Hospital adia fechamento de UTI após ‘emprestar’ plantonista

O Hospital da Providência Materno-Infantil de Apucarana estendeu ontem o prazo previsto para fechar a UTI neonatal, diante do desfalque no quadro de pediatras plantonistas. A instituição de saúde recebeu apoio da direção do Hospital Santa Casa de Misericórdia, de Arapongas, que cedeu um médico especialista para atuar somente neste fim de semana. Anteontem, a administração do Providência enviou um documento à Autarquia Municipal de Saúde (AMS) e ao Ministério Público (MP) pedindo auxílio para consolidar novas contratações, caso contrário, a unidade não receberia novos pacientes ou gestantes de alto risco a partir da sexta-feira.
O superintendente de Ações em Saúde da Prefeitura de Apucarana, Hélio Kissina, afirmou que a AMS concentra esforços para auxiliar na contratação de médicos e solucionar a defasagem no quadro de plantonistas do hospital. “O caminho para a UTI não parar é contratar mais médicos. Estou mantendo contato com outros profissionais para ajudar na contratação”, assinalou. Ontem, o neurologista e diretor técnico médico do Hospital da Providência, Eudilson Mendonça, informou, durante coletiva de imprensa, que o prazo final para a solução do problema foi estendido até a próxima segunda-feira.
Segundo Mendonça, o Providência enfrenta a dificuldade de encontrar plantonistas por se tratar de uma unidade localizada entre dois grandes polos, como Londrina e Maringá, que oferecem oportunidades mais atrativas. Outro motivo seria a carência de pediatras a nível nacional. O médico ainda acrescenta que o hospital tentou reverter a situação reajustando o salário dos plantonistas em 30%. Segundo Mendonça, o ideal para o pleno funcionamento da UTI neonatal, seria um quadro formado por oito plantonistas. Atualmente, a unidade conta com quatro médicos que atendem 10 vagas de internamento.
“Se não contratar mais profissionais vamos ter que fechar. Seria uma irresponsabilidade continuar com o serviço. Poderíamos colocar a vida das crianças em risco”, alertou.Ontem, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), informou por meio de assessoria, que a unidade não pode fechar a UTI neonatal. A medida teria que ter sido comunicada à Sesa com pelo menos 60 dias de antecedência.
O prefeito Beto Preto, também acionou a Sesa e a direção da 16ª Regional de Saúde, visando cobrar do hospital o cumprimento do seu contrato com o Sistema Único de Saúde (SUS), via AMS, que mantém gestão plena da saúde pública em Apucarana.“Em um prazo de apenas 48 horas é inaceitável o hospital alegar que não vai dispor de plantonistas para manter o atendimento de uma UTI neonatal”, disse o prefeito. (Colaborou Fernanda Neme)
AMS e MP convocam reunião
A superintendência administrativa da Autarquia Municipal de Saúde (AMS) convocou ontem todos os membros da comissão de fiscalização do contrato de prestação de serviços do Hospital da Providência Materno Infantil e a administração do hospital para uma reunião emergencial hoje, às 10 horas, no Ministério Público (MP), a fim de definir novas estratégias para solucionar o problema, mas a reunião foi remarcada para a tarde de hoje.
A comissão foi requisitada ontem pela AMS, a fim de verificar se os investimentos destinados ao hospital estão sendo devidamente utilizados.A curto prazo, o diretor técnico médico do Providência, Eudilson Mendonça, informou que a administração do hospital estuda sugerir oportunidades mais atrativas aos médicos da região. Outra medida a ser estudada para solucionar o problema a longo prazo, seria criar um programa de residência médica em Pediatria, formando profissionais para atuarem na cidade.
“Trouxemos a público só agora porque não tem como fugir mais disso. Tentamos várias soluções, mas estamos há três meses com soluções temporárias e agora não dá mais”, afirmou reiterando que, se a UTI neonatal fechar as portas, nenhuma gestante de alto risco poderá ser encaminhada ao hospital.
