 30 mil no total.O advogado de defesa dos educadores, Petrônio Cardoso, afirma que vai se inteirar do teor das investigações. Ele criticou, contudo, o que classificou como ‘precipitação na divulgação dos fatos’por parte das autoridades envolvidas.



Núcleo Regional instaura sindicância administrativa 

A chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, Maria Onide Ballan Sardinha, e dois ouvidores estiveram também na manhã de ontem no Colégio Estadual Antônio dos Três Reis de Oliveira para acompanhar a perícia e dar início à sindicância interna.

“Assim que nós tivemos conhecimento deste fato, no sábado de manhã, entramos em contato com a Secretaria Estadual de Educação e viemos à escola para lacrar os dois depósitos de merenda. Já abrimos uma sindicância para apurarmos a conduta dos servidores”, afirma.De acordo com Maria Onide, o NRE está à disposição do MP e da Polícia Civil para prestar qualquer informação que possa contribuir com a investigação.

“Não havia suspeita que isso pudesse estar ocorrendo. Os alimentos da merenda escolar são identificados e também controlados para evitar que este tipo de ação aconteça. Em dez anos, a secretaria de educação registrou apenas quatro casos”, diz. Os servidores respondem pelo crime de peculato e, dependendo do resultado da investigação, podem ser exonerados das funções.

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