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Natal-Apucarana: a festa essencialmente cristã

Da Redação ·
Natal: a festa essencialmente cristã
Natal: a festa essencialmente cristã

A menos de vinte dias do Natal, a segunda maior festa do calendário cristão, parece que tudo fica um pouco diferente. As casas ganham uma dose extra de alegria com pisca-pisca nos jardins, as ruas ornamentadas com enfeites natalinos convidam o público para passear pelo comércio, que passa a atender em horário especial. Os supermercados, por sua vez, também ficam mais movimentados.

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Por outro lado, a data remente a um dos maiores acontecimentos da humanidade, o nascimento de Cristo, fato que, inclusive, dividiu a história. Para celebrar este momento, a Igreja convida os fiéis a uma série de celebrações especiais, que têm por objetivo fortalecer os laços cristãos e que, às vezes, acabam ofuscadas pelas inúmeras confraternizações que acontecem neste período.

O bispo diocesano dom Celso Antônio Marchiori, na entrevista a seguir, comenta a importância dos pais se atentarem para o lado religioso do Natal e ensinarem os valores cristãos aos filhos. Também observa que a 

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data é uma oportunidade, acima de tudo, para se aproximar de Deus e da família. Confira!

Tribuna do Norte - Qual a importância dos pais ensinarem o lado religioso do Natal para as crianças?

Dom Celso Antônio Marchiori - Numa família católica, as crianças, instruídas por seus pais sobre as questões religiosas, aprendem desde cedo que o Natal é uma festa essencialmente cristã. Elas aprendem que celebrar o Natal é celebrar a vida de Jesus que nasceu pobrezinho numa gruta em Belém. É muito importante que os pais ajudem seus filhos a compreenderem que o Natal é a celebração da vida de Jesus em nossa pobre vida. Ele renasce em nossos pobres corações para nos transformar e fazer de nós filhos de Deus. 

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Celebrar o Natal também nos faz contemplar, antecipadamente, a vida plena e definitiva que termos depois da morte. Portanto, é muito importante ajudar as crianças a compreenderem as três dimensões da festa de Natal: celebramos Cristo que nasceu, viveu, anunciou o reino de Deus, sofreu a paixão, morreu e ressuscitou para nos salvar; celebramos Cristo que nasce em nós a cada dia na medida em que vivemos o seu divino ensinamento: o mandamento do amor; e, enquanto vivemos a esperança, celebramos a Cristo que, gloriosamente, virá para nos julgar e salvar definitivamente. Quando as crianças apreendem a verdade sobre o Natal, os pais, por seu testemunho e vivência dos valores cristãos, com muita facilidade conseguem levar seus filhos à Igreja e a família celebra com alegria os Santos Mistérios. Crianças evangelizadas em casa participam da comunidade eclesial, da catequese e das celebrações em geral com muita facilidade. Elas se sentem atraídas, motivadas pelo exemplo dos pais, a viverem em comunidade. Portanto, não há dificuldade alguma para participarem da catequese e de outros momentos comunitários. A comunidade eclesial passa a ser uma extensão de sua casa. A criança se sente bem em casa com seus pais e irmãos e se sente bem vivendo em comunidade. A família é sua pequena Igreja e a Igreja é sua grande família. Quanto à árvore de natal e o presépio, esses símbolos natalinos podem favorecer as crianças para que guardem em seu coração a Palavra de Deus que nos revela o que Deus realizou para nos salvar.

TN - O que deve representar o Natal para as famílias cristãs?

Dom Celso - Para as famílias cristãs o Natal tem apenas um sentido, um significado: Jesus, descido do Pai, se tornou uma criança no ventre puríssimo da Virgem Maria, e veio morar entre nós para nos salvar. Ele é o nosso Salvador. Um Salvador na figura de uma criança, tão vulnerável, tão frágil e desarmado. No entanto, seu nascimento trouxe luz, paz e muita alegria a toda gente. E todos, ao celebrarmos com fé o Natal do Senhor, sentimos uma grande alegria tocando as profundezas de nossa existência e nos impulsionando a viver como irmãos. Sentimos uma força, que não é nossa, mas do Espírito de Deus, que nos incentiva a irmos ao encontro dos que mais necessitam de nossa presença.

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TN - O Natal tem perdido a sua essência?

Dom Celso - Para os discípulos de Cristo, não. O Natal continua sendo uma celebração litúrgica que nos faz reviver o grande acontecimento: Deus, infinitamente misericordioso, enviou seu Filho Jesus para nos salvar. Embora, esta alegria possa ser lembrada todos os dias do ano, 25 de dezembro é um dia especial para celebrarmos essa manifestação de Deus na história humana.

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O Natal existe porque Deus quis reconquistar todas as pessoas para si para se entreter com elas. Deus veio a este mundo na forma de uma criança, humano como nós a fim de nos tornar divinos como ele. Desceu até nossa humildade para nos elevar a tão alta dignidade. Infelizmente, para muitos o Natal é simplesmente uma “festa da sociedade de consumo, do esbanjamento institucionalizado; festa dos presentes e das decorações luminosas, do décimo terceiro salário, dos champanhes e dos panetones, dos presentes caros para os ricos e baratos para os pobres. Uma festa com verniz de bondade generalizada, de generosidade pontual e de muita emoção”. O Deus Menino fica impedido de crescer em nós e acaba se tornando uma imagem de gesso, de rezina ou de plástico que a colocamos uma vez por ano em nossos presépios. E a Palavra de Jesus fica esquecida ou ignorada. Sua proposta transformadora, exigente, e comprometedora acaba por se resumir num sabor adocicado de um cristianismo sem Jesus e, consequentemente, sem compromissos com os valores humanos e cristãos.

TN - Qual a sua orientação para as famílias neste período de festas, em especial, de Natal, em que as pessoas ficam tão afoitas por comprar, comprar e comprar?

Dom Celso - Precisamos resgatar a genuína festa natalina. Que seja a festa da família e da comunidade eclesial, festa das crianças, dos jovens, dos casais, onde estão presentes os pobres, idosos e os enfermos. 

Que as famílias participem das Novenas de Natal e aproveitem o momento oportuno para uma boa confissão e renovação dos compromissos cristãos. Que aproveitemos da festa de Natal para intensificar nosso louvor e nossa submissão a Deus.

Com nossa boca, cheia de unção, unidos aos coros dos anjos, preferencialmente em família, em grupos de vivência e em comunidade, que nos prostremos em adoração a Jesus recém-nascido e o contemplemos com os olhos simples dos pastores de Belém, como também lhe apresentemos oferendas de amor como os Magos. Que nossa alegria, fruto da contemplação daquele que nos amou primeiro, toque a mente e os corações de todos ao nosso redor, para que eles também, experimentando que estão sendo profundamente amados pelo Senhor, sintam em seus corações o ardente desejo de possuir o reino celeste e se despertem para uma convivência mais respeitosa e fraterna, especialmente na família.

Enfim, que neste Natal do Senhor renasçam em nosso interior profundos anseios de conversão e de renovação dos compromissos batismais onde prometemos que estaríamos para sempre com o Senhor, andando em sua presença, trabalhando na construção do seu reino e anunciando a todos a alegria do Evangelho.